sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

LILITH

Diz um texto hebraico "Porque antes de Eva foi Lilith". Sua lenda inspirou ao poeta inglês Dante Gabriel Rosseti (1828-82) a compor o poema Eden Bower. Veja um trecho traduzido do poema:
Foi Lilith, a esposa de Adão:
(Pavilhão do Éden em flor).
Nem uma gota de seu sangue era humano,
Mas ela foi feita como uma mulher doce e suave.
Lilith ficou na saia do Éden;
(Ó Pavilhão das horas!)
Ela foi a primeira que dali foi conduzida;
Com ela estava o inferno e com Eva estava o céu.
Na orelha da serpente Lilith disse:
(Pavilhão do Éden em flor).
"Para ti eu venho quando o resto é mais;
A cobra era eu quando foste meu amante.
"Eu era a mais bela serpente do Éden:
(Ó Pavilhão das horas!)
Por vontade da terra, outra forma e função
Fez-me uma mulher para a nova criatura na terra.

Lilith era uma serpente; foi a primeira esposa de Adão e lhe deu filhos resplandecentes e filhas esplendorosas segundo os escritos. Depois, Deus criou Eva; Lilith, para vingar-se da mulher humana de Adão, convenceu-a a provar do fruto proibido e a conceber Caim, irmão e assassino de Abel. Essa é a forma primitiva do mito, seguida por Rossetti. No decorrer da Idade Média, sob a influência da palavra layil, que no hebraico quer dizer "noite", ele foi se transformando. Lilith deixou de ser uma serprente para ser um espírito noturno. Às vezes é um anjo que governa a geração dos homens; outras, demônios que assaltam os que dormem sozinhos ou os que andam pelas estradas. Na imaginação popular costuma assumir a forma de uma silenciosa mulher alta, de negros cabelos soltos.

POEMAS DE TIM BURTON

Em 2007, saiu no Brasil o livro "O Triste Fim Do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias" do Tim Burton (escrito em 1997):

Apesar de ser infantil, o livro tem cenas de violência familiar, suicídio, sexo não-explícito e traição extraconjugal. Também não cabe aos poemas, finais felizes.
O show de aberrações é típico de Burton, mas nem sempre são feitos apenas de desgraças; é o caso, por exemplo, do menino Brie, um menino-queijo, que encontra a amizade de um vinho.
Estranhezas à parte, o mundo do menino Ostra e sua turma é mais real do que parece.
Dia desses descobri que algumas das histórinhas do livro ganharam animações, uma das melhores ganhou até uma canção. Há quem não goste, eu sou suspeita pra falar, achei sensacional e totalmente Tim Burton, confiram:










quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O gato de Alice

Em inglês existe um ditado que fala grin like a Chesire cat que traduzindo ao pé da letra significa "sorrir sardonicamente como um gato de Chesire". O real sentido desse ditado já se perdeu com o tempo. Hoje em dia o que se tem são suposições. Uma delas, diz que em Chesire vendiam queijos em forma de um gato que ri. Outra, que Chesire é um condado palatino, ou earldom, um tipo de título muito estranho para os padrões ingleses, apesar de ser nobre; e que essa distinção causou o riso até nos gatos. Tem uma outra que diz que nos tempos de Ricardo III houve um guarda florestal, Caterling, que sorria ferozmente ao bater-se com caçadores furtivos.
Esse ditado antigo acabou inspirando o romance onírico Alice no País das Maravilhas, publicado em 1865. O autor, Lewis Carroll, dotou o gato de Chesire da capacidade de desaparecer gradualmente até não deixar mais nada além do sorriso, sem dentes e sem boca.
Explicado o sorriso do gato, existe uma outra lenda que talvez tenha dado origem à essa capacidade de desaparecimento. Conta-se que os gatos de Kilkenny lutaram furiosamente e se devoraram até não sobrar mais que as caldas. Essa história aparece num conto de fadas do século XVIII.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A MÁQUINA DO TEMPO


