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sexta-feira, 6 de abril de 2012

JUCA E CHICO

Max und Moritz no original (1865), de Wilhelm Busch. Tal como o suíço Töpfer e o francês Colomb, um dos precursores dos quadrinhos.
Os sobrinhos do Capitão, de Dirks, em 1897, são um resultado direto desta criação do poeta, pintor e cartunista alemão nascido em Wiedensahl aos 15 de abril de 1832 e falecido em Mechtshausen em 9 de janeiro de 1908. 
 No Brasil, foi traduzido por Olavo Bilac e editado pela Melhoramentos. Os dois garotos travessos e aprontadores foram criticados imediatamente pelos pedagogos, como viriam a ser criticadas todas as posteriores criações dos quadrinhos que mostravam crianças terríveis. 
Mas as crianças-leitoras consagraram os personagens noir, amarelos, vermelhos, azuis, coloridos do mundo criativo dos comics.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

J. CARLOS

Vou falar hoje de um famoso ilustrador, chargista e designer gráfico brasileiro. Pode parecer estranho falar sobre isso hoje em dia, quando o mercado gráfico é quase que completamente dominado por influências estrangeiras, mas o Brasil já teve um período de florescência nas artes gráficas, já tendo inclusive tido um gibi nacional. Mas isso é outra história. 
José Carlos de Brito Cunha era um carioca nascido em 1884. Além de tudo o que eu já falei ele ainda fez esculturas, teatro de revista e letra de samba. É considerado um dos maiores representantes da Art Déco no design gráfico brasileiro. 
Fez a capa de muitas revistas, incluindo-se essa revista PARA TODOS onde é possível encontrar excelentes ilustrações que revelam todo o talento desse ilustrador. Tinha por referência as figuras típicas do Rio de Janeiro de sua época. 
Também se interessava muito em ilustrar a "melindrosa", a nova mulher moderna brasileira, elegante e urbana que iniciou sua jornada rumo à independência em sua época.
Calcula-se que tenha produzido algo em torno de 100 mil ilustrações. Nos anos 30 foi o primeiro brasileiro a desenhar o Mickey Mouse para a revista Tico Tico. Nem sabia ele que os "ingleses estavam chegando" e que aos poucos isso iria minar a produção nacional para abarcar a produção estrangeira.
Em 1941, seguindo a política de boa vizinhança que procurava espalhar a ideologia norte americana pelo mundo, Walt Disney visitou o Brasil e ficou tão impressionado com a arte de J. Carlos que o convidou para trabalhar em Hollywood.
O artista recusou mas enviou para Disney o desenho de um papagaio que mais tarde serviria de base para a criação do personagem Zé Carioca.
Estava discutindo nova capa do compositor João de Barro, o Braguinha, quando teve uma hemorragia cerebral e morreu dois dias depois em 1950.

Fez histórias em quadrinhos com a personagem chamada negrinha Lamparina que ainda era fortemente influenciada pelo longo período escravista do Brasil. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

