quinta-feira, 31 de março de 2011

CORES

Continuando com as anotações sobre cores, sempre importantes para quem faz criação visual:

ROXO - Resultado das duas cores mais opostas tanto física como psicologicamente, o roxo combina a paixão do vermelho com a passividade do azul. Considerada a cor da realeza, foi muito usado no antigo Império Romano. Para produzir uma minúscula quantidade de corante, esmagavam-se quilos de murices, uma espécie de molusco.


A PERSONALIDADE DAS CORES - Cientistas e designers descobriram que pessoas extrovertidas costumam preferir a estimulação das cores quentes e luminosas. Os introvertidos rodeiam-se de cores frias. Esta teoria quente-frio também traz conseqüências físicas. Os tons mais quentes e brilhantes são chamados de cores centrífugas, porque puxam nossa atenção para fora - fazem com que a gente se sinta atraída e interessada pelo espaço que nos rodeia. As cores mais frias, suaves e escuras, são centrípetas, intensificam nossa concentração em tarefas e problemas. Escritórios onde a atividade sedentária é grande são beneficiados quando pintados com essas cores.


O VERDE QUE CURA. Se esta é a sua cor favorita, você é enérgica e está em paz com o mundo. A cor da natureza, o verde reduz a tensão nervosa e o esforço visual e, por isto, predomina nas telas dos computadores. Se você mora em uma cidade grande, onde as ruas, as calçadas e os prédios são cinzentos, imagine que está "morta de fome" de verde. Para ressuscitar a pessoa selvagem e forte que existe dentro de você, pinte pleo menos uma das paredes de seu apartamento de um verde profundo. Outra particularidade desta cor: ela parece fazer o tempo passar mais rápido... ótimo para pintar salas de estudo e escritórios.


SUA PERSONALIDADE NAS CORES - Você é a pessoa mais indicada para escolher as cores. Não deixe ninguém pressioná-la. Muitos decoradores costumam, até mesmo, indicar cores que contrastam com a personalidade do cliente. Extrovertidos são obrigados a conviver com cores frias, para acalmá-los; e introvertidos com tons quentes, para animá-los. Este é o pior dos erros. Pesquisas recentes mostram que as coisas que nos rodeiam têm de combinar e não contrastar com nossa personalidade. Além disso, é preciso avaliar a função de cada ambiente e a forma como pretende decorá-lo. Se vê a sala de estar como um lugar para a família se reunir ou receber amigos, então cores quentes, centrífugas são a melhor escolha. Mas se pretende que este seja seu refúgio, azuis e verdes, cores centrípetas, irão ajudá-la a passar horas "preguiçando" em sua poltrona preferida. Seu quarto será mais sexy pintado em cores que acendem você. Geralmente, quanto mais força cromática a cor tem, mais excitante é. Mas mesmo que o vermelho tenha um apelo sexual universal, é melhor limitá-lo a detalhes. Contrastes fortes e estampas grandes podem fazê-la pular da cama cedo, mas quem tem insônia ou aqueles que dormem tarde irão preferir cores frias, tons não agressivos. Muitos decoradores acham que o banheiro é um dos locais mais importantes da casa. É o primeiro lugar onde você entra de manhã e o último de onde sai à noite. Pêssego, coral ou rosa trazem paz à alma. Tudo que você precisa agora é uma cartela de cores. Escolha a cor da parede que irá dominar o espaço de acordo com a sua personalidade, com suas preferências e com a função do local. Procure então na cartela a cor oposta, ou complementar, para dar o toque no carpete, estofados, cortinas...


VERMELHO - O vermelho domina todas as cores. Se é sua preferida, você é sociável, passional e gentil com todo mundo. O vermelho aumenta o calor da pele, a temperatura do corpo, os hormônios e a atividade sexual. Psicologicamente é excitante e alarmante - e, por isso, usado nos sinais de trânsito. A cor do fogo e do sangue, o vermelho faz com que a gente desvie a atenção de nós mesmos para o mundo em volta. Por isso, é a cor perfeita para estimular as idéias. E mais: atrai os homens. Nunca falha. Uma mulher de vermelho é como uma sirene nas ruas.