O herói do romance The Time Machine (A máquina do tempo), que o jovem Wells publicou em 1895, viaja, mediante um artifício mecânico, para um futuro remoto. Descobre que o gênero humano se dividiu em duas espécies: os elói, aristocratas delicados e inermes que moram em ociosos jardins e se nutrem de fruta, e os morlocks, estirpe subterrânea de proletários que, à força de trabalhar no escuro, ficaram cegos, e que continuam pondo em movimento, instados pela mera rotina, máquinas enferrujadas e complexas que nada produzem. Os dois mundos são unidos por poços com escadas em espiral. Nas noites sem Lua, os morlocks surgem de sua clausura e... este é um excelente livro de ficção, clássico no gênero e que merece ser lido :p

terça-feira, 30 de novembro de 2010

UNITED STATES OF TARA



United States of Tara é uma série de comédia que conta a história de uma mulher com Desordem de Identidade Dissociativa (DID). Tara, após parar de tomar os remédios que impediam as outras personalidades (ou como eles chamam, alters) de aparecerem, (pois elas a atrapalhavam muito e ela queria ter uma qualidade de vida melhor) faz com que suas outras personalidades voltem: A selvagem adolescente T; A dona de casa Alice; E o veterano do Vietnã, Buck.
Tara é apoiada por seu calmo e sangue-frio marido Max, a pouco perturbada filha adolescente Kate, e o peculiar e bondoso filho Marshall. Sua irmã, Charmaine, não é tão favorável, muitas vezes expressando suas dúvidas sobre Tara. UST não é propriamente uma comédia tradicional. Ela explora outro tipo de humor, mais fino e sutil, com um pano de fundo dramático. Ah, sem contar o que havia me deixado mais curiosa: a interpretação de Toni Collette, que foi sensacional em todos os episódios. Bem, é mais uma série viciante. Espero que gostem:

http://www.vmseries.com/series-atuais/united-states-of-tara/united-states-of-tara-1%C2%AA-temporada-legendado.html

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O DUPLO

Sugerido ou estimulado pelos espelhos, pelas águas e pelos irmãos gêmeos, o conceito de duplo é comum a muitas nações. É verossímil supor que sentenças como "Um amigo é um outro eu", de Pitágoras, ou o "Conhece-te a ti mesmo" platônico se inspiraram nele. Na Alemanha chamaram-no Doppelganger; na Escócia, fetch, porque vem buscar (fetch) os homens para levá-los para a morte. Encontrar-se consigo mesmo é, por conseguinte, funesto; a trágica balada Ticonderoga, de Robert Louis Stevenson, fala de uma lenda sobre esse tema. Rercordemos também o estranho quadro How They Met Themselves, de Rossetti; dois amantes se encontram consigo mesmos no crepúsculo de um bosque. Seria o caso de citar exemplos análogos de Hawthorne, Dostoiévski e Alfred de Musset.
Para os judeus, contudo, o aparecimento do duplo não era presságio de morte próxima. Era a certeza de ter alcançado o estado profético. Assim explica Gershom Scholem. Uma tradição recolhida pelo Talmude narra o caso de um homem em busca de Deus que se encontrou consigo mesmo.
No relato "Willian Wilson", de Poe, o duplo é a consciência do herói. Este o mata e morre. Na poesia de Yeats, o duplo é nosso anverso, nosso contrário, aquele que nos complementa, aquele que nao somos nem seremos.
Plutarco escreve que os gregos deram o nome de "outro eu" ao representante de um rei. O duplo é uma idéia muito recorrente em toda cultura européia e existem muitas releituras de seu mito na contemporâneidade. Assim é rica a produção na poesia e na literatura.

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo,
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe porque o escreveu.

Fernando Pessoa

Todas as máscaras da vida
se debruçam para o meu rosto,
na alta noite desprotegida
em que experimento o meu gosto.

