domingo, 25 de julho de 2010

A PRIMEIRA FOTOGRAFIA

A primeira fotografia foi tirada por Thomas Wedgwood (Inglaterra, 1802). Mas a imagem logo sumiu do papel. A primeira imagem que ficou para a posteridade e é reconhecida como a primeira fotografia e esta que você está vendo aí, batida por Joseph Nicéphore Niépce. Mas isso é meio balela pois a fotografia foi, na realidade, o resultado de um grupo de ações pelo mundo todo onde pessoas criativas se dispunham a ficar horas experimentando novas formas de se fixar a imagem capturada. Mesmo no Brasil, graças à um empurrãozinho de Dom Pedro II que era fã da fotografia, houveram muitas experiências que resultaram e excursões fotográficas na época. Mas se for pra seguir o modelinho europeu pra índio brasileiro ser bem catequizado, pode-se dizer que esta foi a primeira fotografia e que o francês Louis-Jacques-Mandé Daguerre quem resolveu o problema em 1839. Mas não pensem que a vida de fotógrafo era fácil naquela época. Era necessária uma exposição de 20 minutos, e as fotos saíam bastante apagadas.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A VOZ DO MEU INSTRUMENTO

Já que alguém tocou no meu ponto fraco na última postagem, lembrei de um clipe que eu gosto muito da Zélia Duncan. Sou muito suspeita pra falar de Zélia Duncan, acho que é a minha maior paixão, quase que um caso psiquiátrico. (rs)
Essa animação foi produzida pelo estúdio OCA com ilustrações de Maria Valentina para o show Projeto Guri Convida, que aconteceu no dia 13/12, no Auditório do Ibirapuera, em SP. Música: "A Voz do Meu Instrumento", com participação de Fernanda Takai.


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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lápis Vs Câmera

Ben Heine é um artista multidisciplinar belga. Ele é pintor, ilustrador, retratista, caricaturista e fotógrafo.
Você pode chamar de desenho vs. fotografia ou imaginação vs.
realidade, mas ele chama o seu projeto de lápis vs. câmera (pencil vs. camera).

De acordo com Heine, a fotografia e ilustração sempre andaram juntas em sua vida e a idéia do projeto é representar 1/4 da imagem com um desenho de traços simples, porém realista, dando uma continuidade diferente a cena original. Um trabalho muito bacana, confiram:

terça-feira, 20 de julho de 2010

A ARTE EM ROMA

O aparecimento da cidade de Roma, presumivelmente em 753 a.C., está envolto em lendas e mitos. A formação cultural dos romanos foi influenciada principalmente por gregos e etruscos, que ocuparam diferentes regiões da península itálica entre os séculos XII e VI a.C. e contribuíram para que Roma se tornasse o centro de um vasto império.
Embora tenhamos muita informação sobre os gregos, pouco sabemos sobre os etruscos, em parte pela dificuldade em decifrar sua escrita. Eles teriam vindo da Ásia e não chegaram a construir um grande império, mas suas cidades tinham sistema de esgotos, aquedutos e ruas pavimentadas. Ocuparam Roma no século VI a.C.
Assim, a arte romana assimilou, da arte greco-helenística, a busca por expressar um ideal de beleza, e, da arte etrusca, mais popular, a preocupação em expressar a realidade vivida.
Podemos dividir a história desse império em três grandes períodos: Monárquico (753 a.C.-509 a.C.), Republicano (509 a.C.-27 a.C.) e Imperial (27 a.C.-476 d.C.). Em 395 d.C., o imperador Teodósio divide o Império em duas partes: Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla.
Um dos legados culturais mais importantes deixados pelos etruscos aos
romanos foi o arco e da abóbada nas construções. Esses dois elementos arquitetônicos permitiram aos romanos criar amplos espaços internos, livres do excesso de colunas.
Antes da invenção do arco, o vão entre uma coluna e outra era limitado pelo tamanho do entablamento horizontal. Esse tamanho não podia ser muito grande, pois, quanto maior a viga, maior a tensão sobre ela, e a pedra - material mais resistente usado nas construções da época - não suporta grandes tensões. Daí os templos gregos serem repletos de colunas, o que acarretava a redução do espaço de circulação.
O arco foi uma conquista que permitiu ampliar o vão entre uma coluna e outra. Nele o centro não sofre maior sobrecarga que as extremidades, e assim as tensões são distribuídas de forma mais homogênea. Além disso, como o arco é construído com blocos de pedra, a tensão comprime esses blocos e lhes dá maior estabilidade.
No final do século I d.C., Roma já havia superado as influências grega e etrusca e estava pronta para desenvolver criações artísticas independentes e originais.
A MORADIA ROMANA
A planta das casas romanas era rigorosa e invariavelmente desenhada segundo um retângulo básico. Como vemos nessa imagem do interior da Casa del Tramezzo di Legno, em Herculano, antiga cidade romana.

