sábado, 26 de novembro de 2011

O TRIUNFO DE GALATEIA de RAFAEL


O famoso pintor renascentista é o autor dessa obra. Uma vez ele escreveu: "Para pintar a beleza, preciso ver mais mulheres belas... mas ao ser privado das belas mulheres, eu me contento com a ideia que me vem à mente". A ideia de beleza perfeita que Rafael tinha, inspirada em Platão, foi expressa nos traços de quase todas as mulheres que ele retratou. Em sua obra, ele modificou ligeiramente um antigo retrato de Santa Catarina de Alexandria para compor o rosto da ninfa dos mares, Galateia. 
Galateia foi amada pelo temível ciclope Polifemo, porém ela o rejeitou e iniciou uma fuga para encontrar seu verdadeiro amor: Ácis. É justamente nesse momento que ela é retratada por Rafael. Dizem que essa obra foi solicitada por Agostini Chigi, patrono de Rafael, que tinha esperanças de se casar com Margherita Gonzaga, filha do marquês de Mântua, mas cuja proposta estava sendo rejeitada. É provável que Chigi tenha escolhido esse tema influenciado por versões anteriores do mito, nas quais os galanteios do ciclope para Galateia terminam com um final feliz para ele. No quadro, Galateia ignora as flechas lançadas pelos cupidos em sua direção, olhando apenas para o cupido cujas flechas permanecem guardadas. Esse cupido representa o amor platônico e, ao olhar para ele, Galateia revela sua rejeição aos galanteios do ciclope e sua preferência por um amor mais espiritual do que físico. Os golfinhos que puxam a carruagem da ninfa também saíram da literatura. O poeta Angelo Poliziano assim descreveu em sua versão do mito: "Dois golfinhos puxam uma carruagem: nela está sentada Galateia, que controla as rédeas; enquanto nadam, os golfinhos tomam fôlego em uníssono".
Tem muita gente que confunde essa Galatéia com outra também famosa esculpida por Pigmalião e que ganhou vida por graça da deusa do amor. Mas a Galatéia aqui retratada era uma ninfa e uma das nereidas. Era apaixonada por um camponês que também era filho do deus Pã e de uma ninfa. Dizem que Polifemo flagrou os amantes juntos e num acesso de fúria esmagou Ácis com uma enorme rocha. Galatéia intercedeu junto à mãe deste e esta transformou o sangue de Ácis em um rio com o mesmo nome. Depois a ninfa se jogou ao mar e foi viver nas ondas que tocam as areias com suas espumas brancas sem jamais retornar à terra.

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