Cecília Meireles

Há noites em que, apenas iluminada pelo luar, olho fixamente o meu rosto no espelho. Surge-me então um espectro, de faces chupadas e olhos desmesuradamente grandes onde se lêem mágoas, angústias, desesperos, raivas e medos acumulados durante trinta e seis anos. Estendo-lhe a mão e…

O retrato de Dorian Gray

E no cinema o maravilhoso A DUPLA VIDA DE VERONICA de Krzysztof Kieslowski

domingo, 28 de novembro de 2010

KAFKA E OS COMERCIAIS

Eu adoro assistir à alguns comerciais. Muitas vezes eles acabam sendo melhores que a própria programação. Um de meus prediletos é esse do Cachorro-Peixe. Achei a idéia super criativa. Imagino que tenha sido um comercial de bastante sucesso por que vi muitas pessoas comentando-o e logo depois foi criado outro no gênero com a Ovelha-Nuvem. Um dia desses, no entanto, estava lendo um conto de Franz Kafka (aquele que acordou um dia transformado em uma barata) e percebi que o velho ditado "Nada se cria, tudo se copia" é de fato verdadeiro. O que acham?



"Tenho um animal curioso, metade gatinho, metade cordeiro. É uma herança de meu pai. Em meu poder ele se desenvolveu por completo: antes era mais cordeiro que gato. Agora é meio a meio. Do gato tem a cabeça e as unhas, do cordeiro o tamanho e as formas; de ambos, os olhos, que são esquivos e faiscantes, a pele suave e ajustada ao corpo, os movimentos ao mesmo tempo dançarinos e furtivos. Deitado ao sol, no vão da janela, vira um novelo e ronrona; no campo corre como louco e ninguém o alcança. Foge dos gatos e quer atacar os cordeiros. Nas noites de lua, seu passeio favorito é a canaleta do telhado. Não sabe miar e tem horror de ratos. Passa horas e horas de tocaia diante do galinheiro, mas jamais cometeu um assassinato.

"Alimento-o com leite; é o que lhe cai melhor. Sorve o leite em grandes goles entre seus dentes de animal de rapina. Naturalmente é um grande espetáculo para as crianças. A hora da visita é aos domingos pela manhã. Sento-me com o anmal sobre os joelhos, e todas as crianças da vizinhança me rodeiam.

"Formulam-se então as perguntas mais extraordinárias, que nenhum ser humano pode responder: por que existe só um animal assim, por que seu possuidor sou eu e não outro, será que antes ja houve um animal semelhante, e o que acontecerá depois de sua morte, será que se sente só, por que não tem filhos, como se chama etc. Não me dou ao trabalho de responder; limito-me a exibir minha propriedade, sem maiores explicações. Às vezes as crianças trazem gatos; uma vez chegaram a trazer dois cordeiros. Contrariando suas esperanças, não se produziram cenas de reconhecimento. Os animais se olharam com mansidão com seus olhos animais e se aceitaram mutualmente como um fato divino. Sobre meus joelhos, o animal ignora o temor e o impulso de perseguir. Aninhado contra mim, é como melhor se sente. Apega-se à família que o criou. Essa fidelidade não é extraordinária; é o reto instinto de um animal que, embora tenha na Terra inúmeros laços políticos, não tem um único consangüíneo, e para quem o apio que encontrou em nós é sagrado.

"Às vezes tenho de rir quando ele resfolega ao meu redor, enreda-se nas minhas pernas e não quer se afastar de mim. Como se não lhe bastasse ser gato e cordeiro, também quer ser cachorro. Uma vez - isso acontece com qualquer um - eu não via como sair de dificuldades econômicas, estava a ponto de acabar com tudo. Com essa idéia na cabeça, me embalava na poltrona de meu quarto com o animal sobre os joelhos; tive a idéia de baixar os olhos e vi lágrimas gotejando sobre seus grandes bigodes. Eram dele ou eram minhas? Será que esse gato com alma de cordeiro tem o orgulho de um homem? Não herdei muita coisa de meu pai, mas vale a pena cuidar desse legado.

