terça-feira, 29 de maio de 2012

EDWARD BURRA

O artista captou o espírito das figuras humanas dramáticas e deprimidas nesta paisagem desolada da Cornualha, tendo ao fundo as instalações arruinadas da mina de estanho. Sabe-se que o homem de casaco listrado (retratado duas vezes) foi visto por Burra (Inglaterra 1905-1976) num pub, e que as duas figuras tatuadas são cópias diretas de um livro. A cabeça estranha e fantasmagórica apenas esboçada no canto superior esquerdo talvez reflita o interesse de Burra pelo Surrealismo. Embora tivesse conhecido vários surrealistas quando morava na França, nunca chegou a se aliar de fato a eles ou a qualquer outro movimento. 
Na década de 1930, o trabalho de Burra tornou-se satírico, lembrando o de George Grosz. Mais no final de sua vida, sua obra foi adquirindo cada vez mais um estilo peculiar. 
Suas obras mais famosas são, na maioria, aquarelas de mulheres, ou de pessoas se divertindo. Tinham o estilo forte e levemente exagerado de Burra, características que pouco mudavam ao longo de sua vida. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CAVALEIROS DO ZODIACO


CAVALEIROS DO ZODÍACO
Sucesso no Japão de 1987 a 1989 quando foram exibidos na TV. Seu autor é Masami Kurumada. No Japão, máscaras com expressões aterrorizantes também faziam parte das armaduras para meter medo nos oponentes. Na europa, cobriam o corpo inteiro com metal e eram cheias de encaixes complicados que tornavam possível o movimento, meio lento. Foram essas que serviram de reverencia para a série Cavaleiros do Zodíaco. Esta série foi febre no Brasil na década de 90 apesar de algumas falhas já reconhecidas pelo autor no roteiro. Ainda hoje possui muito adeptos. Você pode baixar todos os episódios dessa série no site http://www.hinata.xpg.com.br se a SOPA ainda não tiver fechado todos os servidores. Rs. 

SIGNIFICADO DOS NOMES
SAORI - Areia, Tecer. Saori é um nome comum porém, o segundo ideograma junto aos ideogramas "mulher" e "estrela" são o nome da estrala Vega ou estrela da tecelã. Tecelã vem da lenda japonesa de Tanabata, que deu origem ao festival realizado também no Brasil no mês de julho.

SHIRYU - Dragão Roxo.

IKKI - Um bulho.

SHUN - Piscar de olhos.

HYOGA - Gelo - Grande Rio (geleira).

SEYA - Cavaleiro da flecha estelar ou cavaleiro Seiya.

Abertura da extinta TV Manchete

sábado, 26 de maio de 2012

CULINÁRIA JAPONESA NO BRASIL

A chegada ao Brasil da imigração japonesa tem data e local precisos. Foi a bordo do vapor Kasato-Maru que, no dia 18 de junho de 1908, aportou em Santos a primeira leva organizada de trabalhadores vindos do Japão. 
Com uma cultura rica e bem particular (incluindo uma maneira toda própria de tratar os alimentos), eles saíram de seu pequeno país em busca de trabalho na imensidão das terras brasileiras. Sua chegada ao Brasil significou, para eles, a descoberta de um enigmático mundo novo. O mesmo aconteceu com os brasileiros que os recebiam: para estes, abria-se uma era de contato com uma civilização que, em quase um século de presença, mostraria ter muito a ensinar.
São Paulo é o exemplo mais eloquente do peso desta cultura que chegou e ficou, cativando os brasileiros por sua riqueza e tradição - e também pelo estômago. A prova disso é a existência de um importante bairro japonês na cidade, a Liberdade, onde o comércio de artigos de todo tipo, inclusive alimentícios, é intensamente frequentado pelos paulistanos. 
Os produtos ligados à mesa vão desde as lascas de peixe seco, tão importantes no caldo básico das sopas, até apetrechos para moldar rapidamente os bolinhos de arroz dos sushis. Eles são procurados e escolhidos criteriosamente pelos japoneses, por senhoras de gestos rápidos, ocupadas em prover seus descendentes com a mesma comida que as nutriu na infância, e que traz no paladar e nos aromas a saudade de sua terra.
Mas não são apenas japoneses e seus herdeiros, niseis e sanseis, que circulam pelos mercados e lojas orientais, aspirando o aroma de um potinho de raiz-forte para verificar seu frescor ou tocando delicadamente a crosta de pequenos pastéis para testar o ponto da massa: hoje são muitos os brasileiros que se misturam aos rostos orientais nas lojas e mercados, já iniciados nos segredos destes sutis sabores trazidos de tão longe.
Em São Paulo tornaram-se um sucesso so restaurantes japoneses. Muitos vivem lotados: alguns, com uma clientela ocidental mais abastada, que maneja com incrível desenvoltura os antes tão exóticos talheres de pauzinhos, os hashi; outros, atraem um público mais simples, mas igualmente interessado, que os procuram nas imediações dos mercados ou no próprio bairro japonês.
Em outros pontos do Estado de São Paulo, como no "cinturão verde" que rodeia a capital, a presença japonesa também é grande, e fundamental para o abastecimento de gêneros alimentícios de vários pontos do país. Aliás, a mesa brasileira que todas as regiões deve ao trabalho dos colonos japoneses o aperfeiçoamento e a disseminação de diversas culturas agrícolas que hoje são familiares em nossa cozinha cotidiana.

