terça-feira, 31 de agosto de 2010

HENRI CARTIER-BRESSON



Como durante este mês de Setembro estaremos trabalhando os grandes fotógrafos nas nossas oficinas, iniciarei falando do chamado "pai do fotojornalismo": Henri Cartier-Bresson. Não encontrei muita coisa traduzida dele na internet. No Youtube tem um vídeo de baixa qualidade com uma entrevista dada pelo próprio pouco antes de sua morte. Para quem se interessar o endereço é http://www.youtube.com/watch?v=cqzT0W_KLUw&feature=related . Henri Bresson é um francês de classe média alta que tem uma formação clássica, tendo sido, inclusive, um artista plástico. Pode-se dizer que sua perspectiva de vida, gênio forte e até mesmo uma certa arrogância que parece ser inerente aos percursores desta profissão foram talhadas pelo período em que viveu. Tendo inclusive lutado na segunda guerra e ficado confinado à um campo de concentração acabou fazendo de sua vida uma busca constante do momento histórico e das relações pessoais. Segundo ele mesmo, este olhar capaz de perceber o momento é um talento e quase sempre dava a entender que é muito difícil para quem não tem o "dom" aprender a desenvolver este olhar. Foi o fundador da lendária Agência Magnum que acabou influênciando toda a produção fotográfica mundial a partir de sua fundação tendo criado outros nomes lendários da fotografia. Em seu livro "O Momento Decisivo", Bresson fala um pouco a respeito de sua formação. Veja alguns trechos tirados do livro e as imagens que ele estava batendo no período.


" Em 1931, quando tinha vinte e dois anos, viajei à África. Na Costa do Marfim comprei uma câmara-miniatura de um tipo que nunca tinha visto antes e nunca veria depois. Era fabricada pela firma francesa Krauss. Empregava filme parecido ao de 35mm sem os dentes laterais. Durante um ano tirei fotos com ela. Ao voltar para a França, revelei os filmes - não tinha sido possível antes pois vivi isolado na mata a maior parte daquele ano - e verifiquei que a umidade tinha penetrado no aparelho: todas minhas fotos haviam sido embelezadas com os padrões superimpostos de samambaias-gigantes."


A REPORTAGEM ILUSTRADA

"O que vem a ser uma reportagem fotográfica, uma reportagem ilustrada? Às vezes existe uma única foto cuja composição possui tanto vigor e tanta riqueza, cujo conteúdo irradia tanta comunicação, que esta foto em si é toda uma história. Mas isso raramente acontece. Os elementos que, juntos conseguem tirar faísca de um assunto estão frequentemente dispersos - em termos de espaço e tempo - e uni-los por meio da força me parece trapaça. Mas se for possível, fazer fotos do "cerne" bem como de faíscas dispersas do assunto, temos então uma reportagem fotográfica; e a página serve para reunir os elementos complementares que se acham dispersos através de várias fotografias. A reportagem fotográfia ilustrada envolve uma operação conjunta do cérebro, do olho e do coração. O objetivo dessa operação conjunta é retratar o conteúdo de algum acontecimento que esteja em vias de se desenrolar e comunicar impressões. Às vezes, um acontecimento isolado pode ser tão rico em si e em suas facetas, que será necessário cercá-lo de todas as formas em busca de uma solução para os problemas que ele suscita: o mundo é movimento e ninguém pode permanecer estático em sua atitude relativamente às coisas que se movem. Algumas vezes chegamos à foto em questão de segundos; mas ela poderia requerer também horas ou dias. Não existe nenhum plano padronizado, nenhuma regra que oriente o trabalho. A ordem é manter o cérebro alerta, o olho e o coração alerta; e ter elasticidade no corpo."

domingo, 29 de agosto de 2010

ARAKAWA UNDER THE BRIDGE

Em 2010 sairam muitos animes interessantes. Aparentemente, enquanto na terra do Tio Sam os quadrinhos e as animações estão tentando superar a crise criativa desencadeada pela greve dos roteiristas, no Japão, os mangakás estão se desdobrando para criar histórias cada vez mais surpreendentes. Arakawa faz o estilo non sense, com um humor capaz de esbarrar em assuntos contemporâneos relacionados à valores do mundo consumista da forma mais hilária e despojada possível. Ela fala a respeito de um jovem empresário milionário que devido a alguns incidentes acaba tendo de conviver com pessoas alucinadas que vivem embaixo de uma ponte. Para quem gosta do gênero ou simplesmente quer ver algo diferente é divertimento garantido. Você pode baixar o seriado completo no endereço:
http://www.hinata.xpg.com.br/paginas/index2.php?page=caio/arakawaunder.html

