quarta-feira, 13 de junho de 2012

MARY CASSATT

Esta Mulher Costurando foi captada num momento de tranquilidade, enquanto costurava. Não é um retrato, mas um estudo da interrelação entre cor e luz, numa cena ao ar livre, que deve ter sido pintada a partir do natural. A abordagem realista da artista provém de seus estudos na Academia da Pensilvânia, com Thomas Eakins. Mais tarde, na Europa, Cassatt aproximou-se intimimamente de Edgar Degas, que teve grande influência sobre seu estilo. 

Cassatt participou da exposição dos impressionistas de 1874 e, apesar de americana, é classificada como fazendo parte do movimento impressionista francês. 
 Muitos de seus quadros representam mães com seus filhos e são pintados com uma ternura feminina que não se encontra em outras obras do Impressionismo.
Cassat (EUA 1844-FRA 1926) foi muito influenciada por xilogravuras japonesas e destacou-se na execução de gravuras em madeira. Ela é uma das grandes responsáveis pela popularização do Impressionismo nos Estados Unidos. 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

VAMOS SER AMIGOS por Gustavo Ranieri

É impossível saber como o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) reagiria se pudesse acessar o Facebook. Mas é provável que se sentisse espantado ao ver a quantidade de amigos que uma pessoa costuma manter na rede social. Nascido na Grécia e aluno de Platão (428-348 a.C.), a amizade foi um dos assuntos aos quais ele mais se dedicou. Dizia no livro Ética a Nicômano que, para existir uma amizade verdadeira, era necessária "a consciência, a qual só é possível se duas pessoas são agradáveis e gostam das mesmas coisas". Quem também muito falou sobre o assunto foi o romano Marco Túlio Cicero (106-43 a.C.), especialmente na publicação Diálogo sobre a Amizade. Ela só seria possível, segundo ele, se tudo o que a envolve fosse verdadeiro e espontâneo. 
Entendido isso, você então começa a se lembrar daqueles que realmente estão presentes, na hora da cerveja e na hora do desabafo, até que a morte os separe. Mas também se recorda de quem muito lhe parecer ser amigo, mas não o era de fato. Mais uma vez, quando essa análise se torna mais profunda dentro da mente, assumimos esse "pensar filosófico".
"O conceito de amizade não mudou em nada. É um modo de lidar com o outro extremamente raro e difícil. Dizia-se que quem tinha amigo não necessitava de análise, e isso continua sendo verdade", salienta o filósofo espanhol Jesus Vázquez Torres, doutor em filosofia e ciências sociais e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 
Nesse sentido, quando preparamos um jantar para um amigo, um almoço em família ou participamos de uma reunião informal, estamos mais uma vez vivenciando conceitos filosóficos. "Compartilhar um bom prato cria uma atmosfera favorável para a sedimentação de amizades profundas. Amizade é um dom, é puramente gratuita e profunda", diz Torres. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

TUDO É FILOSOFIA por Gustavo Ranieri


São 7h30. Ainda sonolento, você se revira na cama antes de tomar o impulso para se levantar. Depois, toma o café da manhã, escova os dentes e, ainda a caminho do trabalho, começa a se questionar sobre qual será a resposta para a proposta que recebeu da empresa há poucos dias. Se por um lado avalia os benefícios que sua escolha poderá trazer - incluindo mais dinheiro, crescimento e prestígio profissional -, por outro, também sabe que a mesma escolha, poderá angariar inimigos e até prejudicar alguém. 
Qualquer que seja sua profissão, a cena aqui descrita certamente já aconteceu com você, mesmo que em contexto diferente. E a oferta de se posicionar a favor de alguém ou de omitir alguma informação importante em troca de benefícios, por exemplo, pode até ter soado tentadora. Mas o que você talvez não saiba é que, no momento em que decidiu refletir melhor sobre as dúvidas que martelavam o cérebro, você esteve, ainda que de forma simples, "bebendo" no estudo milenar da filosofia e debatendo um assunto que há muito é tratado por ela: a ética. Sim, porque tudo é filosofia e, desde seu surgimento na Grécia, por volta do século 6 a.C, até os dias de hoje, ela está mais presente do que se imagina.
"A gente discute a ética o tempo inteiro. Sempre que abrimos os olhos para um cerne de questões que têm vinculação com pessoas que estão ao nosso lado, estamos pensando ética", enfatiza Guilherme Castelo Branco, líder do Laboratório de Filosofia Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Além disso, ela também tem a ver com nosso trabalho. Como nos comportamos eticamente nessa relação produtiva, uma vez que envolve outras pessoas, interesses e oportunidades que você pode ter e que, muitas vezes, prejudicam outras pessoas?", questiona ele.
Mas não é somente no ambiente de trabalho que tal tema vem à tona. Quando nos revoltamos com alguém que fura a fila, seja no supermercado, seja no cinema, estamos, mesmo que por poucos segundos, questionando a ética. O mesmo acontece quando nos indignamos ao ver alguém ser enganado. 

terça-feira, 5 de junho de 2012

CARAVAGGIO

Logo após a crucificação, São Tomé toca as chagas de Cristo para verificar se são reais. As cabeças de Cristo e dos três apóstolos são o foco da composição. O momento é intenso. Os apóstolos olham para São Tomé que, coma testa profundamente sulcada, mergulha seu dedo no flanco de Cristo. O drama deste chocante detalhe realista é intensificado pelo contraste gritante da luz e das sombras escuras (efeito conhecido como chiaroscuro); o fundo está ausente. 

