segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MINICASAS

Elas são pequenas, mas nem por isso precisam ser minimalistas. Costumam ser erguidas com materiais sustentáveis. Isso sem falar que o próprio espaço que elas ocupam, bem menor que o habitual, já é um sinal de seu potencial verde: geram menos energia, desperdiçam bem menos, oferecem muito menos espaço para a habitual acumulação de pilhas, tralhas e outras inutilidades. E são baratas: ninguém vai passar os próximos 30 anos pagando hipoteca por elas, tampouco haverá a explosão de outra bolha imobiliária por sua causa. A tendência das minicasas, que se alastra pelo mundo a partir dos Estados Unidos (atente ao paradoxo: o país do desperdício é ao mesmo tempo o terreno de uma nova consciência ecológica), é a grande novidade arquitetônica e imobiliária dos últimos anos. Com dimensões próximas às das casas de bonecas - há modelos que começam em míseros 5 m² até "mansões" de 78 m² -, as minicasas têm no designer norte-americano Jay Shafer um de seus masi famosos apóstolos. Autor do livro The Small House Book ("O livro de minicasa", ainda sem edição brasileira), Shafer percorre seu país fazendo o catecismo das pequenas dimensões em palestras e workshopes. Ele mesmo, como não poderia deixar de ser, mora em uma dessas casas mínimas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

FOTOGRAFISMO

O fotógrafo francês JR é um adepto da grandiloquência. É através de enormes painéis e fotos gigantes espalhadas por cidades do mundo inteiro que ele mostra seu trabalho - e dá o seu recado. Ao reproduzir, por exemplo, retratos de mulheres que lidam todos os dias com os efeitos da guerra, pobreza e opressão nos muros das periferias de Paris ou nas escadarias do morro da Previdência, no Rio de Janeiro, ele cria um manifesto-homenagem para que as pessoas possam enxergar (e se conscientizar) que essas Mulheres São Heroínas, como diz o nome da sua última mostra a céu aberto. JR omite sua identidade e gosta de ser chamado de "photograffeur" - palavra em francês composta da mistura entre fotógrafo e grafiteiro. Ele, que ganhou o TED PRIZE 2011, acredita que a arte precisa estar mesmo é nas ruas, bem mais aos olhos das comunidades.








sábado, 29 de janeiro de 2011

FRANK LLOYD WRIGHT

Frank Lloyd Wright (1867-1959) foi um famoso arquiteto norte americano que permeou sua arquitetura com sensibilidade e valores humanos.

Ele é o autor do projeto do Museu Guggenheim de Nova York, de cujas rampas espiraladas se contemplam as obras de arte caminhando em procissão, como em um ritual religioso.


Projetou a famosa Casa da Cascata (Pensilvânia, Estados Unidos), que se precipita sobre um rio. Criou arranha-céus em forma de árvore, casas arredondadas como conchas, colunas em forma de cogumelos, soluções que mudaram os rumos da arquitetura mundial.

Sua arquitetura é orgânica, ou seja, se integra ou se inspira na natureza. Para ele a casa, a natureza e o homem são partes de uma única realidade.


Um edifício orgânico deve crescer naturalmente do lugar, dialogar com o entorno. Para a planície, ele sugeria uma casa
baixa, com telhados suaves e silhueta tranquila, para acentuar a beleza da pradaria. Frank acreditava que, valorizando o mundo natural, o homem se regenera física e espiritualmente. Para ele, as formas da natureza não são fixas, mas fluidas e, por isso, o desenho de suas casas não se restringe a uma forma retangular rígida, mas abuasa do irregular, por meio de curvas, recantos e recortes, que possibilitam um maior intercâmbio com a paisagem.

Para Frank Lloyd, a verdadeira função da arquitetura é elevar a vida humana buscando sempre a beleza da natureza. O feio, o poluído e o degradado não constituiriam apenas uma violação dos valores estéticos, mas seriam ofensas contra a natureza. As obras deste arquiteto são um testemunho do que existe de mais belo e profundo no ser humano. Por isso irradiam esperança e sinalizam um futuro positivo para todos nós.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