HÁBITOS ALIMENTARES, UMA GRANDE DIFERENÇA
Esta convivência harmônica e respeitosa teve um duro começo, quando nem tudo foi fácil para os imigrantes recém-chegados.
Desde o dia em que o Kasato-Maru atracou em Santos, os japoneses que para aqui vieram passaram a sentir as diferenças culturais que separam os dois países. Além disso, as condições que viriam a encontrar nas fazendas de café do interior de São Paulo, para onde chegavam com sonhos de melhorar seu padrão de vida, em nada pareciam com o que lhes era prometido.

Entre as grandes dificuldades, estava a adaptação ao novo regime alimentar. Não era difícil encontrar o arroz, cereal básico da sua dieta. Mas os peixes eram raros, da mesma forma que legumes e verduras não eram comuns na dieta local. Ademais, os pratos brasileiros, sempre com muita gordura, mais os temperos estranhos, eram insuportavelmente pesados para os hábitos japoneses. Nas fazendas, os trabalhadores recebiam uma provisão de alimentos cuja maior parte desconheciam. O arroz, de tipo diferente do japonês, era difícil de ser preparado no ponto e sabores desejados; as farinhas, de mandioca e milho, eram um mistério; o feijão era conhecido, mas para preparar como doce; o charque não apetecia, pois parecia cheirar mal; o bacalhau seco, desconhecido, era inicialmente consumido sem antes ser demolhado - e, naturalmente, ficava salgado. 

O café eles não sabiam preparar e só lhes aumentava a saudade do chá, inexistente nas fazendas; a banha, o toucinho, o óleo vegetal pareciam-lhes agressivos... Já aos brasileiros parecia estranho que os japoneses insistissem em comer cruas as verduras que conseguiam encontrar ou cultivar.
Os imigrantes que foram se liberando do trabalho assalariado nas fazendas passaram, muitos deles, a dedicar-se à atividade autônoma na lavoura. Esta atividade permitiu-lhes o acesso a produtos mais familiares, além de enriquecer a variedade, a quantidade e a qualidade dos produtos hortifrutigranjeiros que abastecem hoje a mesa da família brasileira em todo o país.

COM OS JAPONESES, MAIS DE 30 NOVAS CULTURAS
Em suas pequenas propriedades, os japoneses passaram a dedicar-se a culturas como o café, o algodão e o arroz, além de verduras e legumes, frutas e avicultura. Desde a década de 30 eles exploram as possibilidade de introdução de novas culturas no país, como o caqui, a pimenta do reino e o chá preto, 

entre quase 30 itens de frutas, verduras, hortaliças e especiarias.
Quem passeia pelas feiras livres e mercados consome outros produtos que os japoneses encontraram no Brasil e aperfeiçoaram como ninguém. São frutas como abacate, abacaxi, goiaba, mamão, melão, maçã, pera, morango, uva; verduras e hortaliças como alface, alho, batata, berinjela, alcachofra, cenoura, pimentão, vagem, repolho, couve-flor, abóbora japonesa, acelga japonesa, cebola, gengibre, broto de bambu e muitas outras.
Até os anos 60, esta produção concentrou-se em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e alguns locais da Amazônia; hoje, os lavradores de origem japonesa estão espalhados por todo o país.
Estes imigrantes e seus descendentes também integraram-se à população urbana brasileira, ganhando destaque em outras áreas da atividade econômica. No final da Primeira Guerra Mundial, a crise em que o Japão mergulhou fez com que também moradores das grandes cidades viessem ao Brasil em busca de oportunidades. Esta integração foi tornando mais familiares aos brasileiros os hábitos e costumes que eles traziam.
Nos anos 80, por exemplo, deixou de parecer tão estranho comer peixe cru nos sushis e sashimis. E os leves pratos japoneses, quase sem gordura, moderadamente temperados, ganharam legiões de admiradores - desde gourmets encantados com a delicadeza de seus sabores a pessoas que buscam uma alimentação saudável. 
UMA CULINÁRIA LEVE E BELA
De fato, a cozinha japonesa é especialmente cativante por seu preparo, seus sabores e sua apresentação. Cercado de mar e cortado por rios, o Japão tem em seus pratos a forte presença dos pescados. O peixe cru é raro na mesa cotidiana, mas usam-se muito os peixes secos, principalmente nos temperos e caldos. Os legumes são talhados em pequenos formatos e preparados em cozidos ou conservas. O elemento básico da alimentação é o arroz, tão importante que, na Idade Média, era utilizado como moeda de pagamento de impostos. O molho shoyu e a pasta de soja, missô, dão um sabor característico à cozinha de todo país. 
Os pratos de refeição japonesa, em número de cinco, são servidos simultaneamente: incluem uma sopa, um cozido, um grelhado, guarnições de legumes e o arroz. A bebida principal é o chá, e a bebida alcoólica típica é o saquê, um fermentado de arroz. No almoço, a refeição é simplificada: arroz, ovo cru, algas, conserva e sopa de missô.
A cerimônia do chá - o chanoyu - é um ritual com sete séculos de história. Nela, os convidados usam vestes especiais, louças antigas e raras, e cumprem vários procedimentos (cumprimentos, espera, saudações) que sugerem paz e despojamento. É servida uma refeição leve e delicada, que antecede o momento de servir o chá. 
Essa cerimônia simboliza tudo o que, na cozinha japonesa, se opõe ao modo de comer, apressado e desatento, representado, nos tempos atuais, pelo fast-food. Os pratos e ingredientes japoneses são plenos de significados simbólicos, não somente nutritivos. Um simples fio de macarrão, por exemplo, pode representar a continuidade da vida, a prosperidade de uma família.
Também do ponto de vista culinário, os ingredientes são respeitosamente manipulados, preservando sua individualidade, resguardada por temperos normalmente sutis. O resultado surpreende pela bela apresentação e pela leveza que alivia os cansados paladares ocidentais. São pratos que têm sido exemplos de delicadeza do povo japonês. É, ainda, uma prova de que a comida pode não somente sustentar o corpo e emocionar o paladar mas também alimentar o espírito.