A COR DA MÚSICA - Mesmo quando não gosta de uma cor, você pode tentar percebê-la sensorialmente antes de fazer um pré-julgamento. Alguns músicos vêem cores nos sons (um talento chamado sinestesia). Quando Franz Liszt compunha, diz-se que comentava, "mais cor-de-rosa aqui", ou "isto é muito preto". Para Rimsky-Korssakov, outro compositor clássico, o Dó maior tinha o brilho do "raio do sol". Beethoven chamava o Si menor de "a chave preta". Da próxima vez que ouvir música, feche os olhos e preste atenção nas cores que se formam em sua mente.


AZUL - Está associada com a lealdade, a sabedoria e a espiritualidade. Ao contrário do vermelho, o azul reduz a pressão sanguínea, a pulsação, a temperatura e a tensão muscular. Uma casa em tons de azul reduz o calor... e a conta do ar condicionado. Vestir azul faz as pessoas confiarem em você. Se você for a entrevistas ou precisa fazer uma palestra, azul lhe confere autoridade, especialmente os tons mais escuros.


ROSA - É a cor da intuição e seus poderes podem transformar as pessoas (um teste feito em uma prisão mostrou que celas pintadas de cor-de-rosa acalmavam detentos violentos). Ao que parece, quem gosta de rosa ama a vida - são pessoas ternas, carinhosas e vitais.

terça-feira, 29 de março de 2011

ESTAMPA DE CAMISETA COM FOTOGRAFIA

Essa aula eu inventei para passar o tempo na época do natal, quanto se tem poucos adolescentes frequentando o espaço. Na verdade está mais para um tutorial do que para uma aula, mas é interessante ver que saem coisas realmente muito loucas nas camisetas. Nós partimos do nome de cada participante. Pesquisamos o significado do nome e dos sobrenomes para a partir destes ir atrás das imagens. Você pode ver isso facilmente no site chamado www.oguru.com.br. Depois cada um encontra a imagem atrelada ao seu nome e sobrenome. Com a câmera em mãos, cada um pode escolher uma ou 2 partes do corpo que considere interessante. Quando digo, parte, nada de rosto inteiro. Contenham-se narcisistas. Aí começamos a montagem no Photoshop.



  1. Abra um arquivo em tamanho A4 no Photoshop. FILE>NEW>PRESET SIZE>A4>OK


  2. Você vai escolher uma cor de fundo. Clique duas vezes no quadrado de cor (SET FOREGROUND COLOR) e escolha a cor que deseja. Depois clique alt+delete e preencha o fundo.


  3. Aperte F7 para que as camadas apareçam. Abra as fotos que você separou e arraste uma por uma para essa página. Posicione de acordo com o seu gosto. Para alterar tamanho basta clicar na camada da foto a ser trabalhada e CTRL+T. Ajeite do tamanho que deseja e depois clique em enter.


  4. Depois que terminar de arrumar as imagens, vamos ter de fundi-las em uma única imagem. Tenha certeza de que já deixou todas elas do jeito que deseja. Fundos brancos podem ser apagados com a borracha (E) ou selecionados com a varinha (W) e depois deletados.


  5. Para fundir as camadas, clique no olhinho da camada de cor para que esta fique oculta. Depois aperte Shift+CTRL+E (pra quem é novinho Shift é a tecla do teclado que geralmente tem o desenho de uma seta apontando pra cima). Clique novamente no olhinho da camada com cor para deixá-la visivel.


  6. Vá para a camada que tem as fotos. Clique onde está escrito normal e escolha a opção de mescla de camada que mais te agradar.


  7. Crie uma nova camada vazia Shift+CTRL+N e joguea por cima de todas as camadas.


  8. Escolha outra cor para esta camada. Alt+Delete para preencher. Vai cobrir mesmo toda a imagem não se preocupe.


  9. Pegue o pincel (B), escolha uma ponta, depois escolha uma cor e faça uma arte qualquer. Você pode pintar, fazer textura. Tente misturar os tons.


  10. Clique em Filter>Blur>Gaussian Blur e desfoque as cores que você usou para deixar mais uniforme. Aperte F7 se as camadas tiverem sumido e vá até normal para mesclar essa nova camada de cor à sua arte.


  11. Por fim, se quizer, coloque o seu nome ou uma mensagem (T).


  12. A estampa está pronta. Basta comprar um daqueles papéis de estampar camiseta e imprimir sua arte nela. Depois, coloque a folha com a face da imagem virada de encontro com a camiseta muito esticada e com um ferro decalque a imagem em sua camiseta.