GIBI - ON LINE

Quem acompanha esse blog já deve ter percebido o surgimento de uma nova página com esse título que ainda se encontra vazia (estou estudando qual a forma mais prática de ir inserindo as páginas). Eu explico. Este ano irei começar a postar algumas histórias em quadrinhos minhas que estão perdidas no baú faz um tempão. Como o processo aqui é lento, vou criar um sisteminha de chamadas para quem quiser ir acompanhando. Eu tinha pensado em ir postando animações mas não adianta. Eu ainda tenho de investir em algum equipamento antes de conseguir fazer as coisas do jeito que eu quero. Então vou me dedicar ao desenho por enquanto. Vamos ver no que dá.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ARTE NA FAIXA

Em Curitiba, um consórcio de artistas e designers utiliza a faixa de pedestres como suporte artístico. A ação, batizada de Arte na Faixa, foi realizada por 20 artistas da capital paranaense. São ilustrações, grafites e pinturas que buscam a paisagem urbana como "tela" - e o melhor, tudo com o apoio da própria prefeitura. Se quiser saber mais é só visitar o site http://www.artenafaixa.com.br/

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

MUTO

O dia em que o grafite e a animação se encontraram:

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ANIMAÇÃO COM FLASH

Essa, provavelmente, foi uma das primeiras animações em Flash a ser despejada na internet. Isso só prova que quando a idéia é boa ela nunca sai de moda. Sem falar que essa música é um clássico. O boato que rolou na época em que baixei essa animação é que ela teria sido criada por um professor que queria estudar os estados da água de uma maneira divertida.

domingo, 23 de janeiro de 2011

FERNANDO PESSOA

Está acontecendo no Museu da Língua Portuguesa (que fica ao lado da estação da Luz e aos sábados é de graça) a exposição do Fernando Pessoa. Fiel ao lema "Navegar é preciso; viver não é preciso", que ele adaptou para "Viver não é necessário, o que é necessário é criar", Fernando Pessoa consagrou sua vida à criação literária, movido por um constante interrogar(-se), em que a investigação filosófica ligava-se à emoção. Desde cedo, ele se definiu: "um poeta impulsionado pela filosofia, não um filósofo dotado de faculdade poéticas". Gesto lírico impregnado de raciocínio, cada poema seu é palco de certo teatro, onde ele encena a interminável busca da sua identidade. "O poeta é um fingidor", dizia ele. Aproveite para depois dar uma passada pela estação da Luz e na Pinacoteca que fica em frente e também é gratuita aos sábados.





sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MAX WANGER

Eu estava folheando uma revista outro dia e encontrei uma foto deste norte americano. Max Wanger vem se tornando conhecido por suas fotografias sociais, especialmente, fotos de casamento. Ele consegue fugir dos clichês utilizando ângulos e enquadramentos inusitados além de dar um tratamento em tons pastéis em suas fotos que tornam as imagens mais delicadas e com ar de antigas reforçando a idéia do amor romântico.







A VERDADE

Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho, deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu o seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margaridas. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:
- Agora me lembro, não era um homem, eram dois.
E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem, e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse:
- Então está com o terceiro!
Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram, e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.
- Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo, e a deixou desfalecida - gritaram os aldeões. - Matem-no!
- Esperem! - gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. - Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!
E apontou a donzela, diante do escândalo de todos.
O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo: "Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor." E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.
Todos se viraram contra a donzela e gritaram: "Rameira! Impura! Diaba!" e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.
Antes de morrer, a donzela disse para o pescador:
- A sua mentira era maior que a minha. Eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?
O pescador deu de ombros e disse:
- A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.