quarta-feira, 23 de maio de 2012

PROJETOS CULTURAIS

ESSE TAL PLANEJAMENTO
Planejar significa estabelecer um direcionamento, definir metas, prever resultados, agir de forma deliberada, racional; com consciência das diversas variantes que envolvem o conjunto de atividades que se pretendem realizar. O planejamento tem várias utilidades, evitam o desperdício de recursos, de tempo, e auxilia na execução das atividades de forma mais eficaz. Ao planejar, você está depositando uma crença na capacidade de alterar o futuro e, em especial, está entendendo que não pode ficar a mercê do destino. Antônio Luiz de Paula e Silva, em publicação sobre o tema, enfatiza: "O planejamento representa uma busca para assumir o futuro, o destino, que está nas mãos de cada pessoa: essa é uma crença fundamental necessária para entrar num planejamento: de que o futuro poderá ser aquele que se quer". Nos crescentes desafios em busca de profissionalização, não cabe mais a falta de planejamento nas atividades produtivas. Perde muito tempo quem não planeja o seu futuro; está fadado a perder espaço o grupo que não quer perder tempo planejando. 

A NECESSIDADE DO PLANEJAMENTO
O ato de planejar pode acontecer também na vida pessoal. Numa mudança você faz planejamento quando organiza uma listagem de móveis e objetos, identifico a melhor data, mede espaços e define formas de transporte, o que, certamente, evitará aborrecimentos e até fará economia de recursos. No seu arsenal de lembranças deve haver a memória daquele dia em que o caminhão chegou e a geladeira não estava descongelada, e o armário não passou no corredor e um marceneiro teve que ser chamado às pressas, cobrando mais caro. Isso aconteceu por falta de planejamento. O planejamento pode ser assimilado na vida pessoal, como uma opção para a otimização das tarefas domésticas. Porém, a diversos setores da vida em que nem é bom planejar. A espontaneidade é muito bem vinda nas relações afetivas, nos momentos de diversão. Mas se esta é uma opção na vida pessoal, entretanto, no mundo do trabalho o planejamento é uma regra de sobrevivência. Entendendo a atividade cultural como diletantismo (embora os artistas fazem o uso da improvisação em seus processos criativos), na gestão da atividade cultural precisa se evitar o imediatismo e se adotar sempre a via do planejamento. 

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Nos últimos anos tem estado em moda o planejamento estratégico, e ele até é o mais recomendável. Este tipo de planejamento passou a tomar corpo quando determinados setores do mercado adaptaram para sua realidade algumas estratégias militares. O planejamento estratégico disseminou-se de tal modo no mundo corporativo que passa a ser quase que estágio obrigatório para uma empresa que deseja crescer. E diversas Ong's e grupos culturais vêm adotando este modelo de planejamento e estruturando melhor a seu gestão. Começa por um estudo interno, em que se mede, lista, checa as condições internas, numa ação de auto-conhecimento. No planejamento estratégico, deve se perguntar: Quem somos... Qual a nossa missão... Quais são os nossos valores... Qual a capacidade produtiva... Qual a vocação... Quais as fraquezas e as fortalezas... Com o mesmo rigor, deve se fazer uma análise do mundo externo, observar as tendências de mercado, a legislação, conjuntura social, econômica e política. Há, neste processo de planejamento, um paralelo entre os pontos fortes e os pontos fracos; o que se tem de potencial e o que se tem de dificuldades. Mas, não adianta dizer que está sendo feito um planejamento estratégico se todos os integrantes não usarem este momento para uma reflexão profunda sobre a conjuntura interna e externa e, em especial, este é o momento de perceber a identidade, a missão. Porém, este é um processo que deve ser feito de forma participativa, selecionando as estratégias mais adequadas para o grupo, entidade ou empresa. E, independente da metodologia escolhida, existe uma pergunta fundamental no planejamento: Qual a direção... Não adianta ter instrumentos sofisticados, se não ficar claro para todos a direção que se quer seguir, o ponto aonde quer chegar, a missão que se quer cumprir.

