sábado, 15 de janeiro de 2011
LIXO
- Bom-dia.
- Bom-dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- É...
- Eu ainda não o conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu o quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmmm. Notei também que o senhor usa muita comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo.
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante. Mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que esstou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É...
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha.
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?
Luís Fernando Veríssimo
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
CASABLANCA DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO
s, não faz muito. Ele tem uma espelunca perto da Madeleine que pega todos os americanos bêbados que o Harry's Bar expulsa. Está com 70 anos, mas não parece ter mais que 69. Os olhos empapuçados são os mesmos, mas o cabelo se foi e a barriga só parou de crescer porque não havia mais lugar atrás do balcão. A princípio ele negou que fosse Rick.quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?
Obcecado por responder “afinal, o que querem as mulheres?” – pergunta formulada, e nunca elucidada, por Sigmund Freud, o criador da psicanálise –, André Newmann é um jovem escritor às voltas com sua tese de doutorado em Psicologia. Para concluir seu estudo, ele se aventura em perigosos territórios, como salões de beleza, clubes e sex shops, colhendo depoimentos das mais diversas mulheres.
eminino, André conta com a ajuda de seu orientador-psicanalista, Dr. Klein, que nos delírios de seu pupilo é enxergado como o próprio pesquisador austríaco nascido em meados do século XIX.Sua dedicação é tanta, que a tese se mistura à sua vida, e vice-versa. Isso, porém, acaba destruindo o seu relacionamento de cinco anos com a artista plástica Lívia, e para tentar preenche
r tal vazio, o escritor se mete em encontros desastrosos e cômicos, além do excesso em um mergulho hedonista de bebedeiras e noites mal dormidas.Com seis episódios (a prova viva de que tudo que é bom dura pouco...), o seriado foi escrito por João Paulo Cuenca, com coautoria de Michel Melamed e Cecília Giannetti, e texto final do diretor Luiz Fernando Carvalho.
O que me chamou a atenção pra assistir a princípio, foi a atuação da bela Paola Oliveira (que foi linda, como sempre), e o tema freudiano. :P
A série foi exibida pela Rede Globo em novembro/dezembro, pra quem não viu, já está disponível pra download. Enjoy it!
http://www.seriadoscompletos.net/2010/11/download-afinal-o-que-querem-as.html
A PARTIDA
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
MELHORANDO A QUALIDADE DE UMA IMAGEM UTILIZANDO O MODO LAB

A mudança é um sutil mas faz uma grande diferença na qualidade das cores da imagem, especialmente quando impressas. E é algo relativamente fácil que você faz em três tempos com o Photoshop. Escolha a imagem que quer trabalhar. Aperte f7 para chamar as camadas (layers) e duplique a camada (botão auxiliar do mouse sobre a camada>duplicar camada). Clique em Image>Mode>Lab Color sem dar o Flaten Image para não achatar as camadas. Clique na guia Canais (Channels) e duplique o Lightness. No Lightness copy que você criou vá em Filtro (Filter)e use o Unsharp Mask com os valores 100 de Amount e 0,5 de Radius. Na layer "a" vá em Image>Apply Image e deixe a imagem em modo overlay 50% para ganhar saturação nos azuis e amarelos. Na layer "b" vá em Imagem>Apply Image e deixe a imagem em modo Overlay 50% para ganhar saturação de cores azuis e amarelas. Selecione o canal Lightness copy. Apague o olhinho desta camada e ative todas as outras. Trabalhando com o canal Lightness copy vá em Image>Aply Image e deixe em modo normal, 80% de opacidade. Isso serve para dar mais detalhes e definição ao "esqueleto" da foto. Volte no Image>Aply Image e deixe em modo Screen, 30% de opacidade. Isso serve para deixar a foto mais clara, menos pesada. Volte para as layers e deixe a layer 1 com 80% de opacidade. O resultado final é uma foto mais viva, mais leve, e que reproduz com mais fidelidade oq ue foi visto no momento em que a foto foi tirada.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
AQUARELA EM 3 VERSÕES
Para comerciais da Faber Castell
Em 1983
Em 1995
Conforme os computadores e os softwares foram se popularizando no Brasil foram surgindo novas versões da música. Aqui uma animação que foi feita em Flash e acabou sendo incorporada ao material didático de uma famosa escola particular.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
NATAL AZEDO COM WALTER LIMONADA
O Limonada lançou o seu novo Rap. Pra quem curte, tem curiosidade ou quer dar risada está aqui o novo clipe!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
PICHAÇÃO É ARTE?
Rola por aí um papo de que grafite é arte. E que pixação - ou "pixo" mesmo - é lixo. Puro lixo. Dizem até que o governo deveria fazer um esforço para converter pichadores em grafiteiros. Só não contam que a pichação também é uma manifestação urbana autêntica, que tem um código próprio - geralmente indecifrável para quem está de fora. Tem regras: por exemplo, não pega bem pichar em cima da pichação alheia. O grafite também é respeitado, porque não é porque as linguagens são diferentes que os artistas urbanos vão brigar entre si. Mal comparando com as artes tradicionais, grafite é imagem, pixo é texto. E ambos dividiram as paredes da célebre Fundação Cartier, em Paris, que organizou uma grande mostra de arte urbana. E aí, é ou não?
PROGRAMAÇÃO DOS CINECLUBES DE SÃO BERNARDO DO CAMPO
Rua Jurubatuba, 1415, Centro. Tel: 4330-2888. Sempre às 18h.
* UM PEIXE CHAMADO VANDA - 13/01
* NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA - 20/01
* O HOMEM NU - 27/01
Cineclube Biblioteca Pública Municipal Guimarães Rosa
Avenida João Firmino, 900, Bairro Assunção. Tel: 4351-5422
* A LISTA DE SCHINDLER - 07/01 - 19H
* SHREK - 09/01 - 15H
* O HOMEM QUE VIROU SUCO - 14/01 - 19H
* OS INCRÍVEIS - 15/01 - 15H
* BETE BALANÇO - 21/01 - 19H
* VIDA DE INSETO - 22/01 - 15H
* ALELUIA GRETCHEN - 28/01 - 19H
* TOY STORY, O FILME - 29/01 - 15H
* ANIMAÇÕES PARA CRIANÇAS - 07/01 - 15H
* ANIMAÇÕES PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA - 14/01 - 15H
* HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES - 19/01 - 15H
* BRASA ADORMECIDA - 21/01 - 15H
* SÃO PAULO S/A - 26/01 - 15H
* AMOR & CIA - 28/01 - 15H
Cineclube Biblioteca Pública Municipal Manuel Bandeira
Rua Bauru, 21, Baeta Neves, Tel: 4336-8214
* CARROS - 10/01 - 14H30
* OS INCRÍVEIS - 17/01 - 14H30
* WALL-E - 24/01 - 14H30
* RATATOUILLE - 31/01 - 14H30
DIREITO DE USO DE IMAGENS
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
BECK
APLICATIVO ORIENTA SOBRE OS SINTOMAS DO CORONAVÍRUS
https://coronabr.com.br/