LOBO SOLITÁRIO

Um dos maiores épicos da HQ mundial

Segundo o escritor Kazuo Koike,a inspiração para criar Lobo Solitário surgiu quando ele leu que o clã Ogami, que detinha o posto de Kogi Kaishakunin (oficial da morte, executor) do Xogum caiu em desgraça em 1655, com a família Yagyu (tradicional aliada do Xogunato Tokugawa) assumindo para si o posto. Baseado nisso, o autor criou a história dos últimos sobreviventes da família Ogami, pai e filho - vítimas de uma conspiração dos Yagyu, que decidiram tomar para si próprios o posto de executores oficiais - e decididos a se vingar superando os Yagyu naquilo que o clã fazia de melhor: assassinatos! Como principal vilão, uma figura histórica menor, Retsudo Yagyu, um dos membros menos conhecidos da famosa família de samurais (historicamente, um simples monge budista). Para fazer a arte da série, Koike chamou Goseki Kojima, que até então era um autor relativamente novato e desconhecido que já trabalhara com Koike em um bem sucedido mangá de samurai, Kubiriki Asa (Decapitador Asa), e tinha demonstrado talento para este gênero. Assim, em setembro de 1970 a antologia de mangá semanal japonesa Action começou a publicar um novo mangá de samurai chamado Kozue Ookami (numa tradução literal, "o lobo acompanhado de seu filhote") em substituição a Kubikiri Asa. Os dois trabalhos eram, porém, bem diferentes em seu conteúdo. O herói de "Asa", Asaemon, era um fiel servidor do Xogum e irrepreensível seguidor do código de honra samurai (o Bushido), um verdadeiro modelo de "herói clássico" japonês, apesar de sua profissão de carrasco. Enquanto isso, o principal protagonista de Lobo Solitário à primeira vista só poderia ser classificado como um assassino frio e impiedoso, capaz de fazer qualquer coisa (honrada ou não) para conseguir seu objetivo, embora fosse dono de uma nobreza interior claramente visível para aqueles que acompanhassem o desenrolar de suas histórias. Ironicamente, o personagem era antes dos acontecimentos que o levaram a seguir a trilha do assassino, um nobre e fiel executor a serviço do Xogum, tal como seu predecessor nas HQs. 
Mais importante, ao contrário de "Asa" (e da inconsistente tradução de seu título para o português, o "Lobo Solitário" não era solitário, ele tinha um importante co-protagonista: Daigoro, seu filho. Não apenas uma testemunha muda dos crimes de seu pai. Daigoro era cúmplice e ajudante deste. A inspirada inclusão da criança no mangá fez deste um trabalho verdadeiramente revolucionário. A dualidade do personagem, ora uma criança inocente em um mundo violento, ora um assassino calejado (verdadeiro "lobo em pele de cordeiro", por assim dizer), deu a Lobo Solitário uma sofisticação que os trabalho anteriores de seus criadores não poderiam igualar e é uma das principais razões do sucesso da obra tanto no Japão quanto no ocidente. A outra é, sem dúvida, a impecável arte de Kojima. Embora na altura ainda fosse um artista novo (seu primeiro trabalho foi publicado em 1967), ele revela uma surpreendente maturidade artística no mangá. Seu realismo e atenção a detalhes já eram visíveis em suas obras anteriores, mas em Lobo Solitário ele foi, tal qual uma boa espada samurai, forjado até a perfeição. Além disso, ele demonstrou uma narrativa impecável - quase cinematográfica. Vale a pena destacar que, quando de sua primeira publicação nos EUA décadas depois, seus desenhos impressionaram toda uma geração de artistas ocidentais, como Frank Miller que tem pelo menos uma obra nitidamente inspirada no Lobo Solitário chamada Ronin. A sombra que esta obra lançou sobre os trabalhos anteriores de seus criadores é bastante visível quando Asaemon acaba como um coadjuvante de Lobo Solitário. Fica claro nesse ponto que os criadores estavam rompendo com o passado e fazendo de Lobo Solitário sua mais importante criação. E não foi à toa. A obra fez um tremendo sucesso quando de sua publicação original. Gerou até uma série de filmes para o cinema, lançados enquanto o mangá ainda estava sendo publicado. 
No final, a história se estendeu por cerca de 8400 páginas (número deveras impressionante, comparável ao total de páginas do mangá que é considerado o maior sucesso comercial da história dos quadrinhos: Dragonball), contando (diferente de muitos mangás) com um bem-estruturado desenvolvimento até chegar ao clímax e um desfecho irrepreensíveis.
Claramente, a série foi encerrada não por falta de vendas (eterna inimiga das HQs mais sofisticadas) ou por cansaço dos autores (causa da morte da grande maioria dos mangás de sucesso), mas por escolha dos próprios criadores. Mas o que levou Koike e Kojima a matarem sua "galinha dos ovos de ouro"?
O próprio Koike deu a resposta em uma entrevista para uma publicação especializada norte-americana anos atrás. Segundo eles, mostrar a passagem das estações do ano no mangá, acompanhando a passagem destas durante a publicação original da obra, era algo que ele não só gostava de fazer, como achava essencial para o clima da história. Após alguns anos, porém, Koike percebeu que o passar das estações iria necessariamente resultar no envelhecimento de Daigoro. Koike não queria que ele envelhecesse e perdesse sua pureza infantil, característica essencial do personagem, e resolveu deixar de monstrar a passagem das estações. Isso fez com que o escritor gradualmente fosse perdendo o interesse em continuar a série e decidisse por encerrá-la após criar um longo arco onde fechou todas as tramas em aberto. Isso fez de Lobo Solitário uma obra completa, com início, meio e fim, que se tornou um dos grandes épicos da HQ mundial. 

