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domingo, 30 de agosto de 2015

A NOVA HISTÓRIA DO BRASIL

O cenário deve estar quente na sua memória. Nos tempos em que o país era uma colônia de Portugal, só havia por aqui engenhos de cana-de-açúcar, as "plantations", com centenas de escravos. Portugal passou séculos sugando as nossas riquezas. No século 16, o reino português já havia exterminado o pau-brasil, ganhando a madeira dos índios em troca de bugigangas: no século 18 ainda levou embora o ouro de Minas Gerais. Como todas as exportações brasileira eram controladas por Portugal, o país ficou limitado a ser uma colônia agrícola. E aí, lembrou-se dessa imagem? Pode esquecê-la. Essa história está virando, literalmente, coisa do passado. Daqui para a frente, vai conviver com esta aqui: no século 18, a economia brasileira é maior que a de Portugal. O país é repleto de rotas interestaduais de comércio de ferramentas, roupas e alimento, e ainda exporta, fora do controle do rei português, produtos para a Argentina e a costa africana. A descoberta do ouro ergue fortunas que ficam por aqui, tornando o Brasil capaz de ter investimentos para crescer mesmo em épocas de crise internacional. Os homens mais ricos (entre eles, negros e índios) constroem sua fortuna não como latifundiários, mas pelo comércio emprestando dinheiro a juros. A maioria dos brasileiros é formada por homens livres que mantém comércios ou pequenas fazendas. Esse novo passado tem sido descoberto por historiadores nos últimos anos. Dezenas de novos estudos apagam silhuetas tradicionais da história brasileira. E montam uma paisagem nova. Nas próximas páginas, conheça a nova história do Brasil.