Luis Fernando Veríssimo

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

BRINCADEIRA

Começou como uma brincadeira. Telefonou para um conhecido e disse:
- Eu sei de tudo.
Depois de um silêncio, o outro disse:
- Como é que você soube?
- Não interessa. Sei de tudo.
- Me faz um favor. Não espalha.
- Vou pensar.
- Por amor de Deus.
- Está bem. Mas olha lá, hein?
Descobriu que tinha poder sobre as pessoas.
- Sei de tudo.
- Co-como?
- Sei de tudo.
- Tudo o quê?
- Você sabe.
- Mas é impossível. Como é que você descobriu?
A reação das pessoas variava. Algumas perguntavam em seguida:
- Alguém mais sabe?
Outras se tornavam agressivas:
- Está bem, você sabe. E daí?
- Daí nada. Só queria que você soubesse que eu sei.
- Se você contar para alguém, eu...
- Depende de você.
- De mim, como?
- Se você andar na linha, eu não conto.
- Certo.
Uma vez, parecia ter encontrado um inocente.
- Eu sei de tudo.
- Tudo o quê?
- Você sabe.
- Não sei. O que é que você sabe?
- Não se faça de inocente.
- Mas eu realmente não sei.
- Vem com essa.
- Você não sabe nada.
- Ah, quer dizer que existe alguma coisa para saber, mas eu é que não sei o que é?
- Não existe nada.
- Olha que eu vou espalhar...
- Pode espalhar que é mentira.
- Como é que você sabe o que eu vou espalhar?
- Qualquer coisa que você espalhar será mentira.
- Está bem. Vou espalhar.
Mas dali a pouco veio um telefonema.
- Escute. Estive pensando melhor. Não espalha nada sobre aquilo.
- Aquilo o quê?
- Você sabe.
Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurrava:
- Você contou para alguém?
- Ainda não.
- Puxa. Obrigado.
Com o tempo, ganhou reputação. Era de confiança. Um dia, foi procurado por um amigo com uma oferta de emprego. O salário era enorme.
- Por quê eu? - quis saber.
- A posição é de muita responsabilidade - disse o amigo. - Recomendei você.
- Por quê?
- Pela sua discrição.
Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos, mas nunca abria a boca para falar de ninguém. Além de bem informado, era um gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz misteriosa que disse:
- Sei de tudo.
- Co-como?
- Sei de tudo.
- Tudo o quê?
- Você sabe.
Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam seu desaparecimento repentino. Investigaram. O que ele estaria tramando? Finalmente foi descoberto numa praia remota. Os vizinhos contam que uma noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que a voz que mais se ouvia era a dele, gritando:
- Era brincadeira! Era brincadeira!
Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo.
Sabia demais.

Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

TILT-SHIFT

Tilt-shift é uma técnica de fotografia que dá a sensação para o observador de estar vendo uma montagem com miniaturas quando o que está vendo é a mais pura realidade. A novidade é que essa técnica está sendo usada em vídeos também. Corridas de caminhão, shows de rock, passeios na praia ensolarada: fica tudo trabalhado na fofura.

sábado, 15 de janeiro de 2011

LIXO

Encontraram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom-dia.
- Bom-dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- É...
- Eu ainda não o conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu o quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmmm. Notei também que o senhor usa muita comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo.
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante. Mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que esstou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É...
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha.
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?

Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CASABLANCA DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Bom, quem não assistiu Casablanca e diz gostar de cinema está em falta. Esse filme despretencioso acabou virando um clássico justamente por ter sido, desde sua concepção, um filme despretencioso sem maiores intenções. Discussões e informações sobre este filme não faltam. O que vou fazer aqui é apresentar a continuação que foi dada por Luis Fernando Veríssimo em um conto. Para os que assistiram, uma chance de relembrar. Para os que não viram, uma oportunidade para conhecer um pouco sobre a obra.



As time goes by


Conheci Rick Blaine em Paris, não faz muito. Ele tem uma espelunca perto da Madeleine que pega todos os americanos bêbados que o Harry's Bar expulsa. Está com 70 anos, mas não parece ter mais que 69. Os olhos empapuçados são os mesmos, mas o cabelo se foi e a barriga só parou de crescer porque não havia mais lugar atrás do balcão. A princípio ele negou que fosse Rick.

- Não conheço nenhum Rick.

- Está lá fora. Um letreiro enorme. Rick's Cafe Americain.

- Está? Faz anos que não vou lá fora. O que você quer?

- Um bourbon. E alguma coisa para comer.

Escolhi um sanduíche de uma longa lista e Rick gritou o pedido para um negrão na cozinha. Reconheci o negrão. Era o pianista do café do Rick em Casablanca. Perguntei por que ele não tocava mais piano.

- Sam? Porque só sabia uma música. A clientela não aguentava mais. Ele também faz sempre o mesmo sanduíche. Mas ninguém vem aqui pela comida.

Cantarolei um trecho de As time goes by. Perguntei:

- O que você faria se ela entrasse por aquela porta agora?

- Diria: "Um chazinho, vovó?". O passado não volta.

- Voltou uma vez. De todos os bares do mundo, ela tinha que escolher logo o seu, em Casablanca, para entrar.

- Não volta mais.