A porata de entrada, que ficava de um dos lados menores do retângulo, conduzia a um espaço central chamado átrio. O telhado do átrio possuía uma abertura retangular, exatamente na direção de um tanque chamado implúvio. Em linha reta em relação à porta de entrada e dando para o átrio, ficava o principal aposento da casa. Os outros cômodos também davam par ao átrio, mas sua disposição era menos rigorosa.
O vão retangular no telhado do átrio permitia a entrada da luz, do ar e também da água da chuva, que era coletada no implúvio.
Ao entrar em contato com os gregos quando estes se encontravam no período helenístico, os romanos apreciaram bastante o peristilo que havia no pátio de muitas casas. Entretanto, zelosos de suas tradições, os romanos não queriam alterar muito a planta de suas casas. Encontraram, por fim, uma solução para incorporar o conjunto de colunas que admiravam.
A solução dada pelos romanos para adotar a característica das construções gregas que apreciavam foi acrescentar, nos fundos da casa, um peristilo em torno do qual se dispunham os vários cômodos como é possível ver nessa imagem do Peristilo da Casa dos Vettii, em Pompéia, na Itália. O restante da construção seguia o esquema tradicional.
A ARQUITETURA DOS TEMPLOS
Os romanos costumavam erigir seus templos num plano mais elevado, de modo que a entrada só era alcançada por uma escadaria, construída diante da fachada principal. Esses elementos arquitetônicos - pórtico e escadaria - tornavam a fachada principal bem distinta das laterais e do fundo do edifício. Eles não tinham, portanto, a mesma preocupação dos gregos: fazer os lados do templo semelhantes dois a dois - frente e fundo; laterais.
Assim como fizeram com as moradias, os romanos, que apreciavam os peristilos externos dos templos gregos, procuraram acrescentá-los também ao modelo tradicional de seu templo. Um exemplo disso é a Maison Carré.
Essa construção, erguida em Nimes, na França, no fim do século I a.C., tem todos os elementos romanos típicos: a escadaria, o pórtico, as colunas. Mas, além deles, os arquitetos criaram um falso peristilo, ao introduzir meias colunas embutidas nas paredes laterais e na do fundo.
Nem todos os templos, porém, resultaram da soma da tradição romana com os ornamentos gregos. Enquanto a concepção arquitetônica grega criava edifícios para serem vistos do exterior, a romana procurava criar espaços interiores. O Panteão, construído em Roma durante o reinado do imperador Adriano, é certamente o melhor exemplo dessa diferença. No interior, as cavidades quadradas que compõem a cúpula vão diminuindo à medida que se aproximam do centro.
Planejado para reunir a grande diversidade de deuses existentes em todo o Império, o Panteão, com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior, onde o povo se reunia para o culto.

Abaixo a vista externa do Panteão.