DO PLANEJAMENTO SAI O PROJETO
Cada uma das diretrizes surgidas no planejamento pode apontar os projetos que mais se encaixam para um futuro a médio ou longo prazo. Uma instituição quando passa por um processo de planejamento escolhe os projetos de forma mais segura; da preferência aqueles que refletem a verdadeira vocação do grupo. Este é o melhor caminho para se chegar aos projetos que vão ter mais chance de convencer, por espelharem de forma mais profunda a realidade vivenciada.

O CICLO DO PROJETO
Cada projeto tem um ciclo de vida. Ele passa por várias etapas, desde o momento do planejamento, até a fase da prestação de contas. Pode se dar em meses, como pode levar anos entre o seu inicio e o término. Não se pode esperar que um único projeto solucione todos os problemas, que salve o planeta, que revolucione o mundo. Cada projeto, cada plano, cada programa tem uma função específica e deve ser feito em etapas. Se você pensa que elaborar um projeto difícil, executá-lo vai demandar muito mais esforço, dedicação e competência. Prestar contas, fechar relatórios também são fases decisivas num projeto e merecem toda a atenção. É importante perceber se o projeto que está sendo executado vai poder cumprir todas as etapas necessárias. Cada ação bem desenvolvida num projeto gera um ciclo virtuoso, que tem papel importantíssimo para a conquista de novas parcerias. É muito mais provável que um patrocínio aconteça quando há um projeto antecedente bem realizado. Pode haver demora para se conseguir a aprovação do primeiro projeto, pode ser difícil encontrar a primeira porta que se abra, mais depois de conquistar uma chance, faça bem feito. Neste aspecto, é válida a participação em projetos de terceiros para se ganhar experiência. Gestão é um tema que merece atenção. Caso o projeto que você esteja elaborando seja aprovado, vai ser preciso gerir processos, pessoas, informações. É importante pensar sobre isso durante a fase de elaboração. Para entender melhor o ciclo de um projeto, analise o quadro. 

ESTRUTURANDO O PROJETO
ESTRUTURA DO PROJETO CULTURAL
Na elaboração de um projeto, há um corpo a ser estruturado. A ideia, que é algo difuso, precisa ganhar concretude e ser apresentada de forma organizada. Na construção de um projeto, várias perguntas pedem respostas. A tabela abaixo apresenta os principais itens de um projeto cultural. Em cada item, implicitamente, é feita uma pergunta-chave. Reflita sobre as perguntas e vá, gradativamente, encontrando as respostas; modelando o corpo do seu projeto; construindo esta estrutura. Apresento este modelo abaixo como sugestão de estrutura para projetos culturais. Ele atende a vários itens que estão sendo usados nos principais editais de empresas e leis de incentivo, mas podem sofrer alterações, acréscimos e/ou apresentar outros itens de acordo com o tipo de edital.

01. Identificação (O que é?)
02. Objetivos (Pra quê?)
03. Justificativa (Por quê?)
04. Público-alvo (Pra quem?)
05. Localização (Onde?)
06. Prazo de execução (Quando?)
07. Desenvolvimento das ações (Como?)
08. Planilha orçamentária (Quanto?)
09. Retorno institucional (Quais os ganhos?)
10. Histórico do Proponente (Quem somos?)

É importante observar o que pedem os formulários que as instituições disponibilizam; eles podem apresentar diferentes formas de enunciar as perguntas. Por isso, é importante aprender a interpretar o que pede cada projeto a ser elaborado. 


terça-feira, 22 de maio de 2012

COMO FAZER UM PROJETO

Um projeto nasce de uma ideia. Mas além de idealizar é necessário justificar, objetivar, definir ações e convencer outras pessoas a apostarem no seu empreendimento. Na elaboração de um projeto, várias perguntas pedem respostas.

Item 01 - Identificação
Pergunta implícita - O que é?
A identificação é na verdade um quadro resumido com as principais informações, (que serão melhor explicados ao longo do projeto) para que seja possível a um provável parceiro ou financiador identificar, em poucos minutos de leitura, a essência do que você está propondo. Este item pode ser construído com os seguintes dados: Título, Local de realização, Prazo de execução, Produto Cultural, Valor total do projeto.

Item 02 - Justificativa
Pergunta implícita - Por quê?
Na justificativa apresente os motivos pelos quais o projeto deve ser aceito. Argumente, convença, "venda seu peixe". Explicite a importância do projeto, contextualizando o(s) tema(s) escolhido(s). É este o momento de mostrar a relevância do seu trabalho, seja a contribuição social que pode trazer para a comunidade, se tem preocupação na preservação de um patrimônio histórico ou se representa inovação de linguagem artística. Numa boa justificativa deve existir uma redação com idéias equilibradas entre o momento atual e a situação a ser alcançada. E ainda deve existir clareza, estilo e, principalmente, argumentos embasados em pesquisas ou em ações concretas. Em cada parágrafo exponha um ponto importante e, para finalizar, use uma frase convincente que leve a uma conclusão sobre uma ou mais questões explicitada ao longo do texto.