Mas ele olhou, rápido, quando a porta se abriu de repente. Era um americano que vinha pedir-lhe dinheiro para voltar aos Estados Unidos. Estava fugindo de Mitterrand. Rick o ignorou. Perguntou o que eu queria além do bourbon e do sanduíche de Sam, que estava péssimo.

- Sempre quis saber o que aconteceu depois que ela embarcou naquele avião com Victor Laszlo e você e o inspetor Louis se afastaram, desaparecendo no nevoeiro.

- Passei 40 anos no nevoeiro - respondeu ele. Obviamente, não estava disposto a contar muita coisa.

- Eu tenho uma tese.

Ele sorriu:

- Mais uma...

- Você foi o primeiro a se desencantar com as grandes causas. Você era o seu próprio território neutro. Victor Laszlo era o cara engajado. Deve ter morrido cedo e levado alguns outros idealistas com ele, pensando que estavam salvando o mundo para a democracia e os bons sentimentos. Você nunca teve ilusões sobre a humanidade. Era um cínico. Mas também era um romântico. Podia ter-se livrado de Laszlo e ficado com ela, mas preferiu o grande gesto e se igualar a Laszlo aos olhos dela. Por quê?

- Você se lembra do rosto dela naquele instante?

Eu me lembrava. Mesmo através do nevoeiro, eu me lembrava. Ele tinha razão. Por um rosto daqueles, a gente sacrifica até a falta de ideais.

A porta se abriu de novo e nós dois olhamos rápido. Mas era apenas outro bêbado.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?



Obcecado por responder “afinal, o que querem as mulheres?” – pergunta formulada, e nunca elucidada, por Sigmund Freud, o criador da psicanálise –, André Newmann é um jovem escritor às voltas com sua tese de doutorado em Psicologia. Para concluir seu estudo, ele se aventura em perigosos territórios, como salões de beleza, clubes e sex shops, colhendo depoimentos das mais diversas mulheres.
Em sua busca pela compreensão do feminino, André conta com a ajuda de seu orientador-psicanalista, Dr. Klein, que nos delírios de seu pupilo é enxergado como o próprio pesquisador austríaco nascido em meados do século XIX.
Sua dedicação é tanta, que a tese se mistura à sua vida, e vice-versa. Isso, porém, acaba destruindo o seu relacionamento de cinco anos com a artista plástica Lívia, e para tentar preencher tal vazio, o escritor se mete em encontros desastrosos e cômicos, além do excesso em um mergulho hedonista de bebedeiras e noites mal dormidas.
Com seis episódios (a prova viva de que tudo que é bom dura pouco...), o seriado foi escrito por João Paulo Cuenca, com coautoria de Michel Melamed e Cecília Giannetti, e texto final do diretor Luiz Fernando Carvalho.
O que me chamou a atenção pra assistir a princípio, foi a atuação da bela Paola Oliveira (que foi linda, como sempre), e o tema freudiano. :P
A série foi exibida pela Rede Globo em novembro/dezembro, pra quem não viu, já está disponível pra download. Enjoy it!

http://www.seriadoscompletos.net/2010/11/download-afinal-o-que-querem-as.html

A PARTIDA

É um ótimo filme com um excelente roteiro, porém é um filme de arte. Proibido para fãs dos blockbusters e megaproduções hollywoodyanas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

MELHORANDO A QUALIDADE DE UMA IMAGEM UTILIZANDO O MODO LAB





A mudança é um sutil mas faz uma grande diferença na qualidade das cores da imagem, especialmente quando impressas. E é algo relativamente fácil que você faz em três tempos com o Photoshop. Escolha a imagem que quer trabalhar. Aperte f7 para chamar as camadas (layers) e duplique a camada (botão auxiliar do mouse sobre a camada>duplicar camada). Clique em Image>Mode>Lab Color sem dar o Flaten Image para não achatar as camadas. Clique na guia Canais (Channels) e duplique o Lightness. No Lightness copy que você criou vá em Filtro (Filter)e use o Unsharp Mask com os valores 100 de Amount e 0,5 de Radius. Na layer "a" vá em Image>Apply Image e deixe a imagem em modo overlay 50% para ganhar saturação nos azuis e amarelos. Na layer "b" vá em Imagem>Apply Image e deixe a imagem em modo Overlay 50% para ganhar saturação de cores azuis e amarelas. Selecione o canal Lightness copy. Apague o olhinho desta camada e ative todas as outras. Trabalhando com o canal Lightness copy vá em Image>Aply Image e deixe em modo normal, 80% de opacidade. Isso serve para dar mais detalhes e definição ao "esqueleto" da foto. Volte no Image>Aply Image e deixe em modo Screen, 30% de opacidade. Isso serve para deixar a foto mais clara, menos pesada. Volte para as layers e deixe a layer 1 com 80% de opacidade. O resultado final é uma foto mais viva, mais leve, e que reproduz com mais fidelidade oq ue foi visto no momento em que a foto foi tirada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

