terça-feira, 29 de maio de 2012

EDWARD BURRA

O artista captou o espírito das figuras humanas dramáticas e deprimidas nesta paisagem desolada da Cornualha, tendo ao fundo as instalações arruinadas da mina de estanho. Sabe-se que o homem de casaco listrado (retratado duas vezes) foi visto por Burra (Inglaterra 1905-1976) num pub, e que as duas figuras tatuadas são cópias diretas de um livro. A cabeça estranha e fantasmagórica apenas esboçada no canto superior esquerdo talvez reflita o interesse de Burra pelo Surrealismo. Embora tivesse conhecido vários surrealistas quando morava na França, nunca chegou a se aliar de fato a eles ou a qualquer outro movimento. 
Na década de 1930, o trabalho de Burra tornou-se satírico, lembrando o de George Grosz. Mais no final de sua vida, sua obra foi adquirindo cada vez mais um estilo peculiar. 
Suas obras mais famosas são, na maioria, aquarelas de mulheres, ou de pessoas se divertindo. Tinham o estilo forte e levemente exagerado de Burra, características que pouco mudavam ao longo de sua vida. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CAVALEIROS DO ZODIACO


CAVALEIROS DO ZODÍACO
Sucesso no Japão de 1987 a 1989 quando foram exibidos na TV. Seu autor é Masami Kurumada. No Japão, máscaras com expressões aterrorizantes também faziam parte das armaduras para meter medo nos oponentes. Na europa, cobriam o corpo inteiro com metal e eram cheias de encaixes complicados que tornavam possível o movimento, meio lento. Foram essas que serviram de reverencia para a série Cavaleiros do Zodíaco. Esta série foi febre no Brasil na década de 90 apesar de algumas falhas já reconhecidas pelo autor no roteiro. Ainda hoje possui muito adeptos. Você pode baixar todos os episódios dessa série no site http://www.hinata.xpg.com.br se a SOPA ainda não tiver fechado todos os servidores. Rs. 

SIGNIFICADO DOS NOMES
SAORI - Areia, Tecer. Saori é um nome comum porém, o segundo ideograma junto aos ideogramas "mulher" e "estrela" são o nome da estrala Vega ou estrela da tecelã. Tecelã vem da lenda japonesa de Tanabata, que deu origem ao festival realizado também no Brasil no mês de julho.

SHIRYU - Dragão Roxo.

IKKI - Um bulho.

SHUN - Piscar de olhos.

HYOGA - Gelo - Grande Rio (geleira).

SEYA - Cavaleiro da flecha estelar ou cavaleiro Seiya.

Abertura da extinta TV Manchete

sábado, 26 de maio de 2012

CULINÁRIA JAPONESA NO BRASIL

A chegada ao Brasil da imigração japonesa tem data e local precisos. Foi a bordo do vapor Kasato-Maru que, no dia 18 de junho de 1908, aportou em Santos a primeira leva organizada de trabalhadores vindos do Japão. 
Com uma cultura rica e bem particular (incluindo uma maneira toda própria de tratar os alimentos), eles saíram de seu pequeno país em busca de trabalho na imensidão das terras brasileiras. Sua chegada ao Brasil significou, para eles, a descoberta de um enigmático mundo novo. O mesmo aconteceu com os brasileiros que os recebiam: para estes, abria-se uma era de contato com uma civilização que, em quase um século de presença, mostraria ter muito a ensinar.
São Paulo é o exemplo mais eloquente do peso desta cultura que chegou e ficou, cativando os brasileiros por sua riqueza e tradição - e também pelo estômago. A prova disso é a existência de um importante bairro japonês na cidade, a Liberdade, onde o comércio de artigos de todo tipo, inclusive alimentícios, é intensamente frequentado pelos paulistanos. 
Os produtos ligados à mesa vão desde as lascas de peixe seco, tão importantes no caldo básico das sopas, até apetrechos para moldar rapidamente os bolinhos de arroz dos sushis. Eles são procurados e escolhidos criteriosamente pelos japoneses, por senhoras de gestos rápidos, ocupadas em prover seus descendentes com a mesma comida que as nutriu na infância, e que traz no paladar e nos aromas a saudade de sua terra.
Mas não são apenas japoneses e seus herdeiros, niseis e sanseis, que circulam pelos mercados e lojas orientais, aspirando o aroma de um potinho de raiz-forte para verificar seu frescor ou tocando delicadamente a crosta de pequenos pastéis para testar o ponto da massa: hoje são muitos os brasileiros que se misturam aos rostos orientais nas lojas e mercados, já iniciados nos segredos destes sutis sabores trazidos de tão longe.
Em São Paulo tornaram-se um sucesso so restaurantes japoneses. Muitos vivem lotados: alguns, com uma clientela ocidental mais abastada, que maneja com incrível desenvoltura os antes tão exóticos talheres de pauzinhos, os hashi; outros, atraem um público mais simples, mas igualmente interessado, que os procuram nas imediações dos mercados ou no próprio bairro japonês.
Em outros pontos do Estado de São Paulo, como no "cinturão verde" que rodeia a capital, a presença japonesa também é grande, e fundamental para o abastecimento de gêneros alimentícios de vários pontos do país. Aliás, a mesa brasileira que todas as regiões deve ao trabalho dos colonos japoneses o aperfeiçoamento e a disseminação de diversas culturas agrícolas que hoje são familiares em nossa cozinha cotidiana.