A CONCEPÇÃO ARQUITETÔNICA DO TEATRO
Graças ao uso de arcos e abóbadas, herdados dos etruscos, os romanos construíram edifícios - sobretudo anfiteatros - bastante amplos. Do grego amphi (dois) e téathron (teatro), significa "teatro com assentos dos dois lados do palco". Na Roma antiga, era destinado a espetáculos públicos, combates de feras ou de gladiadores, jogos e representações teatrais. Destinados a abrigar muitos espectadores, esses anfiteatros alteraram significativamente a planta do teatro grego. Assim, usando ordens de arcos sobrepostas, os construtores romanos obtiveram apoio para construir o local destinado ao público - o auditório.
Com essa solução arquitetônica, não era mais necessário assentar o auditório nas encostas de colinas, como faziam os gregos. A primeira conseqüência disso foi a possibilidade de construir tais edifícios em qualquer lugar, com qualquer topografia.
Essa maior liberdade na construção favorecia um tipo de espetáculo muito apreciado pelo povo romano: as lutas de gladiadores, que podiam ser vistas de qualquer ângulo. Não havia, portanto, a necessidade de um palco de frente para um auditório em semicírculo.
Assim, o anfiteatro caracterizava-se por um espaço central elíptico, onde se dava o espetáculo, e, circundado esse espaço, um auditóiro, composto de um grande número de filas de assentos que formavam uma arquibancada. Um exemplo disso é o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros romanos.
Externamente, esse edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três ordens de colunas gregas. Essas colunas, na verdade, eram meias colunas, pois ficavam presas à estrutura das arcadas. Não tinham, portanto, a função de sustentar a construção, mas apenas de ornamentá-la.
AS OBRAS PÚBLICAS
A arte romana revela-nos um povo de grande espírito prático: por onde passou, estabeleceu colônias e construiu casas, templos, termas, aquedutos, mercados e edifícios governamentais. Uma das mais representativas obras da construção civil dos romanos é o aqueduto conhecido até nossos dias por Le Pont du Gard.
Erguido no século I a.C., esse aqueduto de 50 quilômetros de extensão conduzia água até Nimes, cidade que hoje pertence à França. A parte dessa obra que mais chama a atenção é a ponte sobre o rio Gardon: com 48,77 metros de altura, três ordens de arcos, ela está apoiada em pilares cravados nas rochas. Um aspecto de grande beleza da construção são os arcos que criam as áreas vazadas, as quais dão leveza à ponte e contrastam com a solidez e a imponência que uma obra de engenharia do Império Romano deveria ter.
A PINTURA E O MOSAICO
A maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de Pompéia e Herculano, soterradas pela erupção do Vesúvio, em 79 d.C., e cujas ruínas foram descobertas no século XVIII.
Essas pinturas faziam parte da decoração interna dos edifícios e podem ser apreciadas em painéis que recobriam as paredes das casas.
Ao lado, por exemplo, podemos ver os afrescos na parede de uma casa na Vila dos Mistérios, em Pompéia (meados do século I a.C.). As figuras têm aproximadamente 1,50m.
Nos painéis, podiam criar-se, por exemplo, a ilusão de janelas abertas, por onde se viam paisagens como animais, aves e pessoas; barrados sobre os quais aparecem figuras de pessoas sentadas ou em pé, formando grandes pinturas murais; ou, ainda, conjuntos que valorizavam a delicadeza dos pequenos detalhes.
Os romanos são considerados verdadeiros mestres na arte do mosaico, cujos exemplos de maior valor artístico são também os que decoravam os edifício de Pompéia. Trata-se de uma técnica diferente da pintura, mas que, assim como esta, ornamenta as obras arquitetônicas.
Tanto na pintura como no mosaico, os artistas romanos, ora de maneira rústica mas alegre, ora de maneira segura e brilhante, souberam misturar realismo com imaginação, e suas obras ocuparam grandes espaços nas construções, complementando ricamente a arquitetura.
VOLUBILIS: O IMPÉRIO ROMANO NA ÁFRICA
A cidade de Volubilis foi estabelecida pelo Império Romano no norte da África por volta do século III .C. Além de ser um importante centro administrativo do Império para a região, representava um considerável fornecedor de grãos para Roma.
Desde 1997, Volubilis é um sítio arqueológico considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco pelo fato de suas ruínas serem muito bem preservadas. Um exemplo é o marco arquitetônico que vemos aqui: uma provável moradia em que é possível apreciar, com bastante clareza, a arte do mosaico aplicada ao piso.