  13. Está pronto. Agora é sair por aí e receber os elogios ou as criticas.

segunda-feira, 28 de março de 2011

EXPOSIÇÃO - AULA 4



Exposição é a quantidade de luz necessária para registrar uma imagem no sensor ou no filme no caso das câmeras analógicas. As câmeras digitais trabalham com sensores elétricos que hoje em dia podem ser do padrão CCD e CMOS. Uma das primeiras coisas que você tem de aprender para controlar a exposição de sua máquina e a utilizar o ISO. O ISO nada mais é que a sensibilidade desse sensor para a luz que entra na máquina. Para se ter uma idéia, você pode utilizar a seguinte tabelinha de referência:


100 ISO é o recomendado para o sol bem forte

400 ISO para dias nublados

800 ou 1600 ISO para fotos internas ou sob holofotes


Estes valores são apenas referência já que você precisa estar sempre atento ao fato de que cada câmera é única em seu conjunto de habilidades e por isso precisa ser exaustivamente testada. Outra coisa para se ter em mente é que quanto maior a sensibilidade do ISO, a tendência é que as imagens percam em qualidade.


Quando você aperta o botão para bater a foto (disparador) você aciona o obturador que abre e deixa entrar a luz que irá chegar até o sensor. Eu costumo dizer nas minhas aulas que as câmeras são como se você estivesse permanentemente de olhos fechados. Quando eu clico no disparador é como se eu pedisse para que você abrisse e fechasse os seus olhos por um momento. Quanto mais rápido for esse abrir e fechar de olhos, menos movimento você irá perceber na cena que irá ficar registrada em seu cérebro. Na câmera, esse controle sobre o abrir e fechar de olhos é chamado de velocidade de obturação.


Nas velhas câmeras mecânicas e nas digitais reflex talvez você encontre um botão externo com controle de obturação.




No entanto, diferente das filmadoras, a máquina fotográfica (esqueça que algumas câmeras digitais também filmam) nao registra o movimento. Por isso, se você deixar a velocidade do obturador muito lenta, ou seja, deixar os olhos da câmera abertas por muito tempo, o que você irá ver será:

Ou seja, as áreas de movimento ficam "manchadas" ja que as imagens são sobrepostas. Eventualmente isso pode causar um efeito interessante. Normalmente as pequenas câmeras automáticas digitais não dão muita opção de controle de velocidade de obturador. Novamente, é recomendado sempre que você leia com atenção o manual para tentar explorar todos os recursos de sua máquina.

Controlada a velocidade do obturador, também é necessário definir qual será a abertura do diafragma. Continuando a nossa analogia, seria como controlar o quanto você irá abrir os seus olhos. Se você está com os olhos semicerrados, evidentemente, entra menos luz do que quando está com os olhos arregalados. Normalmente, você encontra os valores do diafragma informados em padrão f-stop. Veja a tabela abaixo: Se você olhar na lente de sua pequena máquina digital, provavelmente ele irá informar quais os f-stop disponíveis assim como as velocidades. Isso não significa porém que tais valores possam ser controlados manualmente. Você vai ter de experimentar. Apenas as semi profissionais e as profissionais reflex dão um controle completo de abertura e diafragma.


Nas exposições automáticas, em geral, você pode contar com:



  • Prioridade de abertura de diafragma (AE) onde é possivel determinar o f-stop e a câmera calcula sozinha a velocidade de obturação necessária, dependendo da luz disponível.

  • Prioridade de velocidade de obturação (AE) onde você ajusta a velocidade do obturador e a câmera calcula o F-Stop correto.

  • Programação (P) ou totalmente automático: a câmera determina os dois ajustes e às vezes até acerta a sensibilidade do sensor.

  • Automáticos: paisagem noturna, crepúsculo, retrato, etc. (depende de cada máquina).

Nesta aula de exposição vou propor para vocês 4 exercícios básicos que mexem com a exposição. Uma coisa que você precisa saber a respeito das câmeras automáticas é que elas, normalmente, são capazes de calcular para você de uma forma muito competente, a luz do ambiente, de modo que suas fotos saiam de boa qualidade. Existem porém algumas excessões. Como o sensor trabalha em um sistema de comparação de luz, se você estiver batendo a foto de um urso polar no gelo ao lado de um filhote de foca, ou seja, tudo branco, existe a possibilidade deste branco sair meio acinzentado.

A mesma coisa pode acontecer se você fotografar um gato preto em cima de uma pilha de carvão.