sábado, 19 de novembro de 2011

WILL EISNER

 Detalhista em suas obras, cheio de preciosismo com seus roteiros, Will Eisner, nascido em Nova York em 1917, morreu em 2005 na Flórida e nunca deixou de retratar os aspectos mais humanos e sombrios de sua cidade de nascimento. Sua obra segue até hoje influenciando gerações  de quadrinistas. 
Filho de judeus imigrantes passou sua juventude em Nova York enfrentando uma época difícil para os Estados Unidos: a grande depressão de 1929 que jogou muitos norte americanos no desemprego. Quem está acompanhando as movimentações em Nova York agora em função dos desempregos e da crise global pode ter uma breve ideia de como se encontrava a cidade nesta época. Era comum o relato de empresários pulando de suas janelas ao constatar a bancarrota da empresa. 
Tendo criado todo um universo de personagens autônomos e famosos como Falcão Negro, acabou se tornando mais famoso por seu personagem Spirit, uma espécie de Batman, um pouco mais limitado, menos espalhafatoso (só usa uma máscara) e mais conectado com a realidade. Spirit é um detetive sem superpoderes que protege os habitantes da fictícia Central City. Antes de tudo, Spirit é apenas um humano cheio de falhas que tenta seguir com sua vida da melhor forma possível o que o torna muito mais próximo do que os tradicionais heróis invulneráveis dos quadrinhos norte americanos. 


 A forma de enquadramentos, efeitos de luz e sombra além de uma inovadora forma de construção narrativa bem próxima da linguagem utilizada no cinema foram as contribuições mais marcantes da arte de Eisner.



E como é que as histórias de Will Eisner são encaradas pelos espectadores brasileiros? Vejam só que curiosa essa reportagem veiculada na rede Globo a respeito das obras de Eisner.



Atualmente está havendo uma exposição com as obras de Will Eisner em São Paulo e esta exposição vai até o dia 18 de Dezembro. Se estiver por perto e se interessar pela área de quadrinhos, esta é uma exposição imperdível. Confira o endereço:

"O Espírito Vivo de Will Eisner" 
Onde: Centro Cultural São Paulo (Piso Flávio de Carvalho -  Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso. Junto à estação Vergueiro do Metrô).  
Quando: Em cartaz até 18 de dezembro (terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Mais informações: 0/xx/11 3397-4002
Entrada franca 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

NEIL GAIMAN

Nascido no ano de 1960 em Portchester, na Inglaterra, Neil Gaiman já escreveu muita coisa. A obra mais extensa são os dez volumes que compõem Sandman,

trabalho que ganhou prêmios importantes em países como Áustria, Brasil, Inglaterra, Finlândia, Alemanha, Itália, Noruega, Espanha, Estados Unidos e tantos outros, que nem mesmo ele consegue lembrar. 
   Os romances incluem Neverwhere (que começou como seriado de TV e em breve será um grande filme - até porque ninguém nunca tem a intenção de fazer um "pequeno" filme) e Stardust (que ganhou o Mythopoeic Award como melhor romance fantástico de 1999 e pode ser encontrado em versões com ou sem ilustrações).