UMA HISTÓRIA MAIS TRANQUILA
Grande parte da história que os brasileiros conhecem hoje, aquela que ainda está na maioria dos livros didáticos, foi criada (ou virou consenso) entre 1960 e 1980. Era um tempo mais tenso do que hoje. A Guerra Fria dividia os países, os governantes e os intelectuais entre comunistas e capitalistas. Na América Latina, as ditaduras militares calavam jornalistas e professores, torturavam e matavam dissidentes. Se no governo dominavam os capitalistas, a direita, nas universidades predominavam as ideias e os métodos de Karl Marx, o pai do comunismo científico. Para se opor à ditadura, era estimulante ressaltar histórias de dependência internacional, em que classes sociais lutavam entre si e que tinham as grandes potências como as vilãs. "Era uma leitura do passado que nos preparava para a revolução", diz o historiador Marco Antonio Vila, da Universidade Federal de São Carlos.
Mas o tempo passou. As ditaduras caíram, assim como o Muro de Berlim e a União Soviética. Aos poucos, aos pesquisadores ficaram um pouco mais longe das ideologias e passaram a tirar conclusões sem tanto medo de aderir a um ou outro lado da política. "A geração anterior foi muito marcada pela luta ideológica, exacerbada durante os governos militares. Divergências eram logo transpostas para o campo político-ideológico, com prejuízo para o diálogo e a qualidade dos trabalhos", diz o historiador José Murilo de Carvalho, professor da UFRJ e um dos imortais da Academia Brasileira de Letras. "A nova geração de historiadores formou-se em ambiente menos tenso e polarizado, com maior liberdade de debate e um ambiente intelectual mais produtivo."
A visão clássica do Brasil colonial  nasceu com o intelectual paulista Caio Prado Júnior em 1933. No livro Evolução Política do Brasil, ele afirma que a sociedade brasileira era simples e desigual: "Nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros: mais tarde ouro e diamantes; depois, algodão, e em seguida café, para o mercado europeu.Nada mais que isso". Tudo girava em torno do latifundiário, que deixava só miséria por aqui. A teoria de Caio Prado fez um sucesso tremendo nas décadas seguintes.
Até que, nos anos 90, historiadores descobriram dados que não batiam com a teoria. Registros dos portos do Rio de Janeiro e de Salvador mostravam que, em épocas de crise econômica europeia, quando os preços do açúcar e do algodão desabavam pelo mundo, no Brasil eles mudavam pouco. Mesmo quando as exportações do Rio de Janeiro diminuíram, a compra de farinha e charque do Rio Grande do Sul aumentava.Esses dados sugerem que havia um bom mercado consumidor no Brasil. Além disso, o testamento dos homens mais endinheirados mostrava que a mais endinheirados mostrava que a maioria não fez fortuna exportando cana-de-açúcar, mas fabricando ferramentas ou emprestando dinheiro. Eles compravam fazendas só depois de ricos, para ganhar status de proprietários de terra e eventuais títulos de nobreza.
O maisrecente estudo com essa nova visão virou o livro História do Brasil com Empreendedores, de Jorge Caldeira, lançado em2009. Ele mostra mais um mito do Brasil colonial: a ideia de que só havia por aqui uma enorme massa de escravos e seus senhores. Em 1819, os escravos eram um quarto da população total, de 4,4 milhões de pessoas. E, entre os brasileiros livres,91% deles não tinham escravos. "Com essa população, o Brasil tinha uma economia maior que a de Portugal", diz Jorge Caldeira.
Os mitos do outro lado, os da direita, também estão com os dias contados. No caso da Guerra do Paraguai, glorificada pela caserna, hoje ninguém discute que os soldados negros foram entregues à própria sorte no campo de batalha, sendo os primeiros a morrer. Alguns, inclusive, foram à guerra como "substitutos", no lugar de senhores de escravos que preferiram não arriscar a vida pelo país. Tiradentes, mártir usado como peça de propaganda dos governos desde o início da República, teve sua participação na Inconfidência Mineira bem diminuída.Falando em República, hoje se reconhece que, logo depois que os militares a proclamaram, em 1889, o Brasil regrediu em diversos pontos. A censura à imprensa, por exemplo, foi um dos primeiros atos do proclamador em pessoa, o marechal Deodoro da Fonseca.
A história de qualquer país nasceu no berço do patriotismo. Na tentativa de construir um passado comum entre os habitantes e deixá-los orgulhosos do lugar onde viviam, surgiram relatos de grandes artistas e heróis, tradições milenares, mitos da fundação do país e datas nacionais. No Brasil, esse tipo de leitura da história surgiu principalmente com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), de 1838. O órgão teve uma importância gigantesca para o país.O próprio imperador dom Pedro II participava de suas reuniões, de onde saíram os primeiros grandes relatos da história brasileira, caso do Como se deve descrever a História do Brasil, do naturalista Carl von Martius, de 1840, e a História Geral do Brasil, escrito por Francisco Varnhagen em 1854. Por trás dessas obras, havia sempre uma moral edificante e uma tentativa de valorizar a pátria.
Esse modo de ver a história cria um vício: tudo passa a ser visto de forma parcial. Se alguém do seu país consegue mesmo um grande feito, tende a ganhar uma aura de herói. E ai de quem questionar seus feitos. A aura em torno de Santos Dumont no Brasil é um dos maiores exemplos disso. Aqui ele é o pai da aviação. E ponto final. No resto do mundo, engenheiros e historiadores consideram os irmãos americanos Orville e Wilbur Wright mais importantes para o pioneirismo das máquinas voadoras. E é fato. Não se trata apenas de esforço dos EUA em vender seus heróis. Ao contrário do que muita gente acredita no Brasil, os irmãos americanos voaram na presença de testemunhas antes de Santos Dumont apresentar o 14 Bis ao mundo. No dia 5 de outubro de 1905, fizeram um único voo de 39 minutos, percorrendo 38,9 quilômetros. Já o 14 Bis, em novembro de 1906, voou 220 metros de distância a uma altura máxima de 6 metros. E foi abandonado 5 meses depois, quando sofreu uma queda da lateral e teve uma das asas despedaçadas. Se as últimas linhas despertaram em você alguma emoção mais quente, tenha calma. Ao contrário da história do século 19, a atual não se preocupa em criar ícones de heroísmo nacional e descrever grandes feitos. Na verdade, uma parta dos intelectuais de hoje se dedica a investigar como grandes lendas da história ganharam forma - e esse trabalho tende a destruir mitos consagrados.