Então chegamos ao propósito do exercício que eu chamo de Branco no Branco e Preto no Preto. Junte quatro ou cinco objetos de cor branca (é importante que a parede de fundo seja branca. Se for o caso, forre-a com uma cartolina branca) e tente ir regulando o ISO, o obturador e o diafragma até obter a melhor tonalidade de branco. Faça o mesmo para o exercício de Preto no Preto mudando a cor obviamente. Este exercício ajuda você a compreender as potencialidades de suas câmera com relação à luz do ambiente.


Em segundo, vamos trabalhar com a superexposição e a subsposição. Os recursos que você irá utilizar serão os mesmos. Porém, terá de trabalhar para que uma imagem fique superexposta:


E para que a outra fique subexposta:


Se você quiser enviar as suas fotos para que possamos comentar sobre elas, envie para giscreatio@hotmail.com . Eu sou meio lerdinha, mas vou vendo conforme for tendo tempo.

domingo, 27 de março de 2011

CORES

Encontrei anotações antigas com uma série de curiosidades a respeitos de cores que irei passar aqui. Nunca se sabe quando podem ser úteis. Para quem quer se aprofundar no assunto o livro recomendado é o Da Cor à Cor Inexistente, tido como a obra definitiva sobre o assunto até o momento.



  • Quando você pinta o teto com uma cor escura ele parece mais baixo;


  • Por outro lado paredes e teto claro ampliam o ambiente;


  • Uma superfície com a cor branca dá a sensação de aumentar essa superfície;


  • Uma superfície com cor escura dá a impressão de ser menor;


  • Cores quentes tem uma tendência a ser expandir pelo ambiente. Pense duas vezes antes de colocar aquele sofá amarelo canário em uma sala minúscula se não quiser que o amarelo domine o ambiente;


  • Cores frias precisam ser "maiores" ou de maior "espaço" pois se espandem menos.


  • Luzes verdes matam larvas de moscas e besouros;


  • Luzes vermelhas estimulam funções orgânicas do homem e favorecem a marcha da catapora, sarampo e escarlatina;


  • Luz anilada tem um poder analgésico;


  • Luz azulada faz as plantas perecerem;


  • Luz vermelha torna as plantas mais vigorosas;


  • Excesso de amarelo produz indigestões, gastrites e úlceras gástricas;


  • Algumas variações de verde podem estimular doenças mentais e nervosas;


  • Algumas variações de vermelho podem estimular doenças do coração e ter reflexos na pressão arterial;


  • Excesso de azul pode estimular a pneumonia, tuberculose e pleurisia;


  • Por outro lado, o azul ajuda contra doenças dos olhos, ouvidos, nariz e pulmões;


  • O vermelho pode ajudar o estômago, o fígado e o baço;


  • O verde pode ajudar o sistema nervoso e o aparelho digestivo;


  • A cor amarela e a cor de café nos aviões podem estimular o enjôo;


  • Sala de jantar com cores alegres estimula o apetite;


  • Dormitório com tons suaves torna o ambiente mais repousante;


  • A cor violeta é um poderoso germicida;


  • Falando de pele: quanto mais rosada a cútis e pretendendo-se utilizar o verde, este deve ser um tanto azulado. O verde enriquece a cor delicada da pele. Pessoas morenas com cabelos castanhos e olhos escuros combinam com todas as tonalidades do amarelo e do laranja; para uma pessoa loura de pele avermelhada os verdes fracos e o azul; as morenas ainda podem utilizar o vermelho.


  • Roupas que refletem melhor o calor do verão: brancas, amarelas, azuis e verdes em tonalidades claras;


  • Roupas que absorvem mais o calor para o frio: preto, azul, cinza, marrons em tons escuros;


  • Existe uma tendência entre os artistas do norte do Brasil em utilizar cores com tonalidades luminosas e vibrantes. Os artistas do sul tem maior tendencia a utilizar cores moderadas e frias.


  • Cores interessantes para uma fácil visibilidade: amarelo (se o fundo for neutro); preto sobre amarelo, verde ou azul; vermelho sobre amarelo ou branco; branco sobre azul ou preto; amarelo sobre preto.

sexta-feira, 25 de março de 2011

UMA PAUSA PARA OS COMERCIAIS

Esta semana estou separando o material para uma oficina nova de Televisão que vou começar então tenham um pouco de paciencia os que não gostarem de comerciais. Estou utilizando eles para explicar alguns recursos técnicos da câmera e da estrutura televisiva.

terça-feira, 22 de março de 2011

ESTRELAS DE BIKE

Encontrei esses dias esse blog que mostra grandes astros de hollywood andando de bicicleta. A iniciativa de unir todas estas imagens em um único lugar busca estimular as pessoas a trocar o carro pela bike, um movimento que está se tornando forte mundialmente, tendo em vista que a bicicleta é o único veículo onde 90% da energia humana é aproveitada gerando 0% de poluição. Pra quem gostar, a coletânea na íntegra está em ridesabike.tumblr.com

Elvis nao morreu. Saiu de bike pelo mundo distribuindo autógrafos.