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

HISTOGRAMAS

Vira e mexe, lá tá o curioso clicando em tudo quanto é botão da máquina digital e vai que aparece um gráfico ondulante que mais parece a figura de um gato sendo eletrocutado. Pois é, o nome dessa figura estranha é histograma. E pra que serve isso? Para você conseguir checar a regulagem da exposição. Pra quem não lembra, exposição é a quantidade de luz, controlada pela abertura e pela velocidade do obturador, que chega ao sensor da imagem. Pois bem, quando você quiser uma exposição perfeita, ou seja, com a luz entrando de forma uniforme na máquina, o seu gráfico vai ter de ficar com a aparêncai de uma cadeia de montanhas. Quando uma imagem fica superexposta, ou seja, com excesso de luz, você vai ser surgir um vale no meio da sua cadeia de montanhas. Quando a imagem fica subexposta, ou seja, com pouca luz, você tem picos extremos de um dos lados do histograma. A melhor forma de constrolar as informações do gráfico é experimentando para poder compreender esta teoria. Experimente ambientes com diferentes níveis de iluminação e veja como a sua máquina está reagindo. Dominando isso, você vai poder dominar melhor a luz e dar um pulo de qualidade na construção de suas imagens.

domingo, 22 de agosto de 2010

FORMATOS DE ARQUIVO DE FOTOS DIGITAIS

Fotos digitais podem ser criadas em três tipos diferentes de arquivo: JPEG, TIFF e RAW. Cada formato tem seus pontos positivos e negativos. É responsabilidade do fotógrafo determinar qual o melhor formato a ser usado. De modo geral, se você quiser mandar uma imagem por e-mail, use o formato JPEG. Se estiver trabalhando com um programa mais sofisticado de manuseio de imagens, pode preferir o TIFF. Se quiser criar impressões grandes do seu trabalho e ajustar as cores de acordo com o seu gosto, use o formato RAW. Hoje vou entrar em mais detalhes com a JPEG por ser a mais popular.
JPEG: Essa sigla significa Join Photofraphic Experts Group (Grupo de Especialistas em Fotografia), o grupo de fotógrafos que se reuniu originalmente para discutir formatos. Pra quem é mais novinho, não deve se lembrar, mas baixar uma imagem pela net uns 10, 15 anos atrás exigia uma paciência de monge. Nesta época surgiram as primeiras compactações de imagens que estão aí até hoje: o GIF e o BITMAP. Depois surgiu o JPEG que se tornou tão popular que boa parte das máquinas fotográficas digitais já é gerada automaticamente em JPEG a não ser que você mode as configurações. Um arquivo JPEG é um formato de imagem comprimida, de tamanho reduzido em megabytes. Por isso é muito usado em anexos de e-mail. No entanto, o processo de compressão geralmente resulta em perda de qualidade na imagem. Em câmeras reflex digitais de alta qualidade, use os ajustes de maior qualidade de 10-12 se você tiver espaço em memória para tanto. O JPEG também é multiplataforma. Isso significa que a mesma imagem pode ser visualizada tanto em Macs quanto em PCs.

sábado, 21 de agosto de 2010

OLHOS VERMELHOS


Calma! Nada a ver com os fãs do (argh!) Crepúsculo. Estou falando do temido efeito dos olhos vermelhos na fotografia. O visual de vampiro é causado pelo flash refletido nos vasos sanguíneos no fundo do olho, visíveis através da pupila quando está dilatada em condições de pouca iluminação. O modo de redução de olhos vermelhos, encontrado na maior parte das câmeras automáticas, ajuda a atenuar o problema, seja por uma seqüência de pequenso flashes ou pelo uso de um feixe de luz incandescente antes do disparo do flash normal, assim deixando as pupilas menos dilatadas. Isso ajuda, mas não elimina o problema completamente. No tempo jurássico do filme, quando eu levava meu tiranossauro rex pra passear, a maneira mais fácil de dar conta desse efeito horroroso nas fotos de família era usar um acessório fotográfico de baixíssima tecnologia - uma canetinha preta de tinta indelével - para retocar com cuidado as pupilas brilhantes das cópias. No entanto, hoje em dia, graças ao santo para todas as horas PHOTOSHOP e copinhas fuleiras, arrumar esse problema é coisa de criança vesga com duas mãos esquerdas.