Item 03 - Objetivos
Pergunta implícita - Para quê?
Explique a finalidade, ou seja, o que o projeto pretende alcançar. Após as diversas reflexões e discussões sobre a sua ideia , anote num papel o "algo a ser conquistado", transformando este ideal em verbos. Você vai descobrir que o seu projeto tem mais de um objetivo. Selecione o que é a principal intenção e chame de: Objetivo Geral. E os demais podem ser classificados como Objetivos Específicos. 
As metas num projeto cultural (Produtos culturais resultantes)
É importante estabelecer Metas, ou seja, explicar de forma mais detalhada, o que seu projeto vai cumprir. Metas são, na verdade, os objetivos quantificados e definidos no tempo. Em se tratando dos projetos culturais, as metas são mais conhecidas como Produtos Culturais Resultantes. 

Item 04 - Local de Realização
Pergunta implícita - Onde?
Em que bairro, cidade, Estado vai se dar a ação do projeto? Explique se o projeto vai ser realizado numa escola, se vai ocupar um teatro, um espaço cultural ou se vai acontecer em vários espaços. Esboce as principais características do local. Quais as potencialidades? Quais as dificuldades? Para enriquecer o seu projeto. Esboce um perfil sócio-cultural do local ou uma caracterização mínima do espaço físico.

Item 05 - Público-alvo
Pergunta implícita - Para quem?
Você precisa explicar quem vai receber o produto cultural resultante das ações do projeto, ou ainda quem vai ser contemplado em atividades específicas. Quantifique e qualifique este público. Repasse dados que possam compor o perfil básico desta parcela da população. São informações sobre: quantidades de homens, quantidade de mulheres, faixa-etária, rendimento, escolaridade, entre outras informações.

Item 06 - Prazo de execução
Pergunta implícita - Quando?
Explique a quantidade de meses, anos ou dias para a realização das ações. Indique se tem data para o início e o término do projeto ou se depende da liberação de verbas.

Item 07 - Desenvolvimento das ações
Pergunta implícita - Como?
Este item é a parte mais concreta de um projeto. É o momento de falar da estratégia, da maneira pela qual você vai fazer e acontecer. 
Etapas da Realização
A execução de qualquer projeto passa por várias etapas. Na elaboração de Projetos Culturais, este é o esquema mais utilizado:
Pré-produção: Repasse dados sobre como vai ser a seleção da equipe, programação, reserva de pautas de casas de espetáculos, agendamento de participantes, definição de mídias, definição do esquema de infra-estrutura, pesquisas de temas abordados, definição de hospedagem, locação de equipamentos, entre outros.
Produção: Repasse dados como se vai ser a gravação do CD, realização do show, produção de livro, captação e edição de imagens videográficas e/ou cinematográficas, apresentação de peça teatral, exposição de artes visuais, criação de material de divulgação, entre outras atividades.
Pós-produção: Comercialização e distribuição de produtos culturais, avaliações, produção de relatório de atividades e relatórios contábeis, auditoria, entre outras ações. 
Algumas atividades que estão contempladas nas etapas de realização merecem atenção especial;
Divulgação
Definir a comunicação num projeto é fundamental para garantir a visibilidade, o retorno institucional e a participação do público-alvo. É necessário apontar os meios de comunicação, quanto e como vai ser o material impresso, e ainda estabelecer uma estratégia para o uso destes recursos. para projetos de médio e grande porte é indispensável que profissionais da área o assessore na definição do material de divulgação e nos planos de mídia. 
Distribuição
Explique como via ser a distribuição dos livros, CD's,  DVD's, fitas VHS, quadros, espetáculos, desenhos, esculturas, entre outros produtos culturais. Responda como estes produtos vão chegar até o público-alvo. Se há alguma estratégia para a venda e também para a doação. Se vai ter comercialização, qual a receita estimada? Há pontos de vendas pré-definidos? Quantas unidades do(s) produto(s) serão disponibilizadas para a venda?

Item 08 - Retorno Institucional
Pergunta implícita - O que se ganha?
Cada dia mais os projetos se tornam fruto de uma rede de parcerias, ou seja, um conjunto de grupos, instituições e empresas, unidos por objetivos comuns, financiando e realizando uma determinada ação. Mas, para apostar em algum projeto, qualquer instituição do setor público ou da sociedade civil, bem como empresas do setor privado, precisa saber o que vai ganhar. Sendo assim, neste item você sinaliza as vantagens que o financiador vai obter, quanto  e de que forma vai ganhar se patrocinar ou apoiar o projeto.