Alfred Hitchcock

Essa é classica. Julie Andrews em cena de "Noviça Rebelde"

Tá achando que a Maísa é a primeira menina de cachinhos a fazer sucesso na mídia?
Muito antes dela Shirley Temple já era famosa.

Ele é cínico, feio e mal humorado. Bill Murray realmente tem mais cara de assaltante de bike do que de ciclista.

segunda-feira, 21 de março de 2011

CANTORES VIRTUAIS

Isso não chega a ser bem uma novidade. Já existiram muitos cantores virtuais. Mas apenas agora a tecnologia tem permitido a estes personagens "pularem" para fora da tela e darem shows ao vivo. No Japão, a cantora Miki conseguiu a proeza de juntar uma multidão para assistir aos seus shows onde se apresenta como um holograma sólido. Antes de Miki causar o furor na terra do sol nascente, porém, não podemos nos esquecer do projeto Gorillaz que iniciou este movimento de shows "ao vivo" de criaturas virtuais.

domingo, 20 de março de 2011

O TEMPO E O VENTO de ÉRICO VERÍSSIMO

Ana Terra é uma heroína brasileira criada por Érico Veríssimo (1905-1975) em sua trilogia O TEMPO E O VENTO. Episódio crucial da obra máxima desse escritor gaúcho, Ana Terra narra a história da filha do pampa que, nas ermas terra do pai, encontra o ferido Pedro Missionero, índio valente, sonhador e sensível. Irrompe a paixão, fatal para ele. Quando Ana engravida, o pai e dois irmãos cumprem o código do colono branco: Pedro é morto, como Ana previra em sonho. Da união nasce o menino Pedro Terra. São dias sem calendário, em algum ano do século 18. Vêm os castelhanos invasores. Ana esconde o filho, a cunhada, a sobrinha: finge ser a única mulher da casa. O pai e os irmãos morrem. Os sobreviventes partem para a recém-fundada Santa Fé. Lá Ana ergue seu rancho e torna-se parteira. Vêm as guerras platinas. Pedro Terra, já moço, é convocado. Volta vivo, mas é chamado outra vez. Ana, mãe da terra, novamente o aguarda num silêncio que encerra o episódio, com força imensa. Ana tem as virtudes da Mãe Terra: procriadora, protetora, invencível. E, não por acaso, parteira, pois, como a própria vida, renasce sempre. Se você já tem uma pequena vivência de épicos na literatura e no cinema talvez esteja tendo um dejavú ao ler essas frases. Este tipo de épico que narra, através de um personagem, a história de uma nação já se tornou um estilo inerente às culturas ocidentais e orientais. Talvez tenha nascido lá atrás com Homero. É um patrimônio mundial que já foi consagrado em épicos como E o vento levou..., Indochina, A casa das sete mulheres, etc.
Deixo aqui o trecho histórico em que Scarlet O'hara faz o seu juramento:
Tem também um trechinho da minissérie feita pela Globo. É engraçado de perceber que as novelas de época, especialmente que retratam a região sul, sempre vão buscar suas referencias nos romances de Veríssimo. Ele impôs uma marca que virou um esteriótipo de gaucho que parece irá se perpetuar eternamente nas séries novelescas brasileiras.

sábado, 19 de março de 2011

AS MIL E UMA NOITES

Scherazade é talvez a mais famosa mulher da literatura. É a heroína do conto "O Sultão Sanguinário", o primeiro do livro As Mil e Uma Noites, que inicia e liga todos os outros. O sultão Shanriar mata a esposa por tê-lo traído e passa a casar-se toda noite com uma virgem e a decapitá-la de manhã para que a traição não se repita. Scherazade pede ao pai para desposar o sultão e temia até conseguir.
Na alcova, após o amor, a noiva conta ao sultão uma história, mas antes do fim amanhece: é hora de a donzela morrer. Curioso sobre o fim, Shanriar concede mais uma noite. E tudo se repete, pois ela termina o conto anterior e começa outro, também detido pela manhã. E assim por mil e uma noites.
Um dia, Scherazade diz: "Meu senhor, não tenho mais histórias: dou-lhe agora a minha vida." Em lágrimas, o rei Shanriar responde... ops. Amanheceu. rs. Já deu pra ver como é que ela prendia a atenção do marido assassino. Difícil dizer qual das virtudes de Scherazade inspira mais: a coragem, inteligência, prodigiosa memória, sabedoria, fé, beleza, sensualidade.
Deixo aqui embaixo uma das histórias mais populares do livro, Aladin da Disney, de um trecho em que o herói se encontra com o gênio.