Vários de seus contos foram compilados no livro Smoke and Mirrors: Shor Stories and Illusions. Das histórias em quadrinhos mais curtas, a que lhe dá maior orgulho é Mr. Punch. Escreveu mais recentemente uma obra chamada American Gods. 
Neil Gaiman tem exatamente três filhos, aproximadamente sete gatos e também uma casa que quer ser o castelo de Gormenghast quando crescer. 
Em geral, está sempre precisando cortar o cabelo. 

sábado, 8 de outubro de 2011

QUINO

Quino é o famoso cartunista argentino criador da sempre contestadora Mafalda, famosa por suas questões filosóficas a respeito do mundo. Talvez por estimular o pensamento crítico seja fácil de entender porque as televisões abertas brasileiras nunca se interessaram em passar o desenho animado, apesar dos quadrinhos continuarem sendo publicados em jornais e em graphic novels aqui no Brasil. É melhor não despertar nas crianças certas idéias.
Todo o universo de Mafalda é criado com base na observação das interações humanas, na forma como tratamos o mundo e como anda a dinâmica da sociedade. Apesar de ser uma visão de mundo criada na década de 60, muitas das idéias ainda permanecem atuais e muitos dos questionamentos continuam valendo.










quinta-feira, 2 de junho de 2011

LOMBARDINO

História em quadrinhos de humor inédita feita por um novo talento chamado Reldson. Para quem quer se divertir um pouco, visite a nova página LOMBARDINO.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

SALVADOR SANZ





Encontrei este Graphic Novel numa estante do Sesc a achei muito boa a arte deste quadrinista argentino. Pesquisando um pouco foi possível ver que ele andou excursionando também pelo mundo da animação. Em 2005 foi o ganhador do COMICON em San Diego com esse Gorgonas (está em espanhol mas é perfeitamente compreensível).

sexta-feira, 29 de abril de 2011

HISTÓRIA EM QUADRINHOS PARA TABLETS E CELULARES

Para quem gosta de tecnologia e quadrinhos, uma reportagem interessante:


Publicados em dispositivos móveis, os quadrinhos clássicos estão voltando e incorporando recursos multimídias
ÉPOCA 17 abr. 2011



André Sollitto

Conhecer o passado de seus heróis favoritos sempre foi uma tarefa difícil para os fãs de histórias em quadrinhos. Para saber o que personagens famosos como o Batman e o Homem-Aranha faziam nas décadas anteriores, era necessário passar horas procurando revistas raras em sebos e lojas especializadas, acumular uma coleção enorme... e estar disposto a pagar caro por ela. A nova geração de fãs de quadrinhos, aparentemente, não precisará enfrentar esse problema. Com a chegada das HQs aos tablets e celulares, novos programas tornaram as histórias do passado mais acessíveis. E, com a possibilidade de incorporar recursos multimídias aos quadrinhos, podem revolucionar o gênero.

Com os programas, é possível obter grandes sagas clássicas fora de catálogo nas lojas e bancas de jornais. Enquanto as revistas chegam a custar pequenas fortunas em sebos e sites de leilão, suas versões digitais podem ser baixadas por preços acessíveis ou até de graça. E não é preciso se preocupar com manchas, páginas rasgadas e outros problemas comuns às versões em papel. É possível baixar os 12 capítulos de Crise nas infinitas terras, série lançada pela DC em 1985, ou comprar os encadernados da série The walking dead.

As coleções digitais ocupam obviamente menos espaço que suas versões físicas. Em média, as edições avulsas preenchem de 20 a 40 megabytes, e álbuns encadernados que compilam histórias completas chegam a 120 megabytes. Em um iPad de 64 gigabytes, dá para guardar o equivalente a uma garagem inteira de revistas de papel, sem correr o risco de ver as pilhas devoradas por insetos.