Um exemplo lapidar dessa tendência é o livro Aleijadinho e o Aeroplano , publicado pela historiadora Guiomar de Grammont, da Universidade Federal de Ouro Preto, em 2008. A obra mostra como a imagem do escultor mineiro Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, não veio de documentos históricos, mas da cabeça de um escritor.
A primeira biografia de Aleijadinho foi escrita pelo jurista e deputado mineiro Rodrigo Ferreira Bretas em 1858. Mesmo sem fontes e documentos para provar o que dizia, Bretas descreveu seu personagem com detalhes horripilantes. A partir dos 47 anos, o escultor teria sofrido de uma doença desconhecida, que o fizera perder os dedos, os dentes e curvar o corpo. Para poupar os passantes de topar com sua feiúra, o homem entocava-se em igrejas, separado do mundo com cortinas improvisadas. Para a historiadora, o mais provável é que a fonte de inspiração da biografia de Bretas sejam personagens literários populares no século 19, como Quasímodo, o corcunda de Notre Dame do livro do escritor francês Victor Hugo. Os dois são impressionantemente parecidos. Como Aleijadinho, Quasímodo era um belo-horrível: apesar de ter uma aparência desfigurada, era capaz de boas ações. A descrição de Victor Hugo caberia muito bem a Aleijadinho: "A careta era o próprio rosto, ou melhor, a pessoa toda era uma horrível careta: entre os dois ombros, uma corcunda enorme da qual o contra golpe se fazia sentir na parte frontal de seu corpo; um sistema de coxas e de pernas tão estranhamente tortas que se tocavam apenas por meio dos joelhos". O personagem de Bretas era tão fascinante que pegou. O biógrafo ganhou prêmios de dom Pedro II e virou sócio-correspondentes do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
No começo do século 20, os modernistas viram em Aleijadinho a expressão da cultura mestiça brasileira, já que o escultor era filho de um português com uma escrava. O problema é que isso é uma das poucas coisas que se sabe mesmo sobre Antônio Francisco Lisboa. Não só a biografia escrita sem base em documentos e décadas depois de sua morte não ajuda como também há outro empecilho: não dá para saber quais obras realmente são dele. Não havia o costume de assinar esculturas naquela época. Mas a lenda em torno de seu nome ficou tão forte que Aleijadinho virou uma grife. E o número de obras atribuídas a ele explodiu. Na década de 1960, eram 160 esculturas; hoje são mais de 400. Pesquisadores consideram isso um exagero. Mas, ao que parece, a verdade não importa tanto. A aura vale mais. Só que a nova historiografia pode acabar com isso.
Por 3 séculos, os homens mais poderosos na vila que deu origem a Niterói, no Rio de Janeiro, eram os Souzas. Em 1644, Portugal concedeu a um rapaz chamado Brás de Souza o cargo de capitão-mor daquela aldeia. A justificativa era que se tratava de um "descendente dos Souzas, que sempre exercitaram o dito cargo". O reino deu um argumento parecido 150 anos depois, quando outro Souza, Manoel, ganhou o cargo de capitão-mor. Segundo o órgão do reino português, o homem devia receber o posto porque tinha uma "ascendência nobre". O curioso é que aqueles senhores bem-nascidos não eram descendentes de nenhum português com sangue azul. O primeiro Souza daquela região se chamava Arariboia. Era o líder da tribo dos temiminós que, no século 16, se aliaram aos portugueses para expulsar os franceses e os índios tupinambás do Rio de Janeiro. Depois da vitória, os índios ganharam um nome português e se instalaram por ali. Menos de 100 anos depois, seus descendentes já não se viam como índios, eram os Souzas.
Até pouco tempo atrás, a história admitia só dois personagens indígenas: ou a vítima passiva ou o selvagem rebelde. Mas uma nova figura surgiu: o índio colonial, aquele que se mudou para as cidades e adotou um nome português. Isso aconteceu com os descendentes de Arariboia e com índios de todo o Brasil. Em Minas Gerais, despachos do governador mineiro mostram que muitos índios coropós, gavelhos e croás, que até pouco tempo eram considerados extintos , se mudaram para as cidades para tentar lucrar com a corrida do ouro do século 18. Em São Paulo, censos de 1798 a 1803 mostram centenas de índios com endereço, nome português e profissão - havia agricultores, carpinteiros, músicos...
Outra paisagem que está mudando é a que retrata os bandeirantes, os sertanistas que exploravam o interior do Brasil em busca de ouro e índios que levavam a São Paulo como escravos. Nos quadros clássicos, eles aparecem fortes, bem vestidos, submetendo os nativos à sua vontade. Imagens assim surgiram no século 19, 2 ou 3 séculos depois de os bandeirantes explorarem as florestas brasileiras. Escritores paulistas, na tentativa de criar um passado heróico para São Paulo, reverenciaram os bandeirantes e os descreveram à sua imagem e semelhança, sem influência indígena. "Era uma paisagem imaginada, já que não existem imagens deles anteriores a 1810", diz o escritor Jorge Caldeira. Hoje, acredita-se que a diferença entre índios e bandeirantes fosse bem menor.
Se os bandeirantes tinham alguma roupa, ela se desfazia depois de poucos meses no meio do mato. Por isso, andavam provavelmente nus e descalços. Filhos de portugueses com mulheres nativas, eram mestiços. Muitos cresceram nas aldeias vivendo com tios, primos e irmãos índios. A maioria tinha várias mulheres, dando de ombros à vigilância dos jesuítas, que proibiam a poligamia. "Para a cultura tupi-guarani, um aliado tinha que ser parte da família. Era uma exigência dos líderes indígenas que os europeus tivessem mulheres índias. Isso favoreceu o surgimento de uma população profundamente miscigenada", afirma Caldeira. Um bom exemplo de bandeirante-índio é Domingos Jorge Velho, que destruiu o Quilombo de Palmares em 1695. Filho de uma índia e de um português, ele cresceu entre aldeias. Ao chegar a Pernambuco para lutar contra Zumbi, teve problemas para se comunicar com as autoridades pernambucanas: ele não falava português, só tupi guarani.