A ESCULTURA
Embora fossem grandes admiradores da arte grega, os romanos, por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são em geral uma representação das pessoas, e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos.
Não obstante, ao entrar em contato com os gregos, os escultores romanos sofreram forte influência das concepções helenísticas da arte, mesmo não abdicando de um interesse muito próprio: representar os traços característicos do retratado. O resultado desse contato foi uma acomodação entre a concepção artística romana e a grega.
Podemos compreender melhor isso ao observarmos a estátua do primeiro imperador romano, Augusto, feita por volta de 19 a.C. Altura: 2,04 m. Museu Chiaramonti, Vaticano.
Embora para essa obra o escultor tenha usado como referência o Doríforo, de Policleto, ele a adaptou ao gosto romano. Assim, procurou captar as feições reais de Augusto e vestiu o modelo com uma couraça e uma capa romanas. Além disso, posicionou a cabeça e o braço direito do imperador de tal forma que ele parece dirigir-se firmemente a seus súditos, sugerindo movimento. Isso foi possível graças às oposições criadas pelo artista: um braço levantado, outro dobrado; uma perna estendida, outra flexionada; e mais para trás um lado do quadril ligeiramente curvo e projetado para a frente, com o outro mais estendido. Acentua essa idéia a postura dos pés e das pernas. Sua perna e seu pé direitos plantados no solo apóiam o corpo, dando-lhe firmeza. A perna esquerda flexionada e apenas alguns dedos do pé apoiados no solo sugerem que o imperador está prestes a dar um passo à frente.
A preocupação romana com representações bastante realistas pode ser observada não só nas estátuas de imperadores, mas também nos relevos esculpidos em monumentos que celebram feitos importantes do Império Romano. Entre esses monumentos comemorativos, destacam-se a Coluna de Trajano e a Coluna de Marco Aurélio.
Erguida no século I da era cristã, a Coluna de Trajano narra as lutas do imperador e dos exércitos romanos na Dácia. O imenso número de figuras esculpidas em relevo faz da obra um importante documento histórico em pedra. Pela expressividade das figuras e das cenas, porém, ela adquire também grande valor artístico.

Erguida pelo menos um século depois da Coluna de Trajano, a Coluna de Marco Aurélio celebra o êxito dos romanos contra um dos povos bárbaros. Como seu trabalho em relevo é mais profundo que o da Coluna de Trajano, nele é possivel observar melhor as figuras que representam os romanos e os bárbaros.
Depois das primeiras décadas do século III, os imperadores romanos começaram a enfrentar tanto lutas internas pelo poder quanto a pressão dos povos bárbaros que, cada vez mais, investiam contra as fronteiras do Império. Com isso, o interesse pelas artes diminuiu e poucos monumentos foram erguidos por ordem do Estado.
Começava a decadência do Império Romano que, no século V - precisamente em 476 -, perdeu seu domínio sobre o vasto território do Ocidente para os imperadores germânicos.
A ESCULTURA GRECO-ROMANA E A COR
Estamos tão habituados a ver as esculturas greco-romanas na cor original do mármore, que nos é praticamente impossível imaginar que elas tenham sido, um dia, coloridas. Em nossa cultura, essa monocromia das estátuas clássicas tornou-se sinônimo de bom gosto estético.
Entretanto, há muito tempo se sabe que elas eram originalmente coloridas e que os pigmentos aplicados sobre o mármore não resistiram à ação do tempo. Para chegar às cores originais, arqueólogos e outros especialistas dedicaram-se a vários estudos, lançando mão de modernos equipamentos que permitiram detectar fragmentos dos pigmentos.
O resultado desse trabalho foi a público em 2004, numa exposição organizada pelo Museu Vaticano, em Roma. Na ocasião, foram exibidas réplicas coloridas de importantes obras da Antiguidade, como a escultura Augusto de Prima Porta, escolhida para o cartaz de divulgação da exposição.

MORTALIDADE E O HYPER-REALISMO

Sam Jinks é um escultor australiano que costumava trabalhar com efeitos especiais em filmes e programas de televisão. Agora, passa a maior parte do tempo desenvolvendo esculturas extremamente realistas. Ele também tem um talento especial ao fazer nos lembrar da nossa mortalidade.