Também não é preciso procurar muito para encontrar histórias raras ou mesmo produções de artistas independentes. Em aplicativos como o Comixology, disponível para iPad, iPhone e Android (leia o quadro abaixo), publicações de grandes editoras como a Marvel e da DC dividem espaço com a cultuada Dark Horse e histórias de quadrinistas desconhecidos.

Como a variedade de títulos é enorme, fica difícil escolher o que vale a pena ler. Por isso, as próprias editoras oferecem aperitivos de histórias. Em geral, a primeira edição de uma aventura pode ser baixada gratuitamente. Depois de conhecer o começo, o leitor escolhe se continua a comprar o resto. Também há edições especiais gratuitas, como Umbrella academy 0. Escrita por Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance, e desenhada pelo brasileiro Gabriel Bá, a pequena HQ serve como prólogo para uma série que já tem 12 edições. Foi lançada no Free Comic Book Day, evento em que os fãs de quadrinhos não precisam pagar por seus objetos do desejo.

Os quadrinhos brasileiros já começam a chegar aos dispositivos portáteis. A primeira história lançada foi Sábado dos meus amores, escrita e desenhada por Marcello Quintanilla. A editora Conrad, que lançou o álbum, prepara ainda uma versão digital de Chibata! , escrita por Olinto Gadelha Neto e desenhada por Hemeterio. “O iPad reúne condições para virar o suporte ideal para divulgar autores e ideias”, diz Rogério de Campos, diretor da Conrad.

A maioria das revistas em tablets e celulares é versão digital das histórias de papel. Embora seja possível ampliar as páginas, dar zoom em cenas específicas e ler quadro a quadro, quase como uma animação, poucas edições aproveitam o potencial tecnológico dos tablets.
Uma das mais inovadoras é The first witch. Escrita por Karrie Fransman, que publica tiras no The Times e no The Guardian, ela retrata as aventuras de uma dona de casa que foge de sua rotina e vira bruxa. A diferença está no modo como ela deve ser lida: o desenho completo só aparece se o tablet ou o celular forem movimentados para cima e para baixo, ativando o sensor de movimento. “É um novo modo de ler, como se os dispositivos digitais fossem uma janela para outro mundo”, diz Karrie. Os aplicativos foram feitos por Jonathan Plackett. A dupla prepara novos quadrinhos para tablet. “As funções do iPad, como o sensor de movimento, de posicionamento global, as câmeras, a bússola e o gravador, podem ser usadas para criar histórias impossíveis no papel”, diz Plackett.

Para que todas as HQs aderissem às novidades, porém, seria necessário gastar muito com equipamentos, programas e equipes específicas. A solução seria aproveitar alguns efeitos, sem transformar as histórias em animações. Youssef Mourad, presidente da Digital Pages, empresa especializada em transpor revistas e jornais para aparelhos portáteis digitais, acredita que é possível surpreender sem gastar muito. “Basta investir em uma linguagem mais próxima das inovações digitais do que das limitações do papel, sem transformar a editora em um estúdio hollywoodiano”, diz.

As HQs no tablet vão vingar apenas se conseguirem atrair os fãs tradicionais. “O leitor de gibis precisa ser convencido de que há vantagem em acumular arquivos digitais em seu tablet”, diz Mourad. Não deve ser tão difícil. A venda de gibis em bancas vem caindo desde o início do século – mas os álbuns e os encadernados vêm fazendo sucesso. O tablet é uma oportunidade de lançar álbuns mais baratos (ou gibis com o luxo do álbum). Além de manter a praticidade da revistinha (algo que a onda de HQs na internet pelo computador não consegue fazer), os tablets e celulares têm cores mais vistosas e maior nitidez. Também resistem melhor ao tempo.