sexta-feira, 18 de março de 2011

MISS MARPLE de AGATHA CHRISTIE

Agatha Christie quando jovem

Célebre autora de romances policiais, a inglesa Agatha Christie (1890-1976) tem, entre suas personagens, miss Jane Marple. Apesar de ser a típica solteirona do interior, frágil, vestida à moda antiga, amando tricô e fofocas, ela é hábil em decifrar crimes. Sua inteligência sagaz olha os humanos sem se espantar com nada. Seu estilo muito doméstico de resolver os mistérios pode ser conferido em mais de 20 livros, escritos entre 1932 e 1976. O prolongado sucesso dos livros de Marple, e suas inúmeras aparições em cinema, TV e teatro, prova que ela cativou os leitores. Talvez porque expresse a superioridade da mente sobre o corpo. Jane Marple é velha, sujeita a achaques, incapacitada para perseguições e artes marciais. Mas, com poder dedutivo, atenção para detalhes, mente alerta, inteligência e intuição, derrota os mais astutos e cruéis. Uma metáfora inspiradora. Livros recomendados: A maldição do espelho, Três ratos Cegos e outras histórias, Cem gramas de Centeio, Mistério no Caribe, Nemesis e Os últimos casos de miss Marple.



Algumas das dezenas de Miss Marple que

já existiram no cinema



terça-feira, 15 de março de 2011

AS BRUMAS DE AVALON de MARION ZIMMER BRADLEY

Esta é uma sugestão para quem gosta das histórias do rei Artur e da Távola Redonda. É lógico, existem vários livros do gênero. Mas este é particularmente interessante pois narra a história a partir do ponto de vista de Morgana. Como, em uma análise mais detalhada, a lenda de Artur foi forjada quando o cristianismo foi suprimindo o mito pagão que tinha na figura feminina sua representação máxima, acaba sendo também uma história universal. A mais famosa feiticeira da literatura ocidental vem da saga do rei Artur, contada desde a Idade Média em obras como A Morte de Arthur, de Thomas Malory, e Parsifal, de Wolfram von Eschenbach. No livro, na Bretanha governada por Artur, prospera a religião patriarcal dos cristãos. Mas a misteriosa Avalon, onde Morgana, meia-irmã do rei, preside os ritos ancestrais, veneram-se a Deusa Mãe e a crença pré-cristã das feiticeiras e do saber oculto. Sua grande sacerdotisa é chamada Morgana das Fadas. A ilha de Avalon, porém, está se afastando do mundo real, envolta numa bruma que só as iniciadas podem cruzar. Morgana é a imagem da iniciada. Só à sua intuição ela é fiel e responde. Como maga, nos inspira o saber: o saber da natureza, da magia, dos mistérios. Sabedoria, fé e coragem são suas virtudes, e seu desafio é superar a arrogância, como ocorre com todos os que sabem. Muitas foram as adaptações das lendas arturianas para as novas mídias, mas essa também é uma daquelas histórias que aguarda uma adaptação à altura. Os livros de Marion deram origem a um filme em 2001 com Anjelica Huston no papel, mas parece que ainda não foi dessa vez.

Me lembro também de um gibi que saiu por aqui na década de 80/90 chamado CAMELOT 3000. É contado nas lendas de Camelot que Artur na verdade não teria morrido e sim estaria adormecido, esperando pelo momento em que os valores defendidos por CAMELOT se tornem necessários novamente. Este gibi parte do pressuposto que no ano 3000 a presença do rei lendário se faz necessária por obra da perfídia de Morgana (olha ela aí de novo). Além do atormentado e infeliz Artur tentando soprepujar todos os problemas em sua vida, ainda podemos contar com Merlim e todos os outros personagens das lendas arturianas reencarnados. O detalhe que causou furor na época é que Tristão e Isolda (os primos que não podiam se casar) reencarnam ambos... mulheres! É sacanagem ou alguém lá em cima realmente os odeia! Rs. Fica a história inteira com estas duas tensões romanticas: o triângulo Lancelot, Artur e Guinevere de um lado (será que eles vão trair o Artur de novo?) e Tristão e Isolda (será que ficam ou não ficam juntos?). Tristão é um cara tão zicado que no dia que está no altar para se casar com seu belo vestido de noiva Merlim aparece e devolve para ele todas as suas lembranças de sua vida passada. É ou não é perseguição? Pra quem gostou do argumento corra para a gibiteca ou o sebo mais próximo. Se alguém souber se já tem disponível na net dá um toque.