"Tem a inquietude dos dois, do gato e do cordeiro, embora sejam inquietudes muito diferentes. Por isso seu couro o aperta. Às vezes salta para a poltrona, apóia as patas da frente em meu ombro e aproxima o focinho do meu ouvido. É como se falasse comigo, e de fato vira a cabeça e me olha respeitoso para observar o efeito de sua comunicação. Para agradá-lo, faço de conta que entendi e movo a cabeça. Ele salta para o chão e brinca ao meu redor.

"Talvez a faca do açougueiro fosse a redenção para esse animal, mas devo recusá-la porque ele é uma herança. Por isso terá de esperar até que seu alento acabe, embora às vezes me olhe com razoáveis olhos humanos, que me instigam ao ato razoável.

Franz Kafka


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

BEING ERICA



Being Erica é uma série canadense, que conta a história da vida de Erica Strange: 32 anos, encalhada, desempregada, azarada e com uma vida construída à volta de inúmeros arrependimentos passados, estes que condicionam sua felicidade no presente.
Já sem esperanças quanto ao futuro, tudo muda quando lhe surge a estranha oportunidade de entrar em uma certa "terapia", com um doutor nada convencional, o misterioso Dr. Tom.
Dr. Tom pede que Erica faça uma lista de todos os arrependimentos de sua vida (que não são poucos), e assim inicia sua nada ortodoxa terapia: voltar ao passado e modificar as decisões das quais se arrepende. Assim, em cada episódio, Erica faz uma viagem ao passado, revive-o e o modifica, alterando, por conseguinte, a sua vida presente e, por extensão, futura.
Sem dúvidas, uma das séries mais interessantes que já assisti. Aquelas em que você assiste os episódios compulsivamente, por isso, cautela: a crise de abstinência pode ser severa! Bora ver se eu estou mentindo? :P

http://www.vmseries.com/serie/series-atuais/being-erica

domingo, 21 de novembro de 2010

A ARTE BIZANTINA

Bizâncio era uma antiga colônia grega localizada entre a Europa e a Ásia, no estreito de Bósforo. Nesse local, no ano 330, o imperador Constantino fundou a cidade de Constantinopla, que, graças à localização geográfica privilegiada, viria a ser palco de uma verdadeira síntese das culturas greco-romana e oriental. O termo bizantino, portanto, deriva de Bizâncio e designa a criação cultural não só de Constantinopla, mas de todo o Império Romano do Oriente.

O Império Romano do Ocidente, cuja capital era Roma, sofreu sucessivas invasões até cair completamente em poder dos bárbaros, no ano 476. Essa data marca o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média.

O Império Bizantino - como acabou sendo denominado o Império Romano do Oriente - alcançou seu apogeu político e cultural durante o governo do imperador Justiniano, que reinou de 527 a 565. Apesar das contínuas crises políticas, manteve-se a unidade do Império até 1453, quando os turcos tomaram sua capital, Constantinopla, dando início a um novo período histórico: a Idade Moderna.

UMA ARTE QUE EXPRESSA RIQUEZA E PODER

O momento de esplendor da capital do Império Bizantino coincidiu historicamente com a oficialização do cristianismo. A partir daí, a arte cristã primitiva, que era popular e simples, foi substituída por uma arte cristã de caráter majestoso, que exprime poder e riqueza.

A arte bizantina tinha um objetivo: expressar a autoridade absoluta e sagrada do imperador, considerado o representante de Deus, com poderes temporais e espirituais. Para que a arte atingisse esse objetivo, uma série de convenções foi estabelecida - tal como ocorrera na arte egípcia.