Mito 1 - A Sociedade Brasileira se dividia entre senhores e escravos
Fato - Havia mais pessoas livres do que se imagina. No século 18, 40% da população era de escravos. No começo de 19, 25%. E alguns senhores trabalhavam com os negros, já que tinham poucos escravos. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

BACANAL

As bacanais eram festas realizadas em honra ao deus romano Baco, chamado de Dionísio pelos gregos. Era o deus do vinho e dos prazeres. As festas eram, muitas vezes, orgias. As bacantes, consideradas sacerdotisas do deus, dançavam desenfreadamente vestidas com peles de leão. Por isso, a palavra bacanal permaneceu como sinônimo de reuniões em que há orgia, sexo e danças.
No início, apenas mulheres eram admitidas na festividade, mas com o tempo deu-se permissão para homens participarem também. Em 186 a.C., um decreto do Senado romano proibiu as bacanais em Roma. Mas não foi respeitado. Resquícios da comemoração chegaram até o Brasil.  Ainda no século XIX, em Pernambuco, durante a Páscoa, realizava-se uma festa dedicada a Baco, com banquetes, procissão e cânticos. Em 1869 a Igreja conseguiu a proibição do festejo, argumentando que era inadmissível em um país católico.

domingo, 2 de setembro de 2012

GATO PRETO

Gato preto dá azar? Essa é uma superstição que surgiu durante a Idade Média, período em que a Igreja Católica exercia forte influência na sociedade e tinha até criado um tribunal - a Inquisição - com a finalidade de perseguir e julgar hereges e bruxas. Naquela época, muitas pessoas acreditavam que os gatos, em função de seus hábitos noturnos, tinham parte com o demônio ou eram um disfarce usado por bruxas. Se ele fosse preto, pior ainda, pois essa cor era relacionada às trevas e ao mal. A neurose envolvendo os bichanos chegou a tal ponto que, no século 15, o papa Inocêncio VIII incluiu o felino na lista de perseguidos pela Inquisição. O tempo passou e a má fama dos gatos não se apagou. Atualmente, os mais supersticiosos sentem arrepios quando vêem um gato preto, principalmente se ele cruza o caminho deles, sinal de má sorte. O curioso é que em algumas culturas os gatos não têm fama de azarentos. Os antigos egípcios, por exemplo, consideravam os felinos amuletos de sorte e os reverenciavam como divindades. Hoje em dia, em alguns países, como no Japão e na Inglaterra, o gato preto é sinônimo de boa sorte. As interpretações relacionadas a esses bichanos são tão variadas que já renderam até um livro: Black Cats and Other Superstitions ("Gatos Pretos e Outras Superstições", inédito em português), de Shirley Blumenthal. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

SÍMBOLOS NOS SONHOS

Em muitas partes do mundo, o simbolismo dos sonhos é tratado com seriedade. Sábios interpretam imagens oníricas, que com frequência se julga terem sido enviadas pelos deuses, e as pessoas agem de acordo com essa "leitura". No Ocidente, no entanto, os sonhos são encarados em geral como algo desimportante, e as mensagens do inconsciente permanecem ignoradas pela maioria das pessoas. 
 O psiquiatra Sigmund Freud estudou o simbolismo dos sonhos e descobriu que grande parte deles se relaciona com a realização de desejos. Ele acreditava que refletem nossas vontades mais íntimas, geralmente enraizadas na infância, e entreviu aspectos sexuais ou eróticos em muitos deles. Seu discípulo Carl Jung julgava que seu simbolismo era mais profundo que a simples sexualidade, e incluía uma dimensão espiritual.
 Jung se admirava com o modo como pessoas e objetos comuns aparecem num contexto estranho e muitas vezes angustiante nos sonhos, e procurou entender o porquê disso. Segundo ele, muitas imagens oníricas são produtos diretos do inconsciente individual, que constitui uma amálgama pessoal de memórias e emoções profundamente soterradas em nós. 
 Uma escova de cabelo, por exemplo, pode evocar para uma pessoa o modo como era penteada, em criança, pela mãe, simbolizando a imagem do cuidado materno; outra pessoa, no entanto, pode ter sido atingida na cabeça por uma escova de cabelo, na infância, o que dará origem a associações bem diferentes. 
No quadro O Dorminhoco Inquieto, de René Magritte, uma pessoa sonha com vários objetos comuns e aparentemente sem relação entre si, de algum modo associados significativamente no inconsciente. 