segunda-feira, 14 de março de 2011

LÁBIOS HYPER-REALISTAS

Fotografias de bocas podem até ser um clichê, mas que é sensacional o trabalho do artista coreano Sung Jin King, isso é. E o melhor, é que é difícil de acreditar que esses lábios são na verdade quadros e não fotografias! O foco que o artista dá para uma única parte do corpo humano, o detalhamento, e sua capacidade de capturar a sensualidade é sem precedentes.

domingo, 13 de março de 2011

ULISSES na ODISSÉIA e ILÍADA de HOMERO

Em grego Odisseu ou do latim Ulisses, o protótipo do rebelde é o herói da Guerra de Tróia imortalizado por Homero, maior poeta da Antiguidade. A maior arma - e o maior tormento - desse guerreiro foi a sua inteligência. Atena, deusa grega do juízo claro, era sua protetora. Foi Ulisses que imaginou o truque do Cavalo de Tróia (feito de madeira e ofertado aos troianos, dentro deles os gregos se esconderam para vencer a guerra). Quando Ulisses viu que a vitória tinha sido o resultado de sua idéia, e não do poder dos deuses, ficou arrogante. Ignorou os sinais para ser mais humilde e voltou para sua terra, a distante Ítaca. Dez anos de tempestades e obstáculos depois, Ulisses ainda não tinha chegado à casa e a mulher e o filho sofriam o assédio dos pretendentes ao trono, que o julgavam mortos. Ulisses é fascinante porque é complexo. Não é mau ou bom, mas humano. Seu orgulho é compreesível. Ele aprende, duramente, que há forças maiores que nós, que não toleram a arrogância. Por isso inspira e emociona a humanidade há 3 mil anos.
A história de Ulisses já foi muitas vezes representada pelo cinema ou para a televisão. Provavelmente, o filme que até agora contou com atores mais famosos como Isabella Rosselini e Irene Papas foi o Odisséia gravado em 1997, época em que a computação gráfica ainda não tinha causado aquela grande revolução nos efeitos visuais do cinema. Quem sabe agora, com as facilidades proporcionadas pela tecnologia, cheguemos a ver uma representação mais interessante dos deuses e monstros da mitologia já que, uma coisa é certa, a saga de Ulisses é uma daquelas histórias que sempre serão recontadas a todas as gerações.

sexta-feira, 11 de março de 2011

OS TRÊS MOSQUETEIROS de ALEXANDRE DUMAS

Principal personagem de Os Três Mosqueteiros, obra do escritor francês Alexandre Dumas (1824-1895), D'Artagnan tem uma personalidade marcada pelo ímpeto. É o guerreiro ousado que salta para o combate. A trama opõe os "mosqueteiros do Rei" ao cardeal Richelieu, que urde uma intriga para separar o rei e a rainha da França, que deu a um amante inglês uma jóia real. A missão impossível dos heróis é recuperá-la a tempo de evitar a queda da rainha e a submissão do rei à influência do cardeal. Quase simplório, D'Artagnan difere dos sofisticados companheiros, Porthos, Athos e Aramis. Na sua rude educação, aprendeu uma só arte: a da espada. E sua maestria nela é a projeção de seu caráter.
Os três mosqueteiros é um livro que já foi gravado e regravado dezenas de vezes, por isso não é dificil de encontrar material audiovisual. Eu vou postar aqui um pequeno vídeo de um desenho inspirado no romance que passou na instinta TV Manchete na década de 80. Para os saudozistas, mesmo o desenho sendo tosco a história seguia direitinho o livro.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O VELHO E O MAR de ERNEST HEMINGWAY