HÁBITOS ALIMENTARES, UMA GRANDE DIFERENÇA
Esta convivência harmônica e respeitosa teve um duro começo, quando nem tudo foi fácil para os imigrantes recém-chegados.
Desde o dia em que o Kasato-Maru atracou em Santos, os japoneses que para aqui vieram passaram a sentir as diferenças culturais que separam os dois países. Além disso, as condições que viriam a encontrar nas fazendas de café do interior de São Paulo, para onde chegavam com sonhos de melhorar seu padrão de vida, em nada pareciam com o que lhes era prometido.

Entre as grandes dificuldades, estava a adaptação ao novo regime alimentar. Não era difícil encontrar o arroz, cereal básico da sua dieta. Mas os peixes eram raros, da mesma forma que legumes e verduras não eram comuns na dieta local. Ademais, os pratos brasileiros, sempre com muita gordura, mais os temperos estranhos, eram insuportavelmente pesados para os hábitos japoneses. Nas fazendas, os trabalhadores recebiam uma provisão de alimentos cuja maior parte desconheciam. O arroz, de tipo diferente do japonês, era difícil de ser preparado no ponto e sabores desejados; as farinhas, de mandioca e milho, eram um mistério; o feijão era conhecido, mas para preparar como doce; o charque não apetecia, pois parecia cheirar mal; o bacalhau seco, desconhecido, era inicialmente consumido sem antes ser demolhado - e, naturalmente, ficava salgado. 

O café eles não sabiam preparar e só lhes aumentava a saudade do chá, inexistente nas fazendas; a banha, o toucinho, o óleo vegetal pareciam-lhes agressivos... Já aos brasileiros parecia estranho que os japoneses insistissem em comer cruas as verduras que conseguiam encontrar ou cultivar.
Os imigrantes que foram se liberando do trabalho assalariado nas fazendas passaram, muitos deles, a dedicar-se à atividade autônoma na lavoura. Esta atividade permitiu-lhes o acesso a produtos mais familiares, além de enriquecer a variedade, a quantidade e a qualidade dos produtos hortifrutigranjeiros que abastecem hoje a mesa da família brasileira em todo o país.

COM OS JAPONESES, MAIS DE 30 NOVAS CULTURAS
Em suas pequenas propriedades, os japoneses passaram a dedicar-se a culturas como o café, o algodão e o arroz, além de verduras e legumes, frutas e avicultura. Desde a década de 30 eles exploram as possibilidade de introdução de novas culturas no país, como o caqui, a pimenta do reino e o chá preto, 