GIS, O RETORNO

Tá bom. Andei em falta estas últimas semanas com o meu propósito de postar uma coisa por dia. Parece até promessa de ano novo. Mas vou tentar me redimir e continuar postando diariamente um assunto. Afinal já chegamos a 3000! Nossa, se eu ganhasse um real por cada visita já tinha feito um pé de meia, rs. Bom, então como estou perdoada (ah, nada como uma mensagem pública em um tempo não real), vou reiniciar as postagens.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

LITERATURA E CINEMA NA INTERNET

Se você é do tipo que gosta de fazer listas de filmes que você já viu ou livros que já leu, essa dica é especialmente para você. Pode aposentar o seu caderninho de anotações, a partir de hoje você fará isso online.
Embora não sejam sites muito novos, eles ainda não estão amplamente difundidos pela rede, e é por julgá-los úteis demais para mim que eu estou fazendo esse post. Estou falando do Skoob e do Filmow.

Skoob, pra quem não se tocou, é books ao contrário. Você se cadastra e começa a botar na sua estante virtual os livros que você já leu, vai ler e os que você abandonou. Há, ainda, espaço para resenhas e comentários, fora as avaliações de 0 a 5 estrelas. Você pode escolher a edição que vai deixar em sua estante e marcar os seus favoritos, os que você realmente tem e os que você quer trocar (o sistema de trocas, no entanto, não é garantido pelo site, ficando por conta dos usuários envolvidos). Além disso, há uma ferramenta interessante, que é o paginômetro: ele soma todas as páginas dos livros que você cadastrou e te mostra a somatória, o que acabou causando o ponto mais negativo do site, na minha opinião: as pessoas que queriam aumentar o número de seu paginômetro para dizer “olha quantas páginas já li” começaram a cadastrar compulsivamente gibis e revistas (houve inclusive um caso da bula do Gardenal, que foi rapidamente resolvido). A equipe do site diz que em breve arrumará essa questão, mas até agora nada.
Recentemente o Skoob sofreu um update e agora o lado social do site está melhorado. Antes, você só adicionava as pessoas, trocava recados e via a compatibilidade de leituras com seus amigos. Agora, o site conta com comunidades e perfis dos autores (uma espécie de orkut).

O Filmow funciona mais ou menos como o Skoob, só que com filmes. Você se cadastra e vai procurando pelos filmes que já viu, podendo, também, botar os que você quer ver, os que você não quer e os seus favoritos. Em seguida, você os classifica de 0 a 10 e pode também comentá-los (alguns desavisados se esquecem de botar o aviso de spoiler, por isso não recomendo que você leia os comentários de um filme que você quer muito ver). Também pode adicionar amigos e ver a sua compatibilidade cinéfila, que é baseada nas avaliações que as duas pessoas fizeram. Há um espaço para álbum de fotos, o que me parece totalmente inútil, e você também pode marcar os seus ídolos entre os artistas. Gosto mais desse, mas ambos os sites são bacanassos... Enjoy it! :-)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

HISTORYPIN

Se você é fã de fotografias antigas sobrepostas a outras mais modernas, você vai adorar esse novo projeto da Google. Chamado Historypin, é um movimento de crowdsourcing (o crowdsourcing é o “novo lugar da mão-de-obra barata": pessoas no dia-a-dia usando seus momentos ociosos para criar conteúdo, resolver problemas e até mesmo para pesquisa e desenvolvimento), interativo, onde você faz o upload de fotos antigas, inclui alguma história e então as marca no Google Maps. Mas qual é o ponto? Diminuir a diferença entre as gerações. Até o momento cerca de 15.000 fotos e histórias já foram marcadas.

1945, Nova York, Nova York



1926, Cornhil
l, Londres, Inglaterra



1952, Johnston Terrace, Edinburgh, Escócia


1955, Spring Street, Los Angeles, Califórnia




1880-1890, Kensington Terrace, Leeds, Inglaterra

ESCULTURAS DE A4

Ok, vocês já devem ter percebido que eu gosto muito de esculturas, né? Rs. Pois bem, enquanto a maioria de nós usa papel simplesmente para usar como rascunho, ou para escrever na escola ou no trabalho, Jeff Nishinaka usa o papel para fazer essa arte.
Usando apenas papel branco, cola e uma faca, ela cria esculturas únicas variando de paisagens à vida natural.







