quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A CIÊNCIA NO CINEMA: JORNADA NAS ESTRELAS


A teoria sobre o combustível na nave Enterprise, da série Jornada nas Estrelas, é perfeita. Ela seria movida graças à colisão de matéria (atomos com núcleos positivos e elétrons negativos) com antimatéria (núcleos negativos e elétrons positivos), o que, de fato, é a maneira mais eficiente de gerar energia. Mas há um detalhe que não se esclarece. Uma reação como essa emitira fótons de altíssima potência energética, difíceis de ser controlados, que poderiam se espalhar pela nave, colocando a tripulação em perigo. Outro fenômeno, o teletransporte, do qual a série abusa, também não se explica. Os átomos do organismo - cerca de 1 000 000 000 000 000 000 000 000 000 - teriam de ser convertidos em impulso elétricos (energia), que, depois, seriam reconvertidos em carne e osso. Mas o único meio de transformar a matéria em energia é a reação explosiva com a antimatéria, que não deixaria um só átomo inteiro para depois ser retransformado. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A CIÊNCIA NO CINEMA: SUPER HOMEM


O Super-homem arriscou demais em SUPERMAN IV: EM BUSCA DA PAZ (1987), ao levar a mocinha ao espaço. Se o filme fosse cientificamente correto, ela morreria de frio, pois não resistiria a temperaturas inóspitas, abaixo de -250 graus centígrados, ou sucumbiria diante da falta de oxigênio. Além disso, estaria exposta a radiações cósmicas nocivas. Outro passeio espacial absurdo foi empreendido pelo herói em SUPERMAN, O FILME (1978). Voando velozmente em torno da Terra, ele reverte sua rotação, fazendo o tempo voltar. Mesmo que isso fosse possível, não daria certo, pois não há qualquer relação entre a rotação da Terra e o passar do tempo. Ainda nesse filme, ao levantar uma enorme rocha, na tentativa de conter um terremoto, o Super-homem afronta a terceira lei de Newton, segundo a qual para cada força existe outra igual, em direção oposta. No caso, a força contrária exercida pela rocha deveria enterrar o herói no chão - não importa a sua superforça, as rochas abaixo dele é que não suportariam o peso levantado. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

A CIÊNCIA NO CINEMA: JURASSIC PARK


A criação de dinossauros de proveta de Jurassic Park - Parque dos Dinossauros (1993) precisaria de monumental dose de sorte para se tornar realidade, mas parte de uma premissa correta. Teoricamente, insetos preservados em âmbar poderiam ter dentro dele restos de sangue de dinossauros, com parte do material genético, o DNA, conservado. Já se sabe que é possível pegar um pedacinho de DNA e aumentar sua quantidade replicando-o muitíssimas vezes. Isso tem sido feito para recuperar o mapa genético de animais e plantas extintos. O problema é que esse DNA vem muito incompleto. É como ter apenas uma parte do projeto de uma casa. Como adivinhar a arquitetura do resto? No filme, o quebra-cabeças é completado com material genético de outros bichos, como répteis e anfíbios de hoje. Mas nada, absolutamente, indica que isso funcione. 

sábado, 8 de dezembro de 2012

ANJOS SEDUTORES

Pense num daqueles atores que as mulheres acham irresistíveis. Leonardo DiCaprio? Tom Cruise? Que tal James Dean, o eterno rebelde sem causa? Ou Alain Delon no início da carreira? Uma pesquisa científica apontou o segredo que torna esses rostos tão atraentes. Todos eles ostentam uma delicadeza tipicamente feminina, em contraste com os traços rudes dos grandes machões do cinema, como Charles Bronson ou Kirk Douglas. 
Dois grupos de estudantes - um deles na Escócia e outro no Japão - participaram da experiênca, coordenada pelo psicólogo escocês David Perrett, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia. Os voluntários, homens e mulheres, tinham de apontar,entre os pares de rostos do sexo oposto exibidos numa tela de vídeo, quais despertavam mais atração. Esses rostos foram manipulados por computador, a fim de ressaltar as feições típicas de cada sexo. 
O resultado foi surpreendente. Os cientistas esperavam comprovar a teoria que atribui o poder de sedução masculino aos traços associados à virilidade, como o queixo anguloso, os lábios finos, as sobrancelhas grossas e o formato quadrado. Os rapazes se comportaram conforme o figurino - escolheram as mulheres de rosto ainda mais feminino do que a média. Mas as moças preferiram os rostos de homem alterados para realçar as características femininas - lábios grossos, queixo arredondado, sobrancelhas finas e formato alongado. 
TESTOSTERONA EM BAIXA
O espanto dos cientistas tem a ver com uma palavra: testosterona, o hormônio sexual masculino. Sabe-se que uma fisionomia viril é sinal de muita testosterona no corpo. Esse hormônio está diretamente associado à força física e à potência sexual - dois atributos vistos pelas mulheres, ao longo da evolução humana, como decisivos para a escolha do parceiro. Como, então, explicar a preferência das mulheres pelos rapazes com cara de anjo?
"Os traços femininos amenizam os sinais associados a comportamentos negativos, como a violência doméstica e a infidelidade conjugal", explicou Perrett, na revista inglesa Nature. Segundo ele, as mulheres atuais estão interessadas em um parceiro que se torne um bom pai - e é mais fácil imaginar que um homem de traços suaves se encaixe nesse figurino do que um outro com cara de machão. O papel do marido, afinal, mudou muito desde a Pré-História, quando se estabeleceram os padrões universais de beleza. Hoje em dia, é mais importante compartilhar as tarefas da casa do que ser capaz de abater um urso na entrada da caverna.