entre quase 30 itens de frutas, verduras, hortaliças e especiarias.
Quem passeia pelas feiras livres e mercados consome outros produtos que os japoneses encontraram no Brasil e aperfeiçoaram como ninguém. São frutas como abacate, abacaxi, goiaba, mamão, melão, maçã, pera, morango, uva; verduras e hortaliças como alface, alho, batata, berinjela, alcachofra, cenoura, pimentão, vagem, repolho, couve-flor, abóbora japonesa, acelga japonesa, cebola, gengibre, broto de bambu e muitas outras.
Até os anos 60, esta produção concentrou-se em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e alguns locais da Amazônia; hoje, os lavradores de origem japonesa estão espalhados por todo o país.
Estes imigrantes e seus descendentes também integraram-se à população urbana brasileira, ganhando destaque em outras áreas da atividade econômica. No final da Primeira Guerra Mundial, a crise em que o Japão mergulhou fez com que também moradores das grandes cidades viessem ao Brasil em busca de oportunidades. Esta integração foi tornando mais familiares aos brasileiros os hábitos e costumes que eles traziam.
Nos anos 80, por exemplo, deixou de parecer tão estranho comer peixe cru nos sushis e sashimis. E os leves pratos japoneses, quase sem gordura, moderadamente temperados, ganharam legiões de admiradores - desde gourmets encantados com a delicadeza de seus sabores a pessoas que buscam uma alimentação saudável. 
UMA CULINÁRIA LEVE E BELA
De fato, a cozinha japonesa é especialmente cativante por seu preparo, seus sabores e sua apresentação. Cercado de mar e cortado por rios, o Japão tem em seus pratos a forte presença dos pescados. O peixe cru é raro na mesa cotidiana, mas usam-se muito os peixes secos, principalmente nos temperos e caldos. Os legumes são talhados em pequenos formatos e preparados em cozidos ou conservas. O elemento básico da alimentação é o arroz, tão importante que, na Idade Média, era utilizado como moeda de pagamento de impostos. O molho shoyu e a pasta de soja, missô, dão um sabor característico à cozinha de todo país. 
Os pratos de refeição japonesa, em número de cinco, são servidos simultaneamente: incluem uma sopa, um cozido, um grelhado, guarnições de legumes e o arroz. A bebida principal é o chá, e a bebida alcoólica típica é o saquê, um fermentado de arroz. No almoço, a refeição é simplificada: arroz, ovo cru, algas, conserva e sopa de missô.
A cerimônia do chá - o chanoyu - é um ritual com sete séculos de história. Nela, os convidados usam vestes especiais, louças antigas e raras, e cumprem vários procedimentos (cumprimentos, espera, saudações) que sugerem paz e despojamento. É servida uma refeição leve e delicada, que antecede o momento de servir o chá. 
Essa cerimônia simboliza tudo o que, na cozinha japonesa, se opõe ao modo de comer, apressado e desatento, representado, nos tempos atuais, pelo fast-food. Os pratos e ingredientes japoneses são plenos de significados simbólicos, não somente nutritivos. Um simples fio de macarrão, por exemplo, pode representar a continuidade da vida, a prosperidade de uma família.
Também do ponto de vista culinário, os ingredientes são respeitosamente manipulados, preservando sua individualidade, resguardada por temperos normalmente sutis. O resultado surpreende pela bela apresentação e pela leveza que alivia os cansados paladares ocidentais. São pratos que têm sido exemplos de delicadeza do povo japonês. É, ainda, uma prova de que a comida pode não somente sustentar o corpo e emocionar o paladar mas também alimentar o espírito.



quarta-feira, 23 de maio de 2012

PROJETOS CULTURAIS

ESSE TAL PLANEJAMENTO
Planejar significa estabelecer um direcionamento, definir metas, prever resultados, agir de forma deliberada, racional; com consciência das diversas variantes que envolvem o conjunto de atividades que se pretendem realizar. O planejamento tem várias utilidades, evitam o desperdício de recursos, de tempo, e auxilia na execução das atividades de forma mais eficaz. Ao planejar, você está depositando uma crença na capacidade de alterar o futuro e, em especial, está entendendo que não pode ficar a mercê do destino. Antônio Luiz de Paula e Silva, em publicação sobre o tema, enfatiza: "O planejamento representa uma busca para assumir o futuro, o destino, que está nas mãos de cada pessoa: essa é uma crença fundamental necessária para entrar num planejamento: de que o futuro poderá ser aquele que se quer". Nos crescentes desafios em busca de profissionalização, não cabe mais a falta de planejamento nas atividades produtivas. Perde muito tempo quem não planeja o seu futuro; está fadado a perder espaço o grupo que não quer perder tempo planejando. 

A NECESSIDADE DO PLANEJAMENTO
O ato de planejar pode acontecer também na vida pessoal. Numa mudança você faz planejamento quando organiza uma listagem de móveis e objetos, identifico a melhor data, mede espaços e define formas de transporte, o que, certamente, evitará aborrecimentos e até fará economia de recursos. No seu arsenal de lembranças deve haver a memória daquele dia em que o caminhão chegou e a geladeira não estava descongelada, e o armário não passou no corredor e um marceneiro teve que ser chamado às pressas, cobrando mais caro. Isso aconteceu por falta de planejamento. O planejamento pode ser assimilado na vida pessoal, como uma opção para a otimização das tarefas domésticas. Porém, a diversos setores da vida em que nem é bom planejar. A espontaneidade é muito bem vinda nas relações afetivas, nos momentos de diversão. Mas se esta é uma opção na vida pessoal, entretanto, no mundo do trabalho o planejamento é uma regra de sobrevivência. Entendendo a atividade cultural como diletantismo (embora os artistas fazem o uso da improvisação em seus processos criativos), na gestão da atividade cultural precisa se evitar o imediatismo e se adotar sempre a via do planejamento. 