ESCULTURAS PSICODÉLICAS

Não recomendo à ninguém que veja o trabalho de AJ Fosik quando estiver sobre os efeitos de drogas psicodélicas. (brincadeira, rs) Bem, o artista da Filadélfia (E.U.A) faz esculturas de animais intrínsecas usando-se de padrões simétricos e rítmicos que deixam qualquer pessoa intrigada.

O que é mais impressionante sobre o artista é o número limitado de ferramentas que ele usa, que incluem apenas madeira, tinta e pregos.





MUTAÇÕES A INVENÇÃO DAS CRENÇAS

O Sesc da Vila Mariana está com uma proposta muito legal para quem se interessa em como foi construída a nossa visão cultural que tanto influencia a nossa arte. É tudo de graça. O problema é a lonjura: ainda acaba se gastando no transporte. Mas mesmo assim, pra quem puder ir, é bem interessante. Fica na rua Pelotas, 141. Inscrições devem ser feitas pelo porta SESC SP http://www.sescsp.org.br/ ou em qualquer unidade do SESC SP. Informações no E-mail mutacoes@vilamariana.sescsp.org.br e o telefone de contato 5080-3008 de terça a sábado das 10h às 19h. As conferências sempre começam as 19h30.
Veja a programação
13/08 - FÉ E SABER com OSWALDO GIACOIA JUNIOR
A partir da atualidade do problema da invenção das crenças se reportar, como questão filosófica, à oposição entre fé e saber - que encontra uma versão bastante provocativa na filosofia de Friedrich Nietzche - , a conferência buscará explorar muitas das reflexões nietzchianas sobre as relações entre ciência e fé a partir das coordenadas da epistemologia, da moral, da política, da religião e da estética.
18/08 - CIÊNCIA E RELIGIÃO: CRENÇA CONTRA A CRENÇA? com SERGIO PAULO ROUANET
A conferência terá por ponto de partida a distinção tipicamente iluminista entre a crença baseada no testemunho e a baseada no objeto. Como exemplo da primeira, pode-se citar a "autoridade" do testemunho dos apóstolos de que Cristo ressuscitou no terceiro dia. A crença baseada no objeto é que aquela que irá dizer ser a neve branca, ou que "dois mais dois é igual a quatro". O primeiro tipo de crença é o que chamamos de "fé", e só elas podem ser cognominadas de "crenças", no sentido próprio. O segundo tipo pertence ao domínio da ciência. Por último, será discutida a coexistência de um fanatismo religioso que utiliza as armas da ciência e a técnica (terrorismo islâmico) e de uma ciência que prega o ateísmo como se fosse uma guerra santa (Richard Dawkins), bem como a tentativa de "mediação" entre as duas proposições empreendida por Habermas.
19/08 - ARMADILHAS DA HISTÓRIA UNIVERSAL com MARCELO JASMIN
A crença de que a humanidade está submetida a uma história universal parece ter perdido sua naturalidade no mundo contemporâneo. As dramáticas experiências vividas desde a Segunda Guerra Mundial obrigaram à busca de formas alternativas para a orientação do agir que não as inscritas nas filosofias da história. Dado que muitas comunidades sobreviveram e sobrevivem sem a história, tem-se claro que ela não é uma necessidade natural da humanidade e sim uma invenção civilizatória, em nosso caso grega. Assim, a indagação básica que se faz é se poderíamos prescindir de uma crença na força da história.
20/08 - EVIDÊNCIA, EXPERIÊNCIA E CRIAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO com RENATO LESSA
Discursos a respeito da verdade podem se exprimir por meio de três modos fundamentais: o modo da prova, o modo da demonstração e o modo da persuasão, todos a exigirem a presença de modalidades de crença específicas a cada um deles. Será ainda explorado outro modo de fixação da verdade, qual seja a presença da "evidência" como atributo essencial, bem como a natureza das crenças envolvidas nesse ato de crer em uma evidência.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

