domingo, 20 de março de 2011

O TEMPO E O VENTO de ÉRICO VERÍSSIMO

Ana Terra é uma heroína brasileira criada por Érico Veríssimo (1905-1975) em sua trilogia O TEMPO E O VENTO. Episódio crucial da obra máxima desse escritor gaúcho, Ana Terra narra a história da filha do pampa que, nas ermas terra do pai, encontra o ferido Pedro Missionero, índio valente, sonhador e sensível. Irrompe a paixão, fatal para ele. Quando Ana engravida, o pai e dois irmãos cumprem o código do colono branco: Pedro é morto, como Ana previra em sonho. Da união nasce o menino Pedro Terra. São dias sem calendário, em algum ano do século 18. Vêm os castelhanos invasores. Ana esconde o filho, a cunhada, a sobrinha: finge ser a única mulher da casa. O pai e os irmãos morrem. Os sobreviventes partem para a recém-fundada Santa Fé. Lá Ana ergue seu rancho e torna-se parteira. Vêm as guerras platinas. Pedro Terra, já moço, é convocado. Volta vivo, mas é chamado outra vez. Ana, mãe da terra, novamente o aguarda num silêncio que encerra o episódio, com força imensa. Ana tem as virtudes da Mãe Terra: procriadora, protetora, invencível. E, não por acaso, parteira, pois, como a própria vida, renasce sempre. Se você já tem uma pequena vivência de épicos na literatura e no cinema talvez esteja tendo um dejavú ao ler essas frases. Este tipo de épico que narra, através de um personagem, a história de uma nação já se tornou um estilo inerente às culturas ocidentais e orientais. Talvez tenha nascido lá atrás com Homero. É um patrimônio mundial que já foi consagrado em épicos como E o vento levou..., Indochina, A casa das sete mulheres, etc.
Deixo aqui o trecho histórico em que Scarlet O'hara faz o seu juramento:
Tem também um trechinho da minissérie feita pela Globo. É engraçado de perceber que as novelas de época, especialmente que retratam a região sul, sempre vão buscar suas referencias nos romances de Veríssimo. Ele impôs uma marca que virou um esteriótipo de gaucho que parece irá se perpetuar eternamente nas séries novelescas brasileiras.

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