Uma dessas convenções foi a da frontalidade, uma vez que a postura rígida da personagem representada leva o observador a uma atitude de respeito e veneração. Ao mesmo tepo, ao reproduzir frontalmente as figuras, o artista mostra respeito pelo observador, que vê nos soberanos e nas figuras sagradas seus senhores e protetores.

Além da frontalidade, outras regras minuciosas foram impostas aos artistas pelos sacerdotes, como a determinação do lugar de cada personagem sagrada na composição e a indicação de como deveriam ser os gestos, as mãos, os pés, as dobras das roupas e os símbolos. Enfim, tudo o que poderia ser representado era rigorosa e previamente determinado.

Passou-se também a retratar as personalidades oficiais e as personagens sagradas como se compartilhassem as mesmas características: assim, a representação de personalidades oficiais sugeria tratar-se de personagens sagradas. Aao lado detalhe de mosaico em estilo bizantino que mostra o imperador Justiniano (547-548 d.C.). Igreja de São Vital, Ravena.

No mosaico ao lado, o imperador Justiniano aparece com uma auréola, símbolo característico de figuras sagradas, como Jesus Cristo, os santos e os apóstolos. Igual tratamento foi dado à representação da imperatriz Teodoro, localizada na mesma igreja.

As personagens sagradas, por sua vez, eram representadas com caracaterísticas das personalidades do Império. Jesus Cristo, por exemplo, aparecia como re e Maria como rainha. Da mesma forma, situações típicas da corte eram transpostas para as representações dos santos como é possível ver nessa Procissão dos mártires (c. 500-526), mosaico na parede interna da basilica de San Apollinare Nuovo, em Ravena, Itália.

No mosaico ao lado é possível observar uma procissão de santos e apóstolos aproximando-se de Cristo com a mesma solenidade dedicada, na vida real, ao imperador nas cerimônias da corte.

A ARTE CRISTÃ PRIMITIVA

O início do cristianismo foi marcado por uma série de perseguições aos cristãos. Em virtude dessas perseguições, os primeiros cristãos de Roma enterravam seus mártires - pessoas que morreram em defesa de sua fé - em galerias subterrâneas, as catacumbas. Assim, nas paredes e nos tetos dessas galerias foram registradas as primeiras manifestações da pintura cristã.

Em princípio, essas pinturas limitavam-se a representações de símbolos cristãos, como a cruz e a palma. Mais tarde, começaram a aparecer cenas do Antigo e do Novo Testamento.

É importante notar que essa arte cristã primitiva não era executada por grandes artistas, mas por homens do povo, convertidos à nova religião. Daí sua forma rude, às vezes grosseira, mas, sobretudo, muito simples.

Com o tempo, as perseguições aos cristãos diminuíram, até que, em 313, o imperador Constantino converteu-se ao cristianismo e autorizou seu culto. O cristianismo, então, expandiu-se, até que, em 391, o imperador Teodósio tornou-o a religião oficial do Império. Deu-se início, então, à construção dos templos cristãos, denominados basílicas, que mantiveram muitas das características romanas.

A arte cristã primitiva, primeiramente rústica e simples nas catacumbas, depois mais rica e amadurecida nas basílicas, prenuncia as mudanças que marcarão uma nova época na história da humanidade.

MOSAICO: LUXO E SUNTUOSIDADE EM PEDRAS COLORIDAS

O mosaico consiste na colocação, lado a lado, de pequenos pedaços de pedras de cores diferentes sobre uma superfície de gesso ou argamassa. Essas pedrinhas coloridas são dispostas de acordo com um desenho previamente determinado. A seguir, a superfície recebe uma solução de cal, areia e óleo que preenche os espaços vazios, aderindo melhor os pedacinhos de pedra.

Os gregos usavam os mosaicos principalmente nos pisos. Já os romanos utilizavam-nos na decoração, demonstrando grande habilidade na composição de figuras e no uso da cor. Na América os povos pré-colombianos, principalmente os maias e os astecas, chegaram a criar belíssimos murais com pedacinhos de quartzo, jade e outros minerais.