Item 09 - Previsão Orçamentária
Pergunta implícita - Quanto?
Este item pergunta sobre os recursos necessários para a realização do projeto. Para facilitar esta tarefa responda as perguntas anteriores da melhor maneira possível e principalmente as perguntas do item 03 (Objetivos) e do item 07 (Desenvolvimento das Ações). Passe para a planilha, os dados das etapas de realização. Verifique se estão listados os recursos humanos (pessoas que vão trabalhar, com quantidade de horas, diárias ou mensalidades), equipamentos a serem locados e/ou adquiridos, o material de consumo ou permanente, o transporte, a alimentação, material de divulgação, registro fotográfico, contabilidade, entre outras despesas.

Item 10 - Quadro Institucional
Pergunta implícita - Quem somos?
O Quadro Institucional pode ser necessário, caso haja mais de uma instituição envolvida e também senão for suficiente as informações repassadas no item 01 (Identificação). 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

UM POUCO DE MODA

Xadrez - Foi inventado na Escócia, a terra do uísque, no século XIX. No princípio era usado só nos ternos e casacos masculinos, mas as mulheres logo entraram em cena e adotaram esta estampa em suas roupas.






Pele - Pele de bicho sempre foi usada para fazer casacos e se proteger do frio. Depois virou uma peça glamourosa e, quanto mais rara a pele, mais chique era o casaco. Com o avanço da consciência ecológica e do direito dos animais, no entanto, isso tudo ficou para atrás. Hoje em dia, pele só a sintética. Afinal, ninguém vai matar uma onça ameaçada de extinção só porque a pele é o máximo. 




Renda - Este tecido é usado desde o século XVII em detalhes de vestidos de festa, enfeites de cabeça e véus. Agora já existem calças, camisas, saias e blusas feitas de renda mas ela continua sendo super atual. 








Twin-set - Uma invenção da década de 30, que sua bisavó já usou mas conhecia como "conjuntinho". Esta combinação de cardigã com uma blusa do mesmo tecido pode ser usado junto ou separado, com saia, calça ou até mesmo com jeans. 

sábado, 19 de maio de 2012

AGENDA CULTURAL

O TEMPO E OS TEMPOS NA FOTOGRAFIA - PARTE 2

Fotografia e pintura em crise de identidade
As evidentes vantagens e as severas críticas atribuídas à recém-nascida fotografia, quando confrontada com a milenar pintura, acabam fazendo com que as duas formas de representação, cada uma seu modo, reescrevam seus caminhos. Entre os pintores, o estilo figurativo, caracterizado por representar imagens do mundo exterior de forma inteligível, perde força. As telas da segunda metade do século XIX passam a privilegiar as sensações em detrimento do visível, uma tendência que talvez tenha em Vicente Van Gogh o representante mais significativo. Dono de um estilo intuitivo, o pintor holandês costumava extrair da natureza um colorido
incomum, marcado pela explosão do amarelo nos girassóis ou nos trigais, e pelas formas revoltas, representadas por árvores retorcidas e estrelas rodopiantes. "Procuro pintar o retrato das pessoas como eu as sinto e não como eu as vejo", costumava dizer Van Gogh, que é considerado o precursor do expressionismo. A trajetória do impressionismo, onde se destacaram pintores como Claude Monet e Auguste Renoir, também rompia os cânones da pintura clássica. Os impressionistas valorizavam o emprego das cores puras e dissociadas nos quadros, aplicadas em pequenas pinceladas, cabendo ao observador combinar as várias tonalidades e projetar o resultado final. De lá para cá, sucederam-se o cubismo capitaneado por Pablo Picasso, o surrealismo representado por Salvador Dali e Joan Miró e os abstratos de toda ordem, sinalizando que a pintura jamais seria a mesma depois de Daguerre. Já o percurso da fotografia se deu na direção oposta. Preocupados em garantir à fotografia o status de obra de arte, um grupo expressivo de fotógrafos integra, a partir da segunda metade do século XIX, um movimento denominado pictorialismo, caracterizado pela tentativa de reproduzir em suas fotos a temática e os enquadramentos característicos das telas de pintura. Entre os fotógrafos dessa fase está o francês Félix Nadar, que em 1858 foi o primeiro a realizar fotos aéreas com o auxílio de um balão. Na última década do 
século XIX, os pictorialistas estavam no auge do sucesso e suas fotografias, ora alterando a granulação e os tons, ora modificando ou suprimindo elementos para tornar as fotos semelhantes às pinturas e aquarelas, acabaram colocando em xeque o caráter meramente documental da fotografia. Em 1902, o fotógrafo norte-americano Alfred Stieglitz propõe uma volta às origens, fundando o movimento da foto-secessão, que defende a fotografia com expressão artística própria, sem retoques ou manipulação. Entre 1903 e 1917, como editor da cultuada revista Camera Work, Stieglitz integra a fotografia nas artes de vanguarda, um trabalho que ele consolida como diretor de três galerias - 291 Gallery, The Intimate Gallery e An American Place -, onde expõe trabalhos dos principais fotógrafos e pintores do período. Desse movimento deriva o conceito de straight photography, preconizando uma espécie de exaltação à pureza fotográfica, cujo maior expoente talvez tenha sido o Grupo f/64, no qual despontaram as paisagens fotografadas por Ansel Adams. 
Em 1888, alheio às discussões conceituais que permeavam a produção fotográfica de vanguarda, um norte-americano visionário lança no mercado a primeira câmera portátil e acaba se constituindo no grande responsável pela popularização em larga escala da fotografia amadorística. Seu nome, George Eastman, não é tão conhecido como o da pequena câmera de madeira que o consagrou, cujo nome não significa nada em língua alguma, mas pode perfeitamente ser pronunciado em todos os idiomas: Kodak. Além da facilidade de manejo, a revolucionária câmera inova ao apresentar o filme de rolo, que permitia a produção de fotos em série, em vez das chapas até então utilizadas pelas câmeras de grande formato, que registravam apenas uma imagem, sendo em seguida substituídas. Outra vantagem para o consumidor era a relação custo-benefício. Pelo preço de 25 dólares comprava-se uma Kodak equipada com um filme de 100 exposições, ao final das quais o cliente encaminhava a câmera para a empresa Eastman Corporation, em Rochester, que cobrava 10 dólares para revelar o filme e entregar as cópias ao proprietário, devolvendo o aparelho já devidamente equipado com um novo rolo de filme. As inúmeras facilidades justificavam o inspirado slogan "você aperta o botão, nós fazemos o resto", adotado por George Eastman. 
O sucesso da Kodak superou as mais otimistas expectativas e obrigou o mercado internacional, nos anos subsequentes, a suprir a enorme demanda por câmeras portáteis, inaugurando um tempo em que tudo era fotografável. A memória individual e a memória do mundo passaram a estar indissociavelmente ligadas ao imenso contingente de pessoas que deixaram de ser fotografadas nos estúdios e passaram a fotografar nas ruas. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