domingo, 2 de dezembro de 2012

10 DICAS PARA MELHORAR SUAS IDEIAS

1) COMBINE ELEMENTOS: Numa guerra, a combinação do canhão, uma peça de artilharia, com o trator, um equipamento agrícola, gerou o tanque. Numa famosa capa da revista VEJA, em 1991, o artista plástico goiano Siron Franco usou grãos de feijão e cereais para montar o retrato do sociólogo Betinho, que na época estava iniciando sua campanha contra a fome. Ninguém imaginaria que os alimentos pudessem ser usados daquela forma. 
2) QUE TAL SUBSTITUIR? Por falta de material apropriado, um trabalhador pendurou uma lâmpada dentro de um balde de plástico vermelho para sinalizar uma obra numa estrada. A solução foi tão eficiente que, mais de vinte anos depois, pode ser vista em qualquer rodovia brasileira. Outro exemplo: um jato americano, na década de 50, passou pela pista de pouso de um porta-aviões e não conseguiu parar. No sufoco, o piloto soltou seu pára-quedas sem ejetar a cadeira e o artefato segurou o  avião. O método deu tão certo que foi adotado até pelos ônibus espaciais. 
3) EXAGEEEEEEEERE: O mais famoso sanduíche do mundo, o Big Mac, foi criado em 1967 pelo gerente de uma das lanchonete da rede McDonald's, nos Estados Unidos. Violando as regras da empresa, ele decidiu oferecer um sanduíche maior do que o normal. Deu no que deu. É o princípio do Jumbo 747 e dos petroleiros. Peça obrigatória no arsenal dos publicitários, o exagero foi também a estratégia do arquiteto Solano da Ros para conquistar a namorada em 1982. Ele espalhou pelas ruas de Curitiba treze outdoors com declarações de amor. A moça não resistiu. 
4) OU ENTÃO REDUZA: É um caminho mais usado do que o seu contrário, o exagero. Hoje em dia, todos os produtos eletrônicos tendem a ser cada vez menores - do telefone celular ao computador. Cada conquista no rumo da miniaturização implica criatividade. Simplificar foi também a solução encontrada por um participante de um concurso na Inglaterra. Ganharia o prêmio quem apresentasse o trabalho mais original, feito com retoques em fotos de Adolf Hitler. Surgiram todos os tipos de resultado: Hitler com solidéu judaico, na cama com Madonna, fumando maconha. Porém a peça premiada foi uma foto oficial do Hitler... sem bigode!
5) INVERTA A SEQUÊNCIA: Se houvesse um prêmio de 50.000 reais para quem vencesse os campeões mundiais de tênis e de xadrez, como você faria para ganhar? Um dica: jogue tênis com um campeão de xadrez e xadrez com o campeão de tênis. 
6) MUDE SEU PONTO DE VISTA: Vire o seu problema de cabeça para baixo, só para ver que bicho dá. Muita gente queria inventar o hidroavião, mas ninguém sabia como fazer. A maioria das tentativas girava em torno do conceito de um barco voador. Somente quando o engenheiro americano Ernest Stout bolou um avião capaz de decolar e pousar na água o problema foi solucionado. 
7) DESCUBRA NOVOS USOS: Às vezes as grandes ideias surgem quando você menos espera. E podem ser aplicadas de maneiras que você nunca imaginou. O pirex, vidro que pode ser levado ao forno, foi criado quando os antigos faróis das locomotivas, feitos para resistir ao calor, se tornaram desnecessários devido à chegada dos trens elétricos. 
8) INVERTA O RUMO: Seguir na direção contrária à da maioria às vezes dá bons resultados. Havia no Canadá um parque onde viviam ursos mansos. Apesar de uma placa na entrada pedir aos frequentadores para que não alimentassem os ursos, sempre aparecia alguém que dava comida aos animais. Muitos deles adoeciam e até morriam. A administração do parque decidiu colocar uma placa maior, mas os visitantes continuavam dando comida aos ursos. Foi quando alguém teve a ideia de inverter o recado, que ficou assim: Aviso aos ursos: este parque está infiltrado de meliantes que, fingindo ser seus amigos, envenenam vocês com pipocas, batatinhas e biscoitos. Fujam desses assassinos!" Dessa vez, funcionou. Um exemplo clássico é o do surgimento do aspirador. Seu inventor, Hubert Booth, cansou-se de tentar construir uma máquina que soprasse o pó de cima dos móveis e chegou á conclusão que poderia ser mais inteligente aspirá-lo. 
9) OUSE ADAPTAR: O inventor e diplomata americano Benjamin Frankilin (1706-1790) adaptou duas lentes normais em uma só e criou a lente bifocal. Algumas das adaptações mais geniais são as mais simples, como a de instalar uma borracha na extremidade dos lápis. Adaptação também pode ser sinônimo de oportunismo, no bom sentindo, como no episódio dos publicitários que aproveitaram a conquista da Lua pela espaçonave Apollo 11, em 1969, para um anúncio do Fusca: "É feio, mas leva você lá". Foi um sucesso. 
10) NÃO FAÇA NADA: Calma. Não se trata de se omitir nem de cruzar os braços por medo ou preguiça. A criatividade, às vezes, pode se resumir a aplicar o princípio do matemático do zero. O inventor americano Thomas Edison (1847-1931) só chegou à sua lâmpada quando resolveu colocar nada - ou seja, vácuo - dentro da retorta. Nos primeiros tempos do automóvel, os pneus eram vendidos, nas lojas, envoltos, como múmias, em papel. Durante décadas, procurou-se uma solução mais prática, até que, finalmente, um gênio resolveu o problema e decidiu que o pneu não precisava de embrulho.