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

SINÉAD O'CONNOR

Que tal começar essa segunda-feira falando de música?

Bem, pra quem não conhece essa é Sinéad O'Connor, acho meio impossível ninguém em algum momento da vida não ter ouvido falar nela, pois ela gerou muita polêmica - polêmica mesmo, ok? Nada do que dizem estar fazendo Lady Gaga.

Uma das mais controversas cantoras pop da década de 90, Sinéad O’Connor aos poucos se tornou um dos nomes mais influentes entre as vocalistas que surgiram depois dela. Seu visual raivoso, com a cabeça totalmente raspada, sempre aparentando mau-humor e vestimentas desestruturadas, fizeram de Sinéad um ícone feminista ao mostrá-la de forma oposta ao que estávamos acostumados em relação à feminilidade e sexualidade. A cantora conseguiu, com isso, mudar a imagem da mulher no rock, deixando de lado estereótipos e provando que não é necessário ser um objeto sexual para ser levada a sério.

Nascida em Dublin (Irlanda), Sinéad teve uma infância difícil, com seus pais se divorciando quando tinha apenas 8 anos. Aos 19 perdeu a mãe, a quem acusava de abusos, em um acidente automobilístico. Antes disso, foi expulsa de uma escola católica, presa por roubos em lojas e internada em um reformatório (as famosas "Lavanderias de Magdalene"). Apesar dos problemas, a sorte parecia sorrir e, quando tinha 15 anos, foi descoberta por Paul Byrne, baterista de uma banda irlandesa, enquanto cantava em um casamento.

Em 1985 assinou contrato com a Ensign Records e mudou-se para Londres, onde gravou o álbum "The Lion and The Cobra", um dos discos mais festejados pela crítica musical em 1987.


Em 1990, Sinéad lançou o disco “I Do Not Want What I Haven´t Got”, álbum da música “Nothing Compares 2 U”, onde ficou mundialmente conhecida:


"Black Boys On Mopeds", do mesmo disco, narra um fato real. Um garoto negro pilotava uma moto de noite em Londres e foi perseguido pela polícia, sob suspeita de ter roubado a moto. Sabendo muito bem o tratamento que a polícia dava aos negros, ele fugiu. Na fuga, acidentou-se e morreu. O caso resultou numa questão judicial que só foi encerrada no dia 3 de janeiro deste ano, com a punição dos policiais envolvidos.


Em 1992, após lançar "Am I Not Your Girl" a cantora finalmente aceita o convite para se apresentar no Saturday Night Live, um dos programas mais assistidos dos EUA. No final da apresentação, Sinéad rasga uma foto do Papa João Paulo II, em protesto aos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica. O programa era transmitido ao vivo e os produtores nada puderam fazer. A partir do dia seguinte, uma onda de reclamações e acusações contra a cantora se espalhou mundialmente. Confira o vídeo abaixo:


Em 1994, Sinéad volta à música pop com o disco “Universal Mother”, no mesmo ano divulga que não falará mais com a imprensa por tempo indeterminado. Deste álbum, confira a interpretação de "John I Love You", música feita para seu irmão caçula. Este vídeo foi gravado em um show histórico realizado na cidade de Dublin em 2002, marcando o reencontro da cantora com seu público depois de quase uma década sem se apresentar em sua cidade natal.


Tendo lançado uma compilação três anos depois, Sinéad só volta em 2000 com um álbum cheio, o disco “Faith and Courage”.


Abaixo o clipe de "When You Love", música que Sinéad fez para a trilha sonora do filme "Rugrats In Paris" no mesmo ano:


Citei aqui apenas os álbuns mais importantes de Sinéad. Agora, em fevereiro de 2012, será lançado o 13º álbum da cantora, "How About I Be Me (And You Be You)?". Este álbum estava previsto para maio de 2011 com o título "Home", mas na última hora a cantora alterou seu projeto. Confira sua nova música ;-)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

10 anos sem Cássia Eller



Em 29 de dezembro de 2001, ouvia-se o anúncio de morte da cantora Cássia Eller, vítima de um infarto do miocárdio após quatro paradas cardíacas. Há exatos 10 anos, interrompia-se a trajetória de uma das mais singulares intérpretes da música brasileira. A roqueira estava no auge de sua carreira após um ano de intensa produtividade.