SIR EDWARD BURNE-JONES

Uma época perdida de cavalaria e romance é redescoberta neste quadro elegante. Ele conta a história de um rei que procurava por toda parte a mulher ideal, até que finalmente encontrou-a disfarçada em uma simples mendiga. Ela é o objeto mais brilhante do quadro, e parece emanar uma luz celestial. Burne-Jones  (Inglaterra 1833-1898) foi profundamente influenciado por artistas do início da Renascença italiana, como Sandro Botticelli e Andrea Mantegna, e também se inspirou em sua associação com Dante Gabriel Rossetti. Embora não fosse um dos membros originais da Confraria Pré-Rafaelita, sua obra revela muitas idéias semelhantes às desses pintores. Suas cores ricas, seus temas poéticos e a atenção metódica que dava aos detalhes conferem à sua pintura uma característica mística e espiritual. Na época, o movimento Artes e Ofícios de Willian Morris tomara conta do país, e pode-se observar aqui sua influência nas folhas, tecidos e desenhos da escada. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

VERDE


No início, os antigos associavam o verde ao ar. O momento em que ele se casou com a água remonta ao século 15. No livro Da cor à cor Inexistente, o autor, Israel Pedrosa, divulga que foi o italiano Leon Battista Alberti (1404-1472), importante teórico das cores, que, vinculando as cores aos quatro elementos - terra, fogo, ar e água -, achou que o verde combinava mais com o último item. O verde da água já era adotado pela tradição chinesa como oposto ao vermelho do fogo. Enquanto o primeiro representa a energia yin, instrospectiva e feminina, o segundo traz a força yang, impulsiva e masculina. Na mitologia greco-romana, a associação do verde com as águas é explícita. Tudo o que estava relacionado aos deuses marítimos tomava essa cor emprestada. Desde então o verde e a água nunca mais se separaram. E uma de suas principais expressões está nas praias. As águas oceânicas, profundas e mais límpidas, são azul-marinho. Isso acontece porque suas moléculas captam os raios solares e refletem apenas a porção azul da luz. Na região costeira, as águas podem se tornar esverdadas porque há a maior influência de partículas em suspensão pelo reflexo do fundo e, especialmente, por uma maior quantidade de microalgas, ricas em clorofila, que irradiam seus tons de verde. Mais do que a lembrança das águas, existe uma questão física que faz o verde fluir dos olhos para a alma. Segundo o pesquisador de cores Luciano Guimarães, em seu livro A cor como informação da editora Anna Blume, é na percepção desse matiz que a retina encontra seu ponto de maior sensibilidade e também por esse motivo "o verde será a cor recebida por nós de forma menos agressiva, com maior passividade."