AQUARELA EM 3 VERSÕES

A música Aquarela de Toquinho e Vinicius de Moraes parece ter nascido para fazer parceria com o desenho animado. Veja as versões que já foram criadas:
Para comerciais da Faber Castell
Em 1983

Em 1995

Conforme os computadores e os softwares foram se popularizando no Brasil foram surgindo novas versões da música. Aqui uma animação que foi feita em Flash e acabou sendo incorporada ao material didático de uma famosa escola particular.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

NATAL AZEDO COM WALTER LIMONADA

O Limonada lançou o seu novo Rap. Pra quem curte, tem curiosidade ou quer dar risada está aqui o novo clipe!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PICHAÇÃO É ARTE?

Rola por aí um papo de que grafite é arte. E que pixação - ou "pixo" mesmo - é lixo. Puro lixo. Dizem até que o governo deveria fazer um esforço para converter pichadores em grafiteiros. Só não contam que a pichação também é uma manifestação urbana autêntica, que tem um código próprio - geralmente indecifrável para quem está de fora. Tem regras: por exemplo, não pega bem pichar em cima da pichação alheia. O grafite também é respeitado, porque não é porque as linguagens são diferentes que os artistas urbanos vão brigar entre si. Mal comparando com as artes tradicionais, grafite é imagem, pixo é texto. E ambos dividiram as paredes da célebre Fundação Cartier, em Paris, que organizou uma grande mostra de arte urbana. E aí, é ou não?

PROGRAMAÇÃO DOS CINECLUBES DE SÃO BERNARDO DO CAMPO

Cineclube Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato
Rua Jurubatuba, 1415, Centro. Tel: 4330-2888. Sempre às 18h.

* UM PEIXE CHAMADO VANDA - 13/01
* NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA - 20/01
* O HOMEM NU - 27/01

Cineclube Biblioteca Pública Municipal Guimarães Rosa
Avenida João Firmino, 900, Bairro Assunção. Tel: 4351-5422

* A LISTA DE SCHINDLER - 07/01 - 19H
* SHREK - 09/01 - 15H
* O HOMEM QUE VIROU SUCO - 14/01 - 19H
* OS INCRÍVEIS - 15/01 - 15H
* BETE BALANÇO - 21/01 - 19H
* VIDA DE INSETO - 22/01 - 15H
* ALELUIA GRETCHEN - 28/01 - 19H
* TOY STORY, O FILME - 29/01 - 15H
* ANIMAÇÕES PARA CRIANÇAS - 07/01 - 15H
* ANIMAÇÕES PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA - 14/01 - 15H
* HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES - 19/01 - 15H
* BRASA ADORMECIDA - 21/01 - 15H
* SÃO PAULO S/A - 26/01 - 15H
* AMOR & CIA - 28/01 - 15H

Cineclube Biblioteca Pública Municipal Manuel Bandeira
Rua Bauru, 21, Baeta Neves, Tel: 4336-8214