O velho Santiago, depois de 84 dias sem pescar nada, volta ao mar. É questão de sobrevivência - e também de orgulho. O oceano é a natureza e também o inconsciente, o abismo interior do homem. Assim começa o livro O velho e o mar, que o escritor americano Ernest Hemingway (1898-1961) escreveu em 1952.
A prova é dura: o sol é feroz, a solidão total. O barco é podre, a vela remendada, mas Santiago conhece seus inimigos: a maré, o vento, a astúcia do peixe. Depois de dias, o velho fisga a maior presa de sua vida, um merlim gigante que vale uma pequena fortuna. E começa a luta.
Não gosto de estragar uma boa história então, como sempre, para saber o desenrolar da mesma, só lendo o livro.
Acima vocês podem ver uma animação baseada no livro que foi totalmente feita com tinta a óleo sobre uma prancha acrílica. Lembro-me de tê-la assistido em um telão em uma dos últimos Animamundi. Praticamente se pintava um quadro para cada cena. Infelizmente, não encontrei nenhuma versão traduzida, mas quem sabe assim seja melhor e você se inspire a ler um pouco né? Bom divertimento.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O ENGENHOSO FIDALGO DE LA MANCHA de MIGUEL DE CERVANTES


Os personagens de Dom Quixote de La Mancha, do espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), são imortais. Quixote é um fidalgo do século 16 que enlouquece de tanto ler romances de cavalaria e sai de armadura atrás de dragões e donzelas em apuros. Sancho Pança é um camponês das terras de Quijada, pobre e faminto, convocado a acompanhar seu senhor como escudeiro. Quixote fura odres de vinho (que vê como sendo gigantes), ataca moinhos de vento, vive com os ossos quebrados. Depois de muitas aventuras, o velho recupera a razão e... você vai ter que ler pra ver o final, rs. Quixote e Sancho nos ensinam mais que o humor e a amizade. Um é delírio e sonho, outro realidade e gula, e ambos se completam: o poder do ideal e o valor do corpo, o humor da vida e a compaixão por todos. Não é à toa que se tornaram imortais. Para os preguiçosos de plantão existe o filme Dom Quixote (1999) de Peter Yates, com John Lithgow, Bob Hoskins e Isabella Rosselini.

terça-feira, 8 de março de 2011

SKELEWAGS

Mais uma arte de rua pra vocês, dessa vez de Richard Vermaak. Seus personagens à la Dia de Los Muertos, chamados Skelewags, criam vida e encontram maneiras de cair em problemas.


segunda-feira, 7 de março de 2011

HONEY & CLOVER


Mangá criado por Chica Umino e posteriormente transformado em anime, conta a história de um grupo de jovens universitários que estudam Artes. A história conta com romance, a pobreza inerente aos universitários, suas incertezas e medos, enfim, a descoberta da confusão que é o mundo adulto. Além de contar com um desenho muito delicado e com uma arte muito caprichada no anime, repleto de clipes e músicas. No Brasil o mangá também está sendo lançado pela editora Paninni em 10 volumes. Para quem gosta do gênero, é imperdível. Você pode baixar o anime completo com legendas em português no site http://www.hinata.xpg.com.br/index2.php
Bom divertimento!

domingo, 6 de março de 2011

BANSKY E A ARTE DE RUA






PULA! PULA! PULA!



Ele tinha 16 anos quando invadiu, pela primeira vez, uma pista ferroviária e escreveu as iniciais de seu grupo de grafite - do qual era o único membro - em uma parede. Não aconteceu absolutamente nada, nem a própria mãe percebeu que ele havia saído de casa. E esse foi o dia em que ele viu que podia escapar impunemente. Ele, no caso, é Bansky, o famoso artista de arte de rua britânico. E esta história é apenas uma das muitas presentes no livro TRESPASS - HISTÓRIA DA ARTE URBANA NÃO ENCOMENDADA pela fortuna de R$ 129,90 (acho que pensam que artistas no Brasil ganham bem), em que obras de mais de 150 artistas permitem uma análise de alcance mundial da arte de rua, traçando peças importantes dessa cultura, além de eventos e movimentos no espaço social das cidades. Afinal, o grafite, considerado vandalismo ou não, é uma das formas mais antigas de expressão artística e passou ilesa ao longo dos tempos. Como arte, ela se expressa nos espaços públicos, mas não é autorizada e, acima de tudo, não tem clientes. Banksy completa a história dizendo que a arte de rua é uma resposta à sociedade obcecada pelo status e pela infâmia. E nós devemos entrar sem medo nessa grande galeria ao ar livre. (reportagem tirada da revista Galileu e escrita por Érika Kokay)