Mas foi com os bizantinos que o mosaico atingiu sua mais perfeita realização. As figruas rígidas e a pompa da arte de Bizâncio fizeram do mosaico a forma de expressão artística preferida pelo Império Romano do Oriente.

Assim, as paredes e as abóbadas das igrejas, recobertas de mosaicos de cores intensas e de materiais que refletem a luz em reflexos dourados, conferem uma suntuosidade ao interior dos templos que nenhuma época conseguiu reproduzir.

O caráter majestoso da arte bizantina pode ser observado também na arquitetura das igrejas. Um dos melhores exemplos é a basílica de Santa Sofia, em Istambul, Turquia; que a partir de 1935 tornou-se o museu de Santa Sofia.

Reconstruída no governo de Justiniano após um incêndio da antiga construção, essa basílica apresenta a marca mais característica da arquitetura bizantina: uma grande cúpula equilibrada sobre uma planta quadrada. A cúpula é formada por quatro arcos e ampliada por duas absides (recinto de teto abobadado, com planta semicircular ou poligonal, situado na extremidade de uma construção); estas, por sua vez, são amplidas por mais cinco pequenas absides. A nave central é circundada por colunas com capitéis detalhadamente trabalhados, que lembram capitéis coríntios.
O revestimento de mármore e mosaicos e a sucessão de janelas e arcos criam um espaço interno de grande beleza.
A ARTE BIZANTINA EM RAVENA
No século VI, Justiniano tentou reunificar o Império Romano, dando início às guerras de conquista do Ocidente.
Nesse contexto, a cidade de Ravena, importante ponto estratégico dominado há muito pelos ostrogodos, tornou-se um dos alvos mais visados pelo imperador para a conquista da península Itálica. Após várias tentativas, a cidade foi finalmente reconquistada em 540 e passou a ser o centro do domínio bizantino na Itália.
Na primeira metade do século V - portanto antes da época de Justiniano -, Ravena já tivera contato com a cultura bizantina. É desse período o exemplo mais conhecido e significativo de sua arquitetura: o mausoléu da imperatriz Gala Placídia.

Externamente, esse mausoléu é um edifício simples, revestido de tijolos cozidos. Sua planta segue o desenho de uma cruz e sua característica essencial é um cubo por cima da pequena cúpula central.
A simplicidade externa do mausoléu contrasta fortemente com a riqueza dos trabalhos artísticos do interior, recoberto com belíssimos mosaicos de motivos florais, nos quais predomina a cor azul.
As igrejas de Ravena que revelam a arte bizantina mais madura, porém, são as da época de Justiniano, como a de São Vital.
Devido à sua planta octogonal, o espaço interno dessa igreja apresenta possibilidades de ocupação diferentes da de outras igrejas.
A combinação perfeita de arcos, colunas e capitéis fornece o elementos de uma arquitetura adequada para apoiar mármores e mosaicos.
Destacam-se ainda, na igreja de São Vital, mosaicos como o do imperador Justiniano e o da imperatriz Teodora, com seus respectivos séquitos levando oferendas ao templo. São obras que expressam de modo significativo o compromisso da arte bizantina com o Império e a religião.
OS ÍCONES BIZANTINOS
Além de trabalhar nos mosaicos, os artistas bizantinos criaram os ícones, uma nova forma de expressão artística na pintura. A palavra ícone, de origem grega, significa "imagem". Como trabalho artístico, os ícones são quadros que representam figuras sagradas, como Jesus Cristo, a Virgem, os apóstolos, santos e mártires. Em geral, são bastante luxuosos.