* CARROS - 10/01 - 14H30
* OS INCRÍVEIS - 17/01 - 14H30
* WALL-E - 24/01 - 14H30
* RATATOUILLE - 31/01 - 14H30

DIREITO DE USO DE IMAGENS

Quem trabalha com isso tem que saber um pouquinho sobre o uso de imagens. Hoje em dia isso se tornou mais complicado por conta da internet e dos celulares. Como praticamente todo mundo pode registrar uma imagem, nada impede que o seu tombo vergonhoso no mercado se transforme no vídeo mais visitado da semana no youtube. Como o assunto é meio espinhoso, vou focar mais nas formas de um fotógrafo se proteger legalmente em sua prática diária. Uma regra que você tem que ter sempre em mente é que, se existe uma pessoa em sua imagem e é possível reconhecê-la, essa imagem só poderá ser utilizada se houver autorização escrita. A não ser que você queira, um belo dia, receber uma cartinha judicial por uso indevido de imagem. O mesmo pode ser aplicado a prédios privados com logomarca visivel. A regra geral é, se é possivel identificar lugar, dono do objeto ou pessoa, aquela imagem precisa de uma autorização de uso. É claro, estou falando de garantias para os fotógrafos autonomos. Quem trabalha com comunicação em massa, como jornais e revistas pode contar com uma assessoria da empresa que geralmente é craque em negociar tais autorizações. Quando você é contratado para fazer a cobertura de um evento, seja casamento, aniversário, festas, batismos, etc sempre existe o risco de ocorrer o cancelamento. Para se prevenir, sempre que firmar esse tipo de acordo, faça um contrato e estabeleça pequenas multas para os cancelamentos conforme estiver se aproximando da data. Assim pelo menos seu prejuizo não é total, não haverá stress entre as partes e você não ficará com uma má imagem por ter se apropriado indevidamente do dinheiro do cliente. O segredo, no final, é deixar tudo bem estabelecido no papel. Se houver previamente escrito que haverá uma multa por desistência 1 mês antes do evento no valor de 10% do total combinado, não haverá por que ambas as partes se stressarem. Quando você bate a foto de alguém em um evento, não pode sair por aí distribuindo esta foto, postando em blogs, etc. mesmo tendo sido o autor da imagem. Você pode sim usar algumas dessas imagens em um portifólio. De novo se quiser utilizar para fins midiáticos, publicitários, etc estabeleça no contrato uma clausula onde o cliente autoriza por um período a utilização das fotografias para fins de divulgação do trabalho do fotográfo em mídias impressas e digitais, bem como através da internet. Pela lei, quem bate a foto tem o direito de ter uma cópia, mesmo que o equipamento não lhe pertença. Por isso, saiba que é ilegal negar ao assistente pelo menos uma cópia da imagem. Se for o caso, estabeleça alguma limitação quanto à divulgação para garantir que as imagens sejam utilizadas apenas em portfólio. E seja ético. Procure sempre colocar o nome de todos os participantes no corpo do trabalho final. Você marcou um evento e pegou uma pneumonia no dia. O que fazer? Precavina-se via contrato estabelecendo que "na hipótese de caso fortuito ou de força maior, o profissional contratado poderá ser substituído - em tempo integral ou parcial - por outro cuja competêncai técnica e linguagem fotográfica sejam equivalentes". E para aqueles clientes que nunca escolhem as fotos a serem reveladas. Você irá prevenir muito stress por ambas as partes estabelecendo um prazo para que os clientes escolham as imagens e no caso desse prazo não ser cumprido que o próprio fotógrafo escolha as fotos que julgar mais interessantes para entregar ao cliente.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BECK

Trata-se de um anime bem original que conta a história de uma banda japonesa formada por cinco jovens. Mas não vá pensando em grandes shows, fama e fortuna. A série mostra as grandes dificuldades pelas quais passam a maioria das bandas que tentam a sorte no Japão (e no mundo).Tanaka Yukio (mais conhecido como Koyuki) é um garoto de 14 que tem uma vida monótona... pelo menos até salvar um cachorro chamado Beck das mãos de delinqüentes de 10 anos (!?). Por causa disso ele acaba conhecendo Minami Ryuusuke, dono do cão e líder de uma banda de rock. Os dois se tornam grandes amigos. Ryuusuke acaba largando sua banda e pensa em formar uma nova, por isso começa a procurar membros. Os primeiros a entrar são o vocalista Chiba, um cara bem "empolgado" e cheio de energia, e o sério baixista Taira, que estava a procura de uma banda que tivesse uma boa "química". Os outros membros da banda entram depois. Eles são, logicamente, o Koyuki, que por influência de Ryuusuke começa a ouvir rock e aprender a tocar guitarra, e o baterista Saku, colega de escola de Koyuki, um cara bem calmo e bastante maduro. Se você está procurando algo diferente para assistir, tente dar uma chance a esse anime. Se você for fã de música (e quem não é?), certamente não vai se arrepender. BECK é um anime bem original, com um enredo marcante, trilha sonora de primeira e apresenta alguns dos personagens mais legais já vistos nos animes.
Se você gostou pode baixar a série inteira no site http://www.hinata.xpg.com.br/paginas/index2.php?page=kbssa/beck.html Bom divertimento!!!