terça-feira, 29 de novembro de 2011

ARTE EGEIA

Antes do aparecimento da arte na Grécia continental, várias civilizações antigas prosperaram no mar Egeu e seus arredores, sendo que a primeira delas foi a civilização das ilhas Cíclades, num arquipélago que fica no sudeste da Grécia continental. A partir de 3.000 a.C., uma onda de colonos da Ásia Menor começou a produzir uma variedade distinta de estatuetas usando o mármore da região. Muitas delas representam mulheres numa pose simples e ereta, com os braços cruzados em frente ao peito (à direita, em cima), embora também tenham sido encontradas algumas esculturas masculinas: os homens costumavam ser retratados com instrumentos musicais ou armas. A utilidade dessas estatuetas permanece um mistério. A maioria delas foi descoberta em sepulturas, mas não era nova quando foi colocada ali, por isso certamente tinha algum significado também para os vivos. As esculturas talvez tivessem enfeites pintados, mas esses enfeites se desgastaram com o tempo. As formas concisas e minimalistas das imagens serviram de inspiração para escultores modernos, assim como a estética da escultura tradicional africana influenciou a obra de artistas do início do século XX, como Pablo Picasso (1881-1973), Henri Matisse (1869-1954) e Alberto Giacometti (1901-1966).

  A maior das civilizações egeias surgiu em Creta em aproximadamente 3000 a. C. Os artistas minoicos se inspiraram no Egito, na Síria e na Anatólia, mas fundiram os vários estilos criando a própria arte, extremamente original. Eles se sobressaíram na fabricação de cerâmicas, jóias, afrescos e esculturas de tamanho reduzido. A cultura minoica se concentrava nos grandes palácios de Cnossos, Malia e Festos, que eram conjuntos de construções usados com objetivos comerciais, religiosos e cerimoniais, e não apenas residências. Eles continham armazéns para grãos e oficinas para artistas, além de espaço para grandes aglomerações. Os palácis eram extravagantemente decorados com afrescos. Em Cnossos, ainda existem fragmentos de pinturas retratando as espetaculares procissões e exibições de acrobacias, que exerciam um importante papel no ritual cretense das touradas. Os afrescos também mostram representações vividas da natureza, incluindo um gato caçando um pássaro, um macaco numa plantação de açafrão e um friso de golfinhos azuis. 
 A influência minoica se estendeu ao continente grego, onde teve um grande impacto sobre os micênicos, que properaram na região de 1600 a 1100 a. C. A civilização deve seu nome à antiga de Micenas, no nordeste do Peloponeso. A partir dessa cidade, os micênicos aos poucos estenderam seu domínio por todo o sul da Grécia e pelas ilhas próximas. Eles eram mais guerreiros que os minoicos; seus palácios eram fortificados e deixaram para trás muitas armas e artefatos de guerra. Os antigos gregos se inspiraram em Micenas ao criarem sua própria civilização. De acordo com a mitologia grega, a cidade foi fundada por Perseu e governada por Agamenon, que liderou as forças gregas na guerra contra Troia. Homero descreveu a cidade como rica em ouro na Iliada. 
A descrição de Homero parece ter algo de verdadeiro. Quando o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann (1822-1890) escavou um conjunto de sepulturas verticais (mausoléus que consistiam de um fosso profundo e estreito), em Micenas, em 1876, suas escavações produziram resultados impressionantes. Além de muitas jóias e armas enfeitadas com ouro e prata, ele descobriu uma coleção de máscaras mortuárias que eram feitas forjando-se o ouro em folhas finíssimas sobre um molde de madeira. Os detalhes eram mais tarde esculpidos em uma ferramenta afiada, e dois buracos próximos aos ouvidos eram usados para manter a máscara no lugar com fios sobre o rosto do falecido. Schliemann esperava relacionar essas máscaras à corte de Agamenon, e uma das máscaras folheadas a ouro foi chamada de Máscara de Agamenon (esta aí em cima). A máscara, contudo, foi feita 300 anos antes da época do herói grego e provavelmente cobria o rosto de um governante micênico. 

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