Para pintar os ícones, os artistas utilizavam a técnica da têmpera ou a da encáustica, lançando mão de recursos que realçavam os efeitos de luxo e riqueza. Em geral, revestiam a superfície da madeira ou da placa de metal com uma camada dourada, sobre a qual pintavam a imagem. Para fazer as dobras das vestimentas, as rendas e os bordados, retiravam com um estilete a película de tinta da pintura. Essas áreas, assim, adquiriam a cor de ouro do fundo.
Às vezes, os artistas colavam jóias e pedras preciosas na pintura, chegando até a confeccionar coroas de ouro para as figuras de Jesus Cristo ou de Maria. Essas jóias, aliadas ao dourado no detalhes das roupas, davam aos ícones um aspecto de grande suntuosidade.
Em geral, os ícones eram venerados nas igrejas, mas não raro eram encontrados nos oratórios familiares, uma vez que se tornaram populares entre muitos povos, mantendo-se por muito tempo como expressão artística e religiosa.
Os ícones russos tornaram-se famosos - particularmente os da cidade de Novgorod, entre oa quais se destacam, pela expressividade, Mãe de Deus e São Floro, São Jaime e São Lauro.
Depois da morte do imperador Justiniano em 565, aumentaram as dificuldades políticas para que o Oriente e o Ocidente se mantivessem unidos. O Império Bizantino sofreu períodos de declínio cultural e político, mas conseguiu sobreviver até o fim da Idade Média, quando, em 1453, Constantinopla foi invadida pelos turcos.
UM POUCO DE SANTA SOFIA EM SÃO PAULO
Entre os anos 1934 e 1939, foi construída, na cidade de São Paulo, uma réplica da basílica de Santa Sofia. Essa igreja é a sede do arcebispado da Igreja Ortodoxa do Brasil.
Entre os vários aspectos de sua arquitetura e pintura que chamam a atenção do observador, destacam-se a grande cúpula central com semicúpulas, que dão amplitude ao espaço interno, e o iconostásio - painel com os ícones -, considerado o mais belo da América Latina.
AS TÉCNICAS DA TÊMPERA E DA ENCÁUSTICA

Têmpera é o nome dado a um dos modos como os artistas bizantinos preparavam a tinta usada em seus ícones. Consiste em misturar os pigmentos a uma goma orgânica - em geral gema de ovo - para facilitar a fixação das cores à superfície do objeto pintado. O resultado é uma superfície brilhante e luminosa. Mais tarde, com o desenvolvimento da pintura a óleo, essa técnica foi abandonada. Alguns pintores, porém, continuaram a utilizá-la, como é o caso do brasileiro Alfredo Volpi (1896-1988).
Já a técnica da encáustica foi usada desde a Antiguidade. Os gregos, por exemplo, a utilizavam para colorir suas esculturas de mármore. O processo consiste em diluir os pigmentos em cera aquecida e derretida no momento da aplicação. Ao contrário da têmpera, cujo efeito é brilhante, a pintura em encáustica é semifosca.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O CORVO

Er... onde está escrito Veja aqui, por favor, veja aqui http://baladaliteraria.zip.net/

200 FILMES LIVRES DE COPYRIGHT

Você quer baixar filmes clássicos sem peso na consciência? Uma ótima dica é acessar o site da Open Culture: http://www.openculture.com/freemoviesonline. Ali está disponível uma lista com 200 filmes livres de copyright.

O acervo é incrível. Dá para passear pela história do cinema com obras de Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Roman Polanski, Francis Ford Coppola, Jean-Luc Godard e David Lynch, só para citar alguns.

Alguns títulos listados são restritos aos americanos, como Dr. Strangelove (Dr. Fantástico), de Stanley Kubrick (o filme é uma cortesia do Netflix). Mas esses são minoria. A maior parte dos filmes está disponível sem nenhuma restrição.

O OpenCulture ainda lista alguns bons lugares para garimpar filmes livres.

APLICATIVO ORIENTA SOBRE OS SINTOMAS DO CORONAVÍRUS

https://coronabr.com.br/