Cássia era dotada de uma timidez desconcertante, quando conversava, e ao mesmo tempo, de uma rebeldia juvenil, quando subia aos palcos. Sua presença de palco era intensa e sua capacidade de se apropriar das músicas que cantava era indiscutível. Cássia compôs apenas três das muitas canções que interpretou. A artista cantava blues, rock, MPB e samba com a mesma maestria; sem criar diferenças ou barreiras entre um gênero musical e outro. Na verdade, em sua voz, tudo era simplesmente boa música.


Chamou a atenção da crítica e do público, em 1990, quando regravou a canção “Por Enquanto”, da banda Legião Urbana:



Durante sua carreira, presenteou os brasileiros com interpretações marcantes de artistas de vários gêneros e épocas, como Cazuza e Barão Vermelho, Caetano Veloso, Chico Buarque, Jimi Hendrix, Rita Lee, Beatles e até Nirvana.

O Brasil perdeu Cássia em um momento de grande visibilidade e intensa produção de sua carreira. Gravou nove álbuns, entre discos de estúdio e apresentações ao vivo. Naquele ano de 2001: tocou no Rock in Rio III em janeiro e gravou o especial “Acústico MTV”, que culminou em uma turnê de 95 shows em apenas sete meses. O CD “Acústico MTV” já superou a marca de um milhão de cópias vendidas.

Cássia nasceu pra fazer diferença, pra mudar um monte de coisas e, se não mudou tanto assim, é porque o mundo dá um passo pra frente e dez pra trás. Mas o passo que ela fez o mundo dar, nos fez vislumbrar muitas coisas fundamentais. Mas quem não quiser ficar pensando nessas coisas meio filosóficas, simplesmente ponha a voz-trovão pra tocar, e no melhor estilo Cássia Eller, apenas exista e sinta essa emoção inexplicável.


domingo, 13 de novembro de 2011

LEMINSKI



Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski Filho sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares.
Vanguardista, com uma obra frequentemente associada ao movimento de contracultura, Leminski transitava por (e se inspirava em) diversas manifestações artísticas tendo feito letras de música e trabalhos inspirados em fotografias, por exemplo. Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas - como Corpo Estranho, Muda Código (editadas por Régis Bonvicino) e Raposa. Em 1975 - e lançou o seu ousado Catatau, que denominou "prosa experimental", em edição particular. Além de poeta e prosista, Leminski era também tradutor (traduziu para o castelhano e o inglês alguns trechos de sua obra Catatau, a qual foi traduzida na íntegra para o castelhano).

Na poesia de Paulo Leminski, por exemplo, a influência da MPB é tão clara que o poeta paranaense só poderia mesmo tê-la reconhecido escrevendo belas letras de música, como Verdura, gravada em 1981 por Caetano VelosoMúsico e letrista, Leminski fez parcerias com Caetano Veloso e o grupo A Cor do Som entre 1970 e 1989. Teve influência da poesia de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, convivência com Régis Bonvicino, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes MoreiraItamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo JardimRegina Silveira, Helena Kolody, Turiba, Ivo Rodrigues. A música estava ligada às obras de Paulo Leminski, uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada. Morreu em 7 de junho de 1989, em consequência do agravamento de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos. 

Bora mergulhar na sua arte? ;-)


Mosaico de Paulo Leminski por Cida Carvalho


Música de Paulo Leminski e Itamar Assumpção


SITES SOBRE
Um blog bacana totalmente voltado para a obra do poeta curitibano: http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/
Blog da Fundação Paulo Leminski: http://fundacaopauloleminski.blogspot.com
Leminski no Jornal de Poesia: http://www.revista.agulha.nom.br/pl.html
+ Leminski, agora num site especializado em literatura e arte:  http://www.tanto.com.br/Leminski.htm

terça-feira, 24 de maio de 2011

DESABAFO

Olha, esse vídeo provavelmente não tem muito a ver com a proposta deste blog e por isso peço um pouco de tolerância. No entanto, sendo também uma educadora, não posso deixar de postá-lo. Então, fique a vontade para simplesmente ignorá-la.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