segunda-feira, 14 de maio de 2012

RICHARD F. OUTCAULT E O MENINO AMARELO

Exatamente no dia 5 de maio de 1895, um domingo, no jornal World, de Nova Iorque, surgiu o primeiro personagem fixo semanal, dando margem ao aparecimento das histórias em quadrinhos e, ao mesmo tempo, ao termo "jornalismo amarelo" (marrom no Brasil), para a imprensa sensacionalista, por causa do camisolão do Menino Amarelo. 
Neste dia histórico, o artista Richard Fenton Outcault desenho dois painéis (charges), um em cor, outro em preto e branco, sob o título At the Circus in Hogan's Alley. Era um quadro a mais de crianças em favelas (becos). Desta feita, porém, no meio da petizada, havia um garoto de cabeça grande, orelhudo, de seis ou sete anos, com um camisolão sujo e, no quadro em cores, seu roupão era azul. Nas semanas seguintes, apareceu careca, num papel secundário, ou sequer surgia nos desenhos. A partir de 5 de janeiro de 1896, seu camisolão já é amarelo - dizem que a pedido do técnico de cores - e toma o primeiro plano. O próprio público começou a chamá-lo de The Yellow Kid, embora o autor jamais tivesse nomeado a figurinha. Por influência das charges políticas, seu camisolão tornou-se panfletário, portando frases e críticas do momento. Eram mensagens irreverentes, ligando com o outro painel desenhado. Sem balões.
O último desenho de Outcauld no World surgiu no dia 17 de maio de 1896, quando se transferiu - tal como em Cidadão Kane -, com toda a redação, para o jornal concorrente de Hearst, o Journal, de Nova Iorque. George B. Luks continou desenhando Hogan's Alley, mantendo o garoto amarelo no jornal de Pulitzer. Hearst, mais vivo, colocou o título do povão, The Yellow Kid, na sua tira e encorajou Outcault a usar desenhos progressivos na narrativa e a introduzir o balãozinho. Sintetizando o que os outros artistas já faziam no jornal colorido de Hearst, Outcault deu forma definitiva e continuada ao fenômeno que outros artistas fizeram no passado, propiciando assim nascimento à linguagem dos comics. 
Mas o artista não estava satisfeito. Apesar de ganhar dinheiro, ele e a esposa se ressentiam dos ataques de grupos conservadores de "boas famílias", que criticavam a imprensa sensacionalista praticada por Hearst e Pulitzer, chamando-a de "jornalismo amarelo", exatamente por causa do camisolão do menino pobre dos guetos nova-iorquinos. O caso na Justiça entre os dois tycoons da imprensa, colocando em litígio os direitos do personagem, mais a decisão "salomônica" da Corte dando razão aos dois foram a gota d'água. Outcault deixou o Menino e afastou-se de Hearst, passando a trabalhar como free-lancer.
Tentou outras histórias, sem sucesso; O Menino Amarelo continuava, com outros artistas ou reprints. Uma das reedições dava a ideia do que viram a ser, no futuro, os gibis.
Outcault só conheceria o sucesso com Buster Brown/Chiquinho, que apesar de ter pior comportamento do que o Menino Amarelo, foi aceito por sua condição social melhor. As críticas eram por problemas sociais e não por motivos didáticos ou educacionais. Puro preconceito.
Desta feita, o autor se garantiu com os direitos autorais e, aliado ao filho, chegou a ter uma companhia em Chicago para explorar os negócios decorrentes.
No verão de 1928 ficou doente em sua casa e durante dez semanas teve complicações, até morrer no dia 25 de setembro do mesmo ano, com sessenta e cinco anos de idade.
Deixou para a posteridade um mundo infinito de outros personagens, amarelos, azuis, vermelhos (ou browns, marrons), negros, índios, pobres e ricos, meninos, garotos, astronautas, bichinhos, cachorros (como Tige) e mulheres, todos habitantes desse universo rico, imaginativo, colorido, infinito que é o habitat das histórias em quadrinhos da Terra e cercanias. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

SÍMBOLOS NOS SONHOS

Em muitas partes do mundo, o simbolismo dos sonhos é tratado com seriedade. Sábios interpretam imagens oníricas, que com frequência se julga terem sido enviadas pelos deuses, e as pessoas agem de acordo com essa "leitura". No Ocidente, no entanto, os sonhos são encarados em geral como algo desimportante, e as mensagens do inconsciente permanecem ignoradas pela maioria das pessoas. 
 O psiquiatra Sigmund Freud estudou o simbolismo dos sonhos e descobriu que grande parte deles se relaciona com a realização de desejos. Ele acreditava que refletem nossas vontades mais íntimas, geralmente enraizadas na infância, e entreviu aspectos sexuais ou eróticos em muitos deles. Seu discípulo Carl Jung julgava que seu simbolismo era mais profundo que a simples sexualidade, e incluía uma dimensão espiritual.
 Jung se admirava com o modo como pessoas e objetos comuns aparecem num contexto estranho e muitas vezes angustiante nos sonhos, e procurou entender o porquê disso. Segundo ele, muitas imagens oníricas são produtos diretos do inconsciente individual, que constitui uma amálgama pessoal de memórias e emoções profundamente soterradas em nós. 
 Uma escova de cabelo, por exemplo, pode evocar para uma pessoa o modo como era penteada, em criança, pela mãe, simbolizando a imagem do cuidado materno; outra pessoa, no entanto, pode ter sido atingida na cabeça por uma escova de cabelo, na infância, o que dará origem a associações bem diferentes. 
No quadro O Dorminhoco Inquieto, de René Magritte, uma pessoa sonha com vários objetos comuns e aparentemente sem relação entre si, de algum modo associados significativamente no inconsciente.