Suas esculturas feitas de silicone, fibra e cabelo humano são fantásticas e nos mostram os vários estágios da vida. Por exemplo, note a escultura abaixo de uma idosa segurando um bebê. Como humanos que estão nos extremos da vida, a escultura exalta nossa própria fragilidade humana.








segunda-feira, 19 de julho de 2010

DIA E NOITE - ANIMAÇÃO DA PIXAR

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Quem foi assistir a Toy Story 3 viu no telão a nova animação da Pixar. Parece ser uma tendência mundial esta de experimentar formas de mesclar a animação convencional com a animação 3D para ver no que dá. Aliás, o 3D está invadindo tudo e esse é mesmo o caminho. Mesmo na fotografia, os hologramas já são uma realidade em outros lugares onde é possível se ver imagens sólidas sendo projetadas por cartões e folders. Não vou falar sobre esta animação para não estragar a construção. Mas só ela já valeu a ida ao cinema, mesmo sendo Toy Story 3 uma ótima história para uma continuação. (Me senti A COMENTARISTA agora.rs)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

QUEM FOI A VERDADEIRA ALICE DO PAÍS DAS MARAVILHAS?

O que você faria se sua filha de 7 anos estivesse muito amiga de um esquisitão de 31, fazendo com ele demorados passeios de canoa e posando para seus retratos artísticos? Em vez de chamar a polícia - como qualquer família normal - a de Alice Pleasance Liddell incentivou seu relacionamento com Charles Dodgson, um escritor que assinava como Lewis Carroll. E a menina acabou sendo a musa inspiradora dos clássicos Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do Espelho (1871) - este inclusive termina com um poema em que as primeiras letras de cada estrofe formam o nome da menina. Até hoje não é claro o que exatamente estava rolando entre a menina e o escritor. Especula-se, e ninguém poderia deixar de especular, que havia uma paixão, consumada ou não. Sempre se acreditou que, quando ele deixou de frequentar a casa dos Liddell subitamente, em 1863, foi porque os pais de Alice haviam resolvido dar um basta naquele relacionamento inapropriado. Mas documentos descobertos pela biógrafa Karoline Leach mostram que Carroll talvez fosse tão simpático com Alice e suas irmãs porque estava interessado mesmo era na governanta da casa.

Já adulta, Alice soube usar a fama da personagem a seu favor. Mãe de 3 filhos e apertada de grana após a morte do marido rico, leiloou o valioso manuscrito de As Aventuras de Alice Embaixo da Terra (primeiro nome de Alice no País das Maravilhas). Ela já não mantinha contato com Lewis Carroll. O escritor anotou em seu diário que se lembraria dela para sempre "como aquela menininha de 7 anos completamente fascinante".
Esta foto, A Pequena Mendiga, foi tirada pelo próprio Carroll quando a menina tinha ainda 7 anos - além de escritor, ele era fotógrafo nas horas vagas. Consta que Alice gostava muito das histórias que ele contava, e sua personalidade teria inspirado a personagem.

DESENHOS EM DESTAQUE

Gis

DÉCIO BEZERRA DE CASTRO

quinta-feira, 15 de julho de 2010

AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE - JOSÉ SARAMAGO

José Saramago ficou mais conhecido depois que filmaram o livro Ensaio sobre a Cegueira. Mas ele tem muitas obras que merecem ser vistas. Esta daqui fala sobre um dia em que simplesmente as pessoas param de morrer. O que numa primeira vista parece ser um evento a ser comemorado aos poucos vai se tornando um problema. Para não perder o hábito, lá vai a transcrição da primeira página:
" No primeiro dia ninguém morreu. o facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequente em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar. A passagem do ano não tinha deixado atrás de si o habitual e calamitoso regueiro de óbitos, como se a velha átropos da dentuça arreganhada tivesse resolvido embainhar a tesoura por um dia. sangue, porém, houve-o, e não pouco.
Desvairados, confusos, aflitos, dominando às custas as náuseas, os bombeiros extraiam da almágama dos destroços míseros corpos humanos que, de acordo com a lógica matemática das colisões, deveriam estar mortos e bem mortos, mas que, apesar da gravidade dos ferimentos e dos traumatismos sofridos, se mantinham vivos e assim eram transportados aos hospitais, ao som das dilacerantes sereias das ambulâncias. Nenhuma dessas pessoas morreria no caminho e todas iriam desmentir os mais pessimistas prognósticos médicos, Esse pobre diabo não tem remédio possível, nem valia a pena perder tempo a operá-lo, dizia o cirurgião à enfermeira enquanto esta lhe ajustava a máscara à cara."