LILITH

Diz um texto hebraico "Porque antes de Eva foi Lilith". Sua lenda inspirou ao poeta inglês Dante Gabriel Rosseti (1828-82) a compor o poema Eden Bower. Veja um trecho traduzido do poema:
Foi Lilith, a esposa de Adão:
(Pavilhão do Éden em flor).
Nem uma gota de seu sangue era humano,
Mas ela foi feita como uma mulher doce e suave.
Lilith ficou na saia do Éden;
(Ó Pavilhão das horas!)
Ela foi a primeira que dali foi conduzida;
Com ela estava o inferno e com Eva estava o céu.
Na orelha da serpente Lilith disse:
(Pavilhão do Éden em flor).
"Para ti eu venho quando o resto é mais;
A cobra era eu quando foste meu amante.
"Eu era a mais bela serpente do Éden:
(Ó Pavilhão das horas!)
Por vontade da terra, outra forma e função
Fez-me uma mulher para a nova criatura na terra.

Lilith era uma serpente; foi a primeira esposa de Adão e lhe deu filhos resplandecentes e filhas esplendorosas segundo os escritos. Depois, Deus criou Eva; Lilith, para vingar-se da mulher humana de Adão, convenceu-a a provar do fruto proibido e a conceber Caim, irmão e assassino de Abel. Essa é a forma primitiva do mito, seguida por Rossetti. No decorrer da Idade Média, sob a influência da palavra layil, que no hebraico quer dizer "noite", ele foi se transformando. Lilith deixou de ser uma serprente para ser um espírito noturno. Às vezes é um anjo que governa a geração dos homens; outras, demônios que assaltam os que dormem sozinhos ou os que andam pelas estradas. Na imaginação popular costuma assumir a forma de uma silenciosa mulher alta, de negros cabelos soltos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O DUPLO

Sugerido ou estimulado pelos espelhos, pelas águas e pelos irmãos gêmeos, o conceito de duplo é comum a muitas nações. É verossímil supor que sentenças como "Um amigo é um outro eu", de Pitágoras, ou o "Conhece-te a ti mesmo" platônico se inspiraram nele. Na Alemanha chamaram-no Doppelganger; na Escócia, fetch, porque vem buscar (fetch) os homens para levá-los para a morte. Encontrar-se consigo mesmo é, por conseguinte, funesto; a trágica balada Ticonderoga, de Robert Louis Stevenson, fala de uma lenda sobre esse tema. Rercordemos também o estranho quadro How They Met Themselves, de Rossetti; dois amantes se encontram consigo mesmos no crepúsculo de um bosque. Seria o caso de citar exemplos análogos de Hawthorne, Dostoiévski e Alfred de Musset.
Para os judeus, contudo, o aparecimento do duplo não era presságio de morte próxima. Era a certeza de ter alcançado o estado profético. Assim explica Gershom Scholem. Uma tradição recolhida pelo Talmude narra o caso de um homem em busca de Deus que se encontrou consigo mesmo.
No relato "Willian Wilson", de Poe, o duplo é a consciência do herói. Este o mata e morre. Na poesia de Yeats, o duplo é nosso anverso, nosso contrário, aquele que nos complementa, aquele que nao somos nem seremos.
Plutarco escreve que os gregos deram o nome de "outro eu" ao representante de um rei. O duplo é uma idéia muito recorrente em toda cultura européia e existem muitas releituras de seu mito na contemporâneidade. Assim é rica a produção na poesia e na literatura.

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo,
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe porque o escreveu.

Fernando Pessoa

Todas as máscaras da vida
se debruçam para o meu rosto,
na alta noite desprotegida
em que experimento o meu gosto.

Cecília Meireles

Há noites em que, apenas iluminada pelo luar, olho fixamente o meu rosto no espelho. Surge-me então um espectro, de faces chupadas e olhos desmesuradamente grandes onde se lêem mágoas, angústias, desesperos, raivas e medos acumulados durante trinta e seis anos. Estendo-lhe a mão e…

