quinta-feira, 14 de junho de 2012

AH, O AMOR! por Gustavo Ranieri

O roteiro todo mundo sabe: você conhece alguém, se apaixona, começa a namorar e, quem sabe, um dia percebe que é com aquela pessoa que deseja compartilhar uma vida. O que talvez tenha passado  em branco é que algumas sensações e intenções vividas guardam muito mais filosofia do que se imagina. O friozinho na barriga que vem ao se conhecer alguém interessante é o início do que muitos filósofos estudaram como o desejo de amar. " O amor é uma inspiração e visa a alguma forma de realização", destaca Guilherme Castelo Branco. 
Mas, assim como a filosofia, o amor também é múltiplo. Platão, por exemplo, chegou até a apresentar esse tema com o conceito que nos acostumamos a chamar de almas gêmeas. "No diálogo "O Banquete", escrito por Platão, a ideia do amor vem como predestinação. Duas pessoas se buscam porque eram antes inteiras e depois foram cindidas em duas metades. Para Sócrates há o amor como Eros, ou seja, você ama aquilo que te falta. E tem Santo Agostinho (354-430), que fala do amor por Deus, o amor por outro homem e por si mesmo", afirma Dulce Critelli, titular do Departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). 
Se você é do tipo que adora dar presentes, lembre que até esse aspecto comunga com a filosofia. É o momento, como explica Castelo Branco, em que você mostra que não está trancado em seu próprio mundo, mas sim aberto para compartilhar com os outros. "Numa sociedade de consumo em que todos pensam em poupar o máximo possível e dar o mínimo, dar um presente é uma coisa generosa, uma grande qualidade altruísta", afirma.
E, entre tantos nomes, não podemos esquecer que quando falamos de amor nos remetemos, em algum momento, à visão do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), para quem duas pessoas se apaixonavam  e casavam com o objetivo inconsciente de fazer do amor a garantia da perpetuação da espécie e de si mesmo em um novo ser. "A inclinação crescente entre dois amantes é, propriamente falando,  já a vontade de vida do novo indivíduo, que eles podem e gostariam de procriar", dizia. 

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