“Está havendo uma transição do colecionador de revistas em papel para o colecionador digital – que tem interesse em guardar vários megabytes de histórias para mostrar para os amigos”, diz Mourad. É uma espécie de recomeço da saga dos quadrinhos.

terça-feira, 15 de março de 2011

AS BRUMAS DE AVALON de MARION ZIMMER BRADLEY

Esta é uma sugestão para quem gosta das histórias do rei Artur e da Távola Redonda. É lógico, existem vários livros do gênero. Mas este é particularmente interessante pois narra a história a partir do ponto de vista de Morgana. Como, em uma análise mais detalhada, a lenda de Artur foi forjada quando o cristianismo foi suprimindo o mito pagão que tinha na figura feminina sua representação máxima, acaba sendo também uma história universal. A mais famosa feiticeira da literatura ocidental vem da saga do rei Artur, contada desde a Idade Média em obras como A Morte de Arthur, de Thomas Malory, e Parsifal, de Wolfram von Eschenbach. No livro, na Bretanha governada por Artur, prospera a religião patriarcal dos cristãos. Mas a misteriosa Avalon, onde Morgana, meia-irmã do rei, preside os ritos ancestrais, veneram-se a Deusa Mãe e a crença pré-cristã das feiticeiras e do saber oculto. Sua grande sacerdotisa é chamada Morgana das Fadas. A ilha de Avalon, porém, está se afastando do mundo real, envolta numa bruma que só as iniciadas podem cruzar. Morgana é a imagem da iniciada. Só à sua intuição ela é fiel e responde. Como maga, nos inspira o saber: o saber da natureza, da magia, dos mistérios. Sabedoria, fé e coragem são suas virtudes, e seu desafio é superar a arrogância, como ocorre com todos os que sabem. Muitas foram as adaptações das lendas arturianas para as novas mídias, mas essa também é uma daquelas histórias que aguarda uma adaptação à altura. Os livros de Marion deram origem a um filme em 2001 com Anjelica Huston no papel, mas parece que ainda não foi dessa vez.

Me lembro também de um gibi que saiu por aqui na década de 80/90 chamado CAMELOT 3000. É contado nas lendas de Camelot que Artur na verdade não teria morrido e sim estaria adormecido, esperando pelo momento em que os valores defendidos por CAMELOT se tornem necessários novamente. Este gibi parte do pressuposto que no ano 3000 a presença do rei lendário se faz necessária por obra da perfídia de Morgana (olha ela aí de novo). Além do atormentado e infeliz Artur tentando soprepujar todos os problemas em sua vida, ainda podemos contar com Merlim e todos os outros personagens das lendas arturianas reencarnados. O detalhe que causou furor na época é que Tristão e Isolda (os primos que não podiam se casar) reencarnam ambos... mulheres! É sacanagem ou alguém lá em cima realmente os odeia! Rs. Fica a história inteira com estas duas tensões romanticas: o triângulo Lancelot, Artur e Guinevere de um lado (será que eles vão trair o Artur de novo?) e Tristão e Isolda (será que ficam ou não ficam juntos?). Tristão é um cara tão zicado que no dia que está no altar para se casar com seu belo vestido de noiva Merlim aparece e devolve para ele todas as suas lembranças de sua vida passada. É ou não é perseguição? Pra quem gostou do argumento corra para a gibiteca ou o sebo mais próximo. Se alguém souber se já tem disponível na net dá um toque.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

PALESTRA COM CARTUNISTA CACO GALHARDO EM SBC



O artista abordará duas de suas obras: a versão em quadrinhos do clássico Dom Quixote, de Miguel de Cervantes e Crésh! HQ na qual os imprevistos de um lar são tratados com muito humor. Caco Galhardo é cartunista com tiras publicadas diariamente no jornal Folha de São Paulo e criador de personagens de animação do canal Cartoon Network. Tem quatro livros publicados, com destaque para Dom Quixote em Quadrinhos (classificado como Altamente Recomedável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil em 2005, na categoria Tradução/Adaptação - Jovem) e Crésh! é seu primeiro livro solo dedicado ao público infantil.