Caravaggio (Italia 1571-1610) tornou-se famoso por seu grande realismo e sua recusa à idealização, abordagem revolucionária para a época.
Com frequência utilizava tipos camponeses rudes como modelos para seus apóstolos, e diz-se até que pintou uma de suas Virgens a partir de uma prostituta afogada, retirada do rio Tibre.
Apesar de sua reputação pessoal meio duvidosa (tinha atritos frequentes com as autoridades), pode-se dizer que Caravaggio, sozinho, praticamente revolucionou a arte. 
Até hoje sua pintura direta tem o poder de nos surpreender. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O TEMPO E OS TEMPOS NA FOTOGRAFIA - parte 3

A linguagem fotográfica em busca da sua gramática
Todo produto da cultura é um produto datado. Seja ele um texto, um quadro, uma foto ou qualquer outra manifestação artística do espírito humano, no fundo trata-se de uma linguagem que expressa, em si, um tempo. Na fotografia, essa marca do tempo é de dupla natureza. Em parte ela é ditada pelo período histórico em que a fotografia foi produzida; em parte é fruto da interação mental do fotógrafo com sua época. Assim, aspectos de moda ou arquitetura, só para citar dois exemplos, são detalhes registrados pelas fotografias que as transformarão, um dia, em documentos para os historiadores de tempos futuros; já o fotógrafo propriamente dito, a relação é de outra ordem e se dá a partir do seu histórico pessoal. A visão de mundo do fotógrafo é decorrente de tudo aquilo que ele leu, ouviu, viu e sentiu, uma espécie de memória cultural que, de algum modo, se manifesta em suas fotografias.
Quem melhor traduziu essa dualidade da fotografia foi John Szarkowski, um dos mais conceituados curadores do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, responsável pela renomada mostra fotográfica Modos de Olhar. Para Szarkowski, a fotografia é um espaço demarcado pelas margens do fotograma, que se apresenta ao observador ora como janela, ora como espelho. Algumas vezes a foto é uma janela para o mundo visível, ou seja, um registro emoldurado pelo visor daquilo que se descortina diante dos olhos do fotógrafo; outras vezes apresenta-se como espelho, quando a imagem obtida reflete o espírito de quem a fotografou. Atrevo-me, inclusive, a ir além, sugerindo que toda fotografia é, a um só tempo, janela e espelho. A história da fotografia vem reafirmando, através dos fotógrafos que elege como seus mais expressivos representantes, que o domínio da técnica muitas vezes é secundário. O diferencial desses mestres é, não raro, a sua capacidade de produzir uma obra inovadora a partir da afinidade entre o tema escolhido e a sensibilidade do olhar que o registra. 
Ao que tudo indica, a essência do trabalho desses fotógrafos que o tempo acabou transformando em referência para os demais passa pela compreensão de uma questão central que é exclusiva da imagem fotográfica. Isso porque, de todos os meios de expressão, a fotografia é o único que em vez de acrescentar suprime elementos. Um texto é constituído por letras que se agregam em palavras, palavras que viram frases e frases que se transformam em parágrafos; uma pintura geralmente parte da tela em branco e vai, pouco a pouco, sendo preenchida por camadas sucessivas de tinta; uma escultura, um projeto arquitetônico, um filme, um site e até mesmo um papo seguem o mesmo percurso: são constituídos por adição. A fotografia, ao contrário, é subtrativa. Ao enquadrarmos um determinado assunto, a primeira coisa que fazemos é excluir do quadro a visão periférica; depois, no instante do clique, outra subtração: elegemos um fragmento 
de tempo e descartamos o antes e o depois, fixando-nos no instante; e, por fim, quando a luz é aprisionada nos grãos do filme ou nos pixels da imagem digital, o que se descarta é a profundidade de um mundo tridimensional, substituída pela noção de perspectiva embutida no plano da imagem fotográfica. A fotografia introduz, pois, uma imagem lapidada em diversos níveis, uma imagem-síntese. 

OYÁ E OS ESCOLHIDOS

Os sonhos se repetiam cada vez mais vívidos e a menina Luz começava a desconfiar que algo estranho estava acontecendo em sua vida pois a ...