Reportagem de Luciana Garbin

sábado, 1 de dezembro de 2012

A FELICIDADE NA FILOSOFIA

"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente" 
Érico Veríssimo em Olhai os Lírios do Campo

Os primeiros a falar em felicidade foram os antigos gregos, no século VII antes de Cristo. Desde então, a maneira de defini-la mudou muito. 
TALES DE MILETO (624-545 a. C.), um dos primeiros filósofos gregos, não distinguia a felicidade do prazer sensual e da saúde física. Feliz, para ele, é "aquele que tem o corpo sadio, forte, e uma alma bem formada". 
Para PLATÃO (427-347 a.C.), porém, a felicidade está relacionada com a virtude, e não com o prazer. Na sociedade grega da época, virtuoso era quem seguia os preceitos da moral e cumpria seus deveres. ARISTÓTELES (384-322 a.C.) identificou vários graus de felicidade e atribuiu o valor máximo à sabedoria.
Um dos maiores filósofos cristãos da Idade Média, o italiano SANTO TOMÁS DE AQUINO (1228-1274), definiu a felicidade como "beatitude", a comunhão total com Deus. Ela não tem, portanto, qualquer relação com os bens terrenos e só pode ser obtida com uma dádiva divina. A partir do Renascimento, a noção de felicidade voltou a ser vinculada ao prazer, como era na Grécia antes de Platão. 
O inglês JOHN LOCKE (1632-1704) afirmou que a felicidade "é o maior prazer de que somos capazes, e a infelicidade a maior pena". O alemão GOTTFRIED WILHELM LEIBNIZ (1646-1716) concordava, e a definiu como "um prazer durável, o que não pode acontecer sem um progresso contínuo em direção a novos prazeres". Com a escola utilitarista, a ideia ganhou um cunho social. O inglês JEREMY BENTHAM (1748-1832) tornou célebre sua fórmula segundo a qual "o objetivo correto de qualquer ação é o de produzir a maior felicidade para o maior número de indivíduos". Para o seu compatriota JOHN STUART MILL (1806-1973), a felicidade depende de circunstâncias objetivas e, por isso, só pode ser obtida pelo homem enquanto membro da sociedade. 
Já o alemão IMMANUEL KANT (1724-1804) a via como uma meta inatingível, já que depende da realização de todas as necessidades, inclinações e desejos do homem. Também o alemão, ARTHUR SCHOPENHAUER (1788-1860) era ainda mais pessimista. Para ele, o que existe é apenas a ausência de dor ou de privação, à qual se seguirá, infalivelmente, um novo sofrimento.
A filosofia do século XX dá pouca importância ao assunto. O francês JEAN-PAUL SARTRE (1905-1980) se interessava mais pela angústia, apontada como uma consequência inevitável do fato de o homem ser livre para fazer suas próprias escolhas. Em compensação, a felicidade se tornou um dos temas prioritários na obra do austríaco SIGMUND FREUD (1856-1939), o fundador da Psicanálise. Segundo Freud, "o conjunto da nossa atividade psíquica tem por objetivo nos proporcionar o prazer e fazer-nos evitar o desprazer."

Trecho tirado da revista Superinteressante Maio 1999 escrito por Mariana Fernanda Vomero.