Gibiteca Municipal Eugenio Colonnese Centro Livre de Artes Visuais. Rua Tasman, 301, Jardim do Mar. Pra quem tá perdido é dentro da Cidade das Crianças, mas dá pra entrar pela lateral da Pinacoteca. Dia 24 (sexta) 14h30.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

EUGÊNIO COLONNESE

Para quem acha que no Brasil nunca existiu isso de desenhista e roteirista em quadrinhos fazendo sucesso em terras tupiniquins, Eugênio Colonnese surge como uma dessas excessões à regra. Filho de mãe brasileira e pai italiano, ele começou a carreira em 1949 quando morava na Argentina. Mudou para o Brasil em 1964 e fixou-se em São Paulo. Na época o gênero mais popular de quadrinhos no Brasil eram as histórias de terror, por isso o primeiro personagem de sucesso foi Mirza, a mulher vampiro, criada em 1967. No mesmo ano e na mesma revista criou o Morto do Pântano, que mais tarde co-estrelou encontros com Mirza.

Eugênio Colonnese foi um grande precursor de tendências. Sua personagem mais conhecida, Mirza, precedeu sua símile americana Vampirella, outra personagem vampírica que também tinha histórias com um certo enfoque na sensualidade. Muitos leitores de quadrinhos brasileiros da época pensaram no entanto que Mirza fosse um Plágio de Vampirella.

Colonnese veio a falecer dia 7 agosto de 2008, em São Paulo por falência multipla dos órgãos devido à problemas de saúde ocasionado por um AVC que ele teve em junho, decorrente do consumo intenso de cigarros.
Em São Bernardo do Campo a Gibiteca Municial que agora fica no Centro Livre de Artes e Visuais, estará fazendo uma exposição com a arte de Eugênio Colonnese. O bate papo com os quadrinistas Rodolfo Zalla, Osvaldo Talo e Roberto Guedes será no dia 11 de agosto as 19h. Para quem gosta de caricaturas, no dia 13, quinta, as 19h haverá um bate papo com o cartunista Márcio Baraldi e caricaturas ao vivo com o cartunista Elton. O worshop para introdução à linguagem dos quadrinhos irá ocorrer no dia 14 às 14hs com o quadrinista Marcos Vinícius Esequiel da Silva. O endereço é Rua Tasman, 301, Jardim do Mar, na Cidade das Crianças. Grátis.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O LÁPIS E O DESENHO


É lógico para se desenhar basta o lápis e o papel. Mas se você quer ir aos poucos ampliando os seus equipamentos de desenho para ter mais recursos e possibilidades de criação, então dê uma olhada nesta listinha básica.


LÁPIS


Dã!? É claro que precisa do lápis. Mas a verdade é que bem pouca gente se dá ao trabalho de experimentar as diferentes graduações do grafite que vão do 6H (mais duro e claro) até o 6B (mais macio e escuro). Normalmente os mais utilizados são o H para o esboço inicial e o 2B para a definição do traço. Eu acabo sempre usando o 6B na definição do traço por que fica mais facil de escanear e tratar a linha no computador sem ter de ser preocupar muito em passar o nanquim mas aí é um gosto meu. Tem gente ainda que prefere fazer o esboço com lapis de cor azul claro e depois passar o grafite por cima para finalizar. Isso porque é possível, na hora de escanear, mandar ignorar os traços azuis o que facilita muito na hora de tratar.


A grafite do lápis é basicamente uma mistura de grafite e argila. É justamente essa combinação que vai definir se ele é mais ou menos duro. Quanto menor a proporção de argila, mais macia e escura é a tonalidade. Quanto maior a proporção de argila, mais duro e claro ela será. Não se esqueça:



  • Os lápis com final "B" são os mais escuros.


  • Os lápis com final "H" são os mais claros.


  • Utilize lápis "H" para esboço e lápis "B" para definir.

FESTA DE 15 ANOS

 Mande fazer um poster de sua filha e coloque-o à entrada, para  que os amigos o assinem ao chegar. Sirva sanduíches variados: pães de forma...