O retrato de Dorian Gray

E no cinema o maravilhoso A DUPLA VIDA DE VERONICA de Krzysztof Kieslowski

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Last.fm

No meu último post aqui, falei sobre literatura e cinema na Internet, né?
Esqueci de mencionar o que faltava, que é o que eu mais gosto: o Last.fm.
Last.fm é um site com função de rádio online agregando uma comunidade virtual com foco em música. Em tal comunidade, são trocadas informações e recomendações sobre o tema. Last.fm constrói um perfil detalhado do gosto musical de cada usuário, reunindo e exibindo suas músicas e artistas favoritos numa página feita com as informações coletadas e gravadas por plugin, (ou como chamam, um scrobbler) do próprio site instalado no aplicativo de execução de música. (Windows Media Player, Winamp, etc)
Um scrobble é uma pequena mensagem que o scrobbler envia para a Last.fm os informar sobre a música que você está ouvindo.
O scrobbling registra as músicas você ouve com mais frequência, de quais músicas você gosta mais, quantas vezes você ouviu um artista em um período específico de tempo, quais de seus amigos tem gostos musicais parecidos, além de você encontrar seus "vizinhos" musicais e poder bater um papo com eles. E uma coisa bacana também é que ele recomenda artistas parecidos com aqueles que você ouve, a fim de ajudá-lo a descobrir outras músicas... Eu gosto muito de conhecer coisas novas, então pra mim essa é a melhor parte. Se quiserem dar uma olhada melhor, deixo o meu aqui como exemplo: http://www.lastfm.com.br/user/Faaabiii

Espero que gostem.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

MUTAÇÕES A INVENÇÃO DAS CRENÇAS

O Sesc da Vila Mariana está com uma proposta muito legal para quem se interessa em como foi construída a nossa visão cultural que tanto influencia a nossa arte. É tudo de graça. O problema é a lonjura: ainda acaba se gastando no transporte. Mas mesmo assim, pra quem puder ir, é bem interessante. Fica na rua Pelotas, 141. Inscrições devem ser feitas pelo porta SESC SP http://www.sescsp.org.br/ ou em qualquer unidade do SESC SP. Informações no E-mail mutacoes@vilamariana.sescsp.org.br e o telefone de contato 5080-3008 de terça a sábado das 10h às 19h. As conferências sempre começam as 19h30.
Veja a programação
13/08 - FÉ E SABER com OSWALDO GIACOIA JUNIOR
A partir da atualidade do problema da invenção das crenças se reportar, como questão filosófica, à oposição entre fé e saber - que encontra uma versão bastante provocativa na filosofia de Friedrich Nietzche - , a conferência buscará explorar muitas das reflexões nietzchianas sobre as relações entre ciência e fé a partir das coordenadas da epistemologia, da moral, da política, da religião e da estética.
18/08 - CIÊNCIA E RELIGIÃO: CRENÇA CONTRA A CRENÇA? com SERGIO PAULO ROUANET
A conferência terá por ponto de partida a distinção tipicamente iluminista entre a crença baseada no testemunho e a baseada no objeto. Como exemplo da primeira, pode-se citar a "autoridade" do testemunho dos apóstolos de que Cristo ressuscitou no terceiro dia. A crença baseada no objeto é que aquela que irá dizer ser a neve branca, ou que "dois mais dois é igual a quatro". O primeiro tipo de crença é o que chamamos de "fé", e só elas podem ser cognominadas de "crenças", no sentido próprio. O segundo tipo pertence ao domínio da ciência. Por último, será discutida a coexistência de um fanatismo religioso que utiliza as armas da ciência e a técnica (terrorismo islâmico) e de uma ciência que prega o ateísmo como se fosse uma guerra santa (Richard Dawkins), bem como a tentativa de "mediação" entre as duas proposições empreendida por Habermas.
19/08 - ARMADILHAS DA HISTÓRIA UNIVERSAL com MARCELO JASMIN
A crença de que a humanidade está submetida a uma história universal parece ter perdido sua naturalidade no mundo contemporâneo. As dramáticas experiências vividas desde a Segunda Guerra Mundial obrigaram à busca de formas alternativas para a orientação do agir que não as inscritas nas filosofias da história. Dado que muitas comunidades sobreviveram e sobrevivem sem a história, tem-se claro que ela não é uma necessidade natural da humanidade e sim uma invenção civilizatória, em nosso caso grega. Assim, a indagação básica que se faz é se poderíamos prescindir de uma crença na força da história.
20/08 - EVIDÊNCIA, EXPERIÊNCIA E CRIAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO com RENATO LESSA
Discursos a respeito da verdade podem se exprimir por meio de três modos fundamentais: o modo da prova, o modo da demonstração e o modo da persuasão, todos a exigirem a presença de modalidades de crença específicas a cada um deles. Será ainda explorado outro modo de fixação da verdade, qual seja a presença da "evidência" como atributo essencial, bem como a natureza das crenças envolvidas nesse ato de crer em uma evidência.

FESTA DE 15 ANOS

 Mande fazer um poster de sua filha e coloque-o à entrada, para  que os amigos o assinem ao chegar. Sirva sanduíches variados: pães de forma...