EVGEN BAVCAR, O FOTÓGRAFO CEGO

Pois é, quando você acha que já viu de tudo... não é que tem um fotográfo que é cego? Ainda estou procurando pelo mudo que canta mas pelo menos esse existe mesmo. Mas se paramos para pensar é fácil de perceber que o mundo existe independente de você enxergá-lo ou não.
O mundo não é separado entre os cegos e os não cegos. A fotografia não é exclusividade de quem pode enxergar. Nós também construímos imagens interiores. Quem afirma isto à exaustão é Evgen Bavcar, fotógrafo, filósofo e cineasta. Nascido na Eslovênia, Bavcar ficou cego aos 12 anos de idade em dois acidentes. O olho esquerdo perdeu a visão quando perfurado por um galho de árvore. O olho direito foi afetado durante a explosão de um detonador de minas com o qual ele brincava. Em oito meses havia perdido a visão completamente. Por volta dos 17 anos, Bavcar conheceu a fotografia através de sua irmã, que lhe emprestou uma câmera fotográfica para que ele fotografasse uma menina do colégio por quem era apaixonado. Desde então, ele afirma ter descoberto uma forma de exteriorizar suas imagens interiores e comunicar-se com os outros.
Doutor em História, Filosofia e Estética pela Universidade de Sorbonne, na França, Bavcar vive em Paris e viaja o mundo, mostrando às pessoas que a imagem não precisa ser explicitamente visual. Bavcar esteve no Brasil no final do ano passado participando do congresso Arte Sem Barreiras, em Belo Horizonte. Durante a visita ao Brasil, também ministrou um workshop para um grupo do Instituo Londrinense de Cegos. Durante o workshop, mostrou que os cegos enxergam com o toque e desenvolvendo outros sentidos é possível perceber o mundo com a mesma eficiência que aquelas pessoas que empregam apenas o sentido visual. Também ensinou conceitos como sombras e horizontes para cegos de nascença. O teu horizonte é ate onde você pode ver. Se você vê com as mãos, logo o teu horizonte é até onde você pode tocar.
Poliglota, fala francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, esloveno e servo croata. Sempre causando polêmica por onde passa, Bavcar não se intimida diante daqueles que não admitem que um cego possa fotografar. Para a execução das suas fotos, conta com a ajuda de sua irmã e com técnicas desenvolvidas ao longo dos anos. Entre algumas características do seu trabalho, destaca-se a composição da luz em contraste com ambientes totalmente escuros.
Freqüentemente também usa a técnica de multi-exposições e procura sempre interferir em seus trabalhos. Veja a seguir algumas fotos dessa pessoa tão singular.
























quarta-feira, 4 de agosto de 2010

LITERATURA E VESTIBULAR

Bom, vou dar uma colher de chá pra quem tá na época do vestibular ou ENEM ou uma destas coisas aí que inventam pra deixar pobre fora de faculdade. Serão promovidas no município palestras interativas nas quais professoras e especialistas em literatura analisam obras literárias que integram o programa dos vestibulares FUVEST e UNICAMP, com ênfase nos aspectos mais cobrados nas provas.
DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS
Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato
Rua Jurubatuba, 1415, Centro. Fone: 4330-2888, dia 14/8 - sáb - 10h
O AUTO DA BARCA DO INFERNO - GIL VICENTE
Biblioteca Pública Municipal Guimarães Rosa
Av. João Firmino, 900, Bairro Assunção.Fone: 4351-5422, dia 18/8 - 19h
VIDAS SECAS - GRACILIANO RAMOS
Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis
Av. Araguaia, 284, Riacho Grande. Tel: 4351-5422
A CIDADE E AS SERRAS - EÇA DE QUEIRÓS
Biblioteca Pública Municipal Guimarães Rosa
(tou com preguiça olha aí em cima)
O CORTIÇO - ALUÍSIO DE AZEVEDO
Espaço Troca Livro
Av. Francisco Prestes Maia, 624, Centro. Tel: 4122-5983. 28/8 - sáb-10h
Aproveita que tem a feira e já come um pastel.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

EUGÊNIO COLONNESE

Para quem acha que no Brasil nunca existiu isso de desenhista e roteirista em quadrinhos fazendo sucesso em terras tupiniquins, Eugênio Colonnese surge como uma dessas excessões à regra. Filho de mãe brasileira e pai italiano, ele começou a carreira em 1949 quando morava na Argentina. Mudou para o Brasil em 1964 e fixou-se em São Paulo. Na época o gênero mais popular de quadrinhos no Brasil eram as histórias de terror, por isso o primeiro personagem de sucesso foi Mirza, a mulher vampiro, criada em 1967. No mesmo ano e na mesma revista criou o Morto do Pântano, que mais tarde co-estrelou encontros com Mirza.