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Nos últimos anos tem estado em moda o planejamento estratégico, e ele até é o mais recomendável. Este tipo de planejamento passou a tomar corpo quando determinados setores do mercado adaptaram para sua realidade algumas estratégias militares. O planejamento estratégico disseminou-se de tal modo no mundo corporativo que passa a ser quase que estágio obrigatório para uma empresa que deseja crescer. E diversas Ong's e grupos culturais vêm adotando este modelo de planejamento e estruturando melhor a seu gestão. Começa por um estudo interno, em que se mede, lista, checa as condições internas, numa ação de auto-conhecimento. No planejamento estratégico, deve se perguntar: Quem somos... Qual a nossa missão... Quais são os nossos valores... Qual a capacidade produtiva... Qual a vocação... Quais as fraquezas e as fortalezas... Com o mesmo rigor, deve se fazer uma análise do mundo externo, observar as tendências de mercado, a legislação, conjuntura social, econômica e política. Há, neste processo de planejamento, um paralelo entre os pontos fortes e os pontos fracos; o que se tem de potencial e o que se tem de dificuldades. Mas, não adianta dizer que está sendo feito um planejamento estratégico se todos os integrantes não usarem este momento para uma reflexão profunda sobre a conjuntura interna e externa e, em especial, este é o momento de perceber a identidade, a missão. Porém, este é um processo que deve ser feito de forma participativa, selecionando as estratégias mais adequadas para o grupo, entidade ou empresa. E, independente da metodologia escolhida, existe uma pergunta fundamental no planejamento: Qual a direção... Não adianta ter instrumentos sofisticados, se não ficar claro para todos a direção que se quer seguir, o ponto aonde quer chegar, a missão que se quer cumprir.

DO PLANEJAMENTO SAI O PROJETO
Cada uma das diretrizes surgidas no planejamento pode apontar os projetos que mais se encaixam para um futuro a médio ou longo prazo. Uma instituição quando passa por um processo de planejamento escolhe os projetos de forma mais segura; da preferência aqueles que refletem a verdadeira vocação do grupo. Este é o melhor caminho para se chegar aos projetos que vão ter mais chance de convencer, por espelharem de forma mais profunda a realidade vivenciada.

O CICLO DO PROJETO
Cada projeto tem um ciclo de vida. Ele passa por várias etapas, desde o momento do planejamento, até a fase da prestação de contas. Pode se dar em meses, como pode levar anos entre o seu inicio e o término. Não se pode esperar que um único projeto solucione todos os problemas, que salve o planeta, que revolucione o mundo. Cada projeto, cada plano, cada programa tem uma função específica e deve ser feito em etapas. Se você pensa que elaborar um projeto difícil, executá-lo vai demandar muito mais esforço, dedicação e competência. Prestar contas, fechar relatórios também são fases decisivas num projeto e merecem toda a atenção. É importante perceber se o projeto que está sendo executado vai poder cumprir todas as etapas necessárias. Cada ação bem desenvolvida num projeto gera um ciclo virtuoso, que tem papel importantíssimo para a conquista de novas parcerias. É muito mais provável que um patrocínio aconteça quando há um projeto antecedente bem realizado. Pode haver demora para se conseguir a aprovação do primeiro projeto, pode ser difícil encontrar a primeira porta que se abra, mais depois de conquistar uma chance, faça bem feito. Neste aspecto, é válida a participação em projetos de terceiros para se ganhar experiência. Gestão é um tema que merece atenção. Caso o projeto que você esteja elaborando seja aprovado, vai ser preciso gerir processos, pessoas, informações. É importante pensar sobre isso durante a fase de elaboração. Para entender melhor o ciclo de um projeto, analise o quadro. 

ESTRUTURANDO O PROJETO
ESTRUTURA DO PROJETO CULTURAL
Na elaboração de um projeto, há um corpo a ser estruturado. A ideia, que é algo difuso, precisa ganhar concretude e ser apresentada de forma organizada. Na construção de um projeto, várias perguntas pedem respostas. A tabela abaixo apresenta os principais itens de um projeto cultural. Em cada item, implicitamente, é feita uma pergunta-chave. Reflita sobre as perguntas e vá, gradativamente, encontrando as respostas; modelando o corpo do seu projeto; construindo esta estrutura. Apresento este modelo abaixo como sugestão de estrutura para projetos culturais. Ele atende a vários itens que estão sendo usados nos principais editais de empresas e leis de incentivo, mas podem sofrer alterações, acréscimos e/ou apresentar outros itens de acordo com o tipo de edital.

01. Identificação (O que é?)
02. Objetivos (Pra quê?)
03. Justificativa (Por quê?)
04. Público-alvo (Pra quem?)
05. Localização (Onde?)
06. Prazo de execução (Quando?)
07. Desenvolvimento das ações (Como?)
08. Planilha orçamentária (Quanto?)
09. Retorno institucional (Quais os ganhos?)
10. Histórico do Proponente (Quem somos?)

É importante observar o que pedem os formulários que as instituições disponibilizam; eles podem apresentar diferentes formas de enunciar as perguntas. Por isso, é importante aprender a interpretar o que pede cada projeto a ser elaborado.