Eugênio Colonnese foi um grande precursor de tendências. Sua personagem mais conhecida, Mirza, precedeu sua símile americana Vampirella, outra personagem vampírica que também tinha histórias com um certo enfoque na sensualidade. Muitos leitores de quadrinhos brasileiros da época pensaram no entanto que Mirza fosse um Plágio de Vampirella.

Colonnese veio a falecer dia 7 agosto de 2008, em São Paulo por falência multipla dos órgãos devido à problemas de saúde ocasionado por um AVC que ele teve em junho, decorrente do consumo intenso de cigarros.
Em São Bernardo do Campo a Gibiteca Municial que agora fica no Centro Livre de Artes e Visuais, estará fazendo uma exposição com a arte de Eugênio Colonnese. O bate papo com os quadrinistas Rodolfo Zalla, Osvaldo Talo e Roberto Guedes será no dia 11 de agosto as 19h. Para quem gosta de caricaturas, no dia 13, quinta, as 19h haverá um bate papo com o cartunista Márcio Baraldi e caricaturas ao vivo com o cartunista Elton. O worshop para introdução à linguagem dos quadrinhos irá ocorrer no dia 14 às 14hs com o quadrinista Marcos Vinícius Esequiel da Silva. O endereço é Rua Tasman, 301, Jardim do Mar, na Cidade das Crianças. Grátis.

domingo, 1 de agosto de 2010

DE QUE SÃO FEITOS OS SONHOS


Poucos dias antes de seu assassinato, o presidente americano Abraham Lincoln (1861-1865) teria tido um sonho vívido sobre sua própria morte. Paul McCartney ouviu a melodia de "Yesterday" durante o sono, mas acordou cantando as palavras "ovos mexidos". E Freud e Jung tinham uma ou duas coisas a dizer sobre os onhos.


O reino do insconciente do pintor Salvador Dali há muito oferece sugestões formidáveis de simbolismo e profecia. E, embora a ciência questione décadas de suposições sobre a importância e o significado dos sonhos, muitas pessoas ainda os consideram um poço sem fundo de sabedoria e orientação.


Em seu novo filme "A Origem", o diretor Chritopher Nolan criou efeitos especiais futuristas para evocar as estratégias subconscientes de um especialista em espionagem mental que planta e extrai informações enquanto seus sujeitos dormem. O resultado é uma torrente enlouquecida de ação, ambientes surreais e personagens que podem ou não existir.


Conforme escreveu A. O. Scott, do "New York Times", em resenha, "O insconciente, como sabia Freud ( e Hitchcock, e muitos outros grandes cineastas), é um lugar extremamente desgovernado, um labirinto de desejos inadmissíveis, segredos confusos, anedotas e medos".


Alguns atores, incluindo Meg Ryan e Harvey Keitel, estão recorrendo a essa mesma realidade inconsciente para burilar sua arte. Em oficinas em Nova York e Los Angeles, eles usam a psicologia junguiana para representar papéis de seus próprios sonhos.


"Os atores estão sempre buscando formas de se aproximar da psicologia, da vida, da experiência dos personagens que estão criando", disse Keitel ao "Times". E acrescentou: "O trabalho com o sonho trouxe mais uma ferramenta para o ator - nós encenamos nossos sonhos, nós os colocamos de pé".


Os não artistas também podem receber um "Feedback" sobre seus sonhos, sem os custos de um psicanalista. Em grupos que estão proliferando em alguns países, as pessoas abrem seus sonhos à discussão.


Contar seu sonho para um grupo de pessoas pode ser uma experiência muito intensa. Isso traz diferentes perspectivas, que iluminam aspectos do sonhos que talve você não percebesse sozinho.


Mas, apesar de nossa constante busca por poesia, significado e orientação nos sonhos, a neurociência pode estar se inclinando para uma interpretação mais prosaica. Os sonhos podem ser mais fisiológicos do que psicológicos, simplesmente uma sintonização para a vigília consciente. Alguns cientistas defendem a teoria de que nossos cérebros, divorciados dos sentidos da vigília durante o sono, continuam disparando impulsos aleatórios para manter as coisas funcionando suavemente. Alguns afirmam que o sonho é apenas a consciência trabalhando sem a ajuda dos sentidos.


Quanto a símbolos e profecias portentosos, um estudo com mil estudantes sugeriram que o viés do interesse próprio tem um papel importante em como interpretamos nossos sonhos. Em outras palavras, nós vemos o que queremos ver.


No caso de Freud, era sexo. Lincoln poderia ter um desejo de morte. E Paul McCartney talvez